Publicado em 18/02/2026 - 18:20 / Clipado em 18/02/2026 - 18:20
ABC tem um idoso para cada seis moradores e região começa a qualificar atendimento
George Garcia
O ABC começa a olhar para idosos sem família ou que os parentes não têm como cuidar deles. Com 465.587 idosos, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o ABC não avançou muito na proteção e atendimento a este público nos últimos anos. Cerca de 16% dos 2.789.011 habitantes têm mais de 60 anos na região, ou seja, um para cada seis pessoas. Na sexta-feira (13/02) São Bernardo anunciou a reforma de um prédio para entregar, ainda este ano, o primeiro Serviço de Acolhimento para Pessoas Idosas da cidade.
Para a advogada especializada em Direito do Idoso, Antonieta Rosa Nogueira Ferreira, o passo é importante para garantir que a atenção aos idosos se torne política pública permanente.
Considerando toda a população idosa da região ela equivale ao número de habitantes de Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra juntas. O serviço de acolhimento para idosos anunciado em São Bernardo é só o começo de uma política pública que deve ser permanente. Antonieta, que é presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) subseção de Santo André, considera um avanço, mas ainda tímido em termos de políticas públicas para atendimento à pessoa idosa.
“Em Santo André, por exemplo, temos duas instituições, mas ambas são ONGs que atendem com seus recursos, com verba de repasse público e com doações. Como a população idosa vem aumentando e também as dificuldades das famílias mais pobres, não há dúvidas de que o serviço implantado no setor público é a melhor saída, como uma política pública permanente. Hoje temos idosos que moram sozinhos, e também aqueles que ficam sozinhos em casa enquanto os familiares trabalham, alguém precisa olhar por eles”, analisa Antonieta.
Segundo a advogada, os idosos precisam de muito mais atendimento. “Praticamente não aconteceu nada em relação ao atendimento para o envelhecimento da população. Falou-se em hospital para idoso, mas não saiu. É preciso incrementar a saúde da família para atender as necessidades do idoso, ajudar com gastos e com inscrições em programas para retirada de medicamentos de graça ou com desconto, coisas que podem ajudá-lo a adiar a dependência de outras pessoas”, explica.
Para Antonieta, os condomínios podem ajudar nesse processo pois há muitos idosos morando sozinhos e os vizinhos precisam estar atentos às necessidades deles. “Na pandemia aconteceu algo bom que foram jovens se prontificando a fazer compras, e outras coisas para os idosos que não podiam sair por conta da emergência de saúde. Isso precisa ser resgatado, e também estimular a relação intergeracional, em vez de internar o idoso em uma instituição, se ele ainda tem autonomia. Na OAB de Santo André damos um curso gratuito para cuidadores, um estímulo para que possam prestar serviços de forma voluntária”.
O atendimento em internação para os que precisam de cuidados intensivos de saúde é apenas parte do amparo que essa população idosa precisa. “Pode-se ampliar esse atendimento de saúde em casa, criar um tipo de creche para atendimento durante o dia e também aproveitar essa mão de obra do idoso que está ativo e que é tão importante para ele e para a sociedade”, completa a especialista em direito do idoso.
São Bernardo
Sobre a clínica que deve ser entregue no segundo semestre a Prefeitura de São Bernardo sustenta que existe demanda específica para pessoas idosas, em condição de dependência total, expostas à vulnerabilidade social e desprovidas de suporte familiar; em situação de pobreza e com grau de dependência III; com vínculos familiares fragilizados ou rompidos, que não dispõem de condições de permanecer com a família, com vivência de situações de violência ou negligência; em situação de rua ou abandono, acolhidos nas ILPIs (Instituições de Longa Permanência para Idosos) e os internos na Santa Casa, estes mesmo com alta hospitalar permanecem internados, por falta de amparo familiar.
“Com relação ao Serviço de Acolhimento para Pessoas Idosas, que será implantado, serão disponibilizados 40 leitos. Cabe destacar que, entre as premissas do serviço e estratégias de ação estão contribuir para a prevenção do agravamento da situação de dependência grau III, promover o restabelecimento dos vínculos familiares comunitários e sociais, incentivar e promover a participação da família e da comunidade na vida diária do acolhido. Agentes de saúde também podem contribuir no acompanhamento familiar”, destacou a prefeitura, em nota.
Diadema
Diadema tem convênio com Organização da Sociedade Civil para a oferta de vagas em acolhimento institucional para idosos em ILPI. As vagas são destinadas a idosos em situação de vulnerabilidade social e com histórico de violação de direitos.
Atualmente 34 pessoas idosas são atendidas através desse convênio. “O acesso ao serviço ocorre por meio de avaliação técnica realizada pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), mediante encaminhamento da rede socioassistencial, de saúde, do sistema de justiça ou por demanda espontânea. A condição de saúde pode ser considerada para planejamento do cuidado, porém não é requisito exclusivo para a inserção no acolhimento institucional, conforme a Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais”, detalha a prefeitura.

Diadema informa que, apesar de não ter disponibilidade de leitos hospitalares para longa permanência, mantém os atendimentos até determinação judicial. “O município não dispõe de retaguarda de leitos de longa permanência. Quando os serviços de urgência recebem idosos sem familiares, eles permanecem no serviço de saúde em leito social e, em conjunto com o setor jurídico é realizada a notificação ao Ministério Público. Atualmente, temos nove casos em longa internação (UPA Centro e Hospital Municipal). No entanto, o município dispõe de serviço de acolhimento institucional, o que contribui para evitar internações hospitalares de longa permanência por motivos exclusivamente sociais. Idosos em situação de abandono ou sem suporte familiar são acompanhados pela rede socioassistencial e, quando necessário, encaminhados para acolhimento institucional, conforme avaliação técnica.
Já os idosos que têm acompanhamento da sua saúde em casa, são 1.085 em Diadema, destes 84 são acompanhados pela equipe do Serviço de Atendimento Domiciliar (SAD).
Santo André
Em Santo André a prefeitura mantém convênios com duas Organizações da Sociedade Civil que executam o serviço de acolhimento institucional para pessoas idosas: a Instituição Assistencial Nosso Lar e a Casa do Caminho Ananias. O serviço integra a rede de Proteção Social Especial do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e é destinado a pessoas idosas em situação de vulnerabilidade e risco social, especialmente nos casos de violação de direitos e fragilização ou rompimento de vínculos familiares.
Atualmente Santo André tem 132 vagas conveniadas destinadas a homens e mulheres com graus de dependência e a mulheres acamadas. “O acolhimento institucional é destinado a pessoas idosas que vivenciam situações de violação de direitos, como violência física, psicológica, sexual ou patrimonial, abandono, negligência ou ausência de retaguarda familiar para cuidados. A avaliação considera o contexto social, familiar e de proteção, não sendo a renda o único critério. O serviço é caracterizado como medida de proteção social e ocorre mediante avaliação técnica especializada”, diz nota do Paço.
O SAD de Saúde de Santo André atende 350 pacientes, sendo que cerca de 70% são pacientes idosos. Além disso, dois dos pacientes atendidos são residentes de casas de acolhimento permanentes para idosos.
Mauá
A Prefeitura de Mauá tem convênio com a Casa de Acolhida Isabel Soler, localizada à rua Amaro Branco da Silva, 348, no Jardim Mauá. “A entrada é por meio de denúncia de maus-tratos, negligência, abandono ou quando o idoso se coloca em risco. É realizada uma busca por familiares em condições de assumir este idoso. Caso não seja possível, é realizada uma avaliação técnica pelo CREAS ou Centro POP, para viabilizar esta acolhida pelo município”, sustenta a administração municipal.
Hoje, em Mauá, são acolhidos 23 mulheres e 24 homens, sendo que o convênio é de 50 vagas. Observou-se o aumento de 6,7%, de 2024 para 2025. “A demanda do município vem sendo atendida, apesar de haver idosos que necessitam de abrigo, mas pertencem ao acolhimento da Secretaria de Saúde em virtude do grau III de dependência”, completa a prefeitura em sua nota.
Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra e São Caetano não responderam até o fechamento desta matéria.
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Seção: Cidades