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Publicado em 16/02/2026 - 08:05 / Clipado em 16/02/2026 - 08:05

ABC recolhe em 2025 mais de 70 mil toneladas de entulho em pontos viciados


Amanda Lemos 

 

O descarte irregular de entulho ainda representa um desafio no ABC. Somente em 2025, as prefeituras de Ribeirão Pires, Santo André, Diadema e Rio Grande da Serra recolheram juntas mais de 70 mil toneladas de resíduos, entre restos de construção, móveis e outros materiais volumosos, e aplicaram centenas de multas para coibir a prática.

Em Ribeirão Pires, o volume de material descartado irregularmente agravou enchentes em dias de muita chuva. Em diversas bocas de lobo, foram encontrados pedaços de colchões, sofás e outros materiais volumosos que impedem o escoamento da água da chuva.

Moradores do Parque Aliança relatam o problema. “Já vi gente chegar com o carro de outros lugares da cidade e descartar em alguma rua mais vazia porque sabe que não existe fiscalização rigorosa”, conta o mecânico Silvio Pacheco Dias, de 56 anos.

O Parque Aliança é um dos bairros considerados mais críticos pela Prefeitura, ao lado de São Caetaninho, Quarta Divisão, trechos da região central, Centro Alto, Vila Aurora e Jardim Valentina. No Jardim Panorama, moradores relatam que não é raro encontrar pedaços de sofá, animais mortos e colchões ao final do córrego da avenida Prefeito Valdírio Prisco.

A cidade estima um recolhimento mensal de 1.200 toneladas de entulho, enquanto a Secretaria de Zeladoria aplica, em média, quatro a cinco autuações por dia, com valores a partir de R$ 4.761,03. Segundo a administração, a prática irregular está ligada à falta de conscientização ambiental, mesmo com o serviço regular de cata-bagulho disponível.

Santo André recolhe mais de 33,5 mil toneladas de entulho

Em Santo André, 45 pontos da cidade são monitorados, com maior incidência nos bairros Jardim Santo André, Jardim Santa Cristina e Jardim Cristiane. Em 2025, foram recolhidas 33.586 toneladas de resíduos e aplicadas 205 autuações. A cidade mantém programas como Ponto Limpo, revitalização de áreas com grafite, Moeda Verde e Moeda Pet, além de 29 ecopontos e um espaço exclusivo para resíduos eletroeletrônicos no Atrium Shopping, todos gratuitos para os moradores.

Em Diadema, os principais locais de descarte irregular somam 19 pontos, como avenida Rotary, avenida Fagundes de Oliveira e Praça Pôr do Sol. O volume de entulho recolhido chega a 1.490 toneladas por mês em ecopontos, mais 1.400 toneladas em pontos irregulares. A cidade lançou a campanha educativa Não seja porcalhão!, que reforça a fiscalização e aumentou o valor das multas, que variam entre R$ 5.610 e R$ 22.440.

Na última semana de janeiro, durante uma ação de limpeza na rua Bruno Spinosa, na Vila Nogueira, fiscais municipais encontraram, em meio a entulhos e lixo descartados irregularmente, materiais até de uma gráfica local. A empresa foi multada em R$ 5.610 (1.000 UFDs) por descarte ilegal de resíduos.

Rio Grande da Serra faz retirada sob demanda

Em Rio Grande da Serra, os bairros mais afetados são Parque Indaiá, Jardim Santa Tereza e Vila Conde Siciliano, com pontos críticos em ruas como Juscelino Kubitschek e Marechal Castelo Branco. O município recolhe, em média, 130 toneladas de entulho por mês por meio do programa SSU Retira, que atende mediante solicitação da população sem necessidade de agendamento.

Segundo as administrações municipais, os principais motivos do descarte irregular incluem o custo de caçambas particulares, falta de fiscalização e desconhecimento dos serviços disponíveis. Na visão do técnico ambiental João Paulo da Silva Brito, especialista em gestão de resíduos, o descarte irregular de entulho causa impactos na drenagem urbana, proliferação de vetores de doenças e degradação do solo.

“O combate ao problema exige fiscalização contínua, educação ambiental, programas de coleta organizada e aplicação de multas. No entanto, o desafio persiste, já que os descartes muitas vezes ocorrem em horários que dificultam flagrantes e reaparecem em locais já limpos”, afirma.

Ainda segundo o especialista, faltam campanhas de conscientização, ações efetivas e fiscalização rigorosa por parte do poder público. “O que acontece em muitos casos é que os munícipes sequer sabem como solicitar o serviço de coleta ou onde descartar o próprio material”, explica.

Descarte correto

Na região, o descarte correto de entulho é feito principalmente por meio de serviços municipais gratuitos, com retirada e/ou entrega de material aos ecopontos disponíveis nas cidades. Os atendimentos podem ser solicitados por telefone, e-mail, aplicativos ou presencialmente, dependendo do município, e não exigem necessariamente agendamento prévio.

Questionadas, as prefeituras de São Caetano, São Bernardo e Mauá não responderam os questionamentos até o fechamento da reportagem.

 

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Seção: Cidades