Publicado em 09/02/2026 - 08:07 / Clipado em 09/02/2026 - 08:07
ABC reforça quadro da Educação com contratações e foco na inclusão
Amanda Lemos
A Educação no ABC inicia 2026 com reforço no quadro de servidores, manutenção de investimentos e ampliação das políticas de educação inclusiva – uma demanda histórica da região que, pouco a pouco, avança entre os municípios. Dentre as sete cidades consultadas, apenas três responderam aos questionamentos do RD: Diadema, São Caetano e Santo André, e todas apostam na reposição de equipes, fortalecimento de atendimento a alunos com deficiência e na qualificação da rede municipal.
Em Diadema, o orçamento da Educação em 2026 deve permanecer em patamar semelhante ao de 2025, estimado em cerca de R$ 600 milhões, e o principal objetivo da gestão é fortalecer a Educação Inclusiva. Quem espera por resultados mais satisfatórios na cidade é Alberto Sartori Reis, de 46 anos, pai de Enzo Gabriel, de nove. Diagnosticado com autismo grau 3, o garoto exige suporte contínuo, com foco em terapias intensivas, acompanhamento fonoaudiológico e um plano de ensino individualizado (PEI).
Em entrevista ao RD, o pai de Enzo relata a realidade vivida na cidade nos últimos anos. “Ele chegou a estudar na rede municipal durante quase um semestre inteiro, em 2024, mas entendemos que a cidade não tinha o suporte necessário para atendê-lo. Era preciso adaptar atividades e criar espaços de descompressão sensorial, mas nada disso aconteceu”, conta. Hoje, o menino estuda em uma escola particular situada na Zona Sul de São Paulo, mas o desejo da família é, no futuro, retornar com o garoto para a rede municipal de Diadema. “Enquanto não ofertarem um ensino e cuidado de qualidade, não tem como mudá-lo de escola”, afirma.
Somente em 2025, a Prefeitura de Diadema informa ter destinado cerca de R$ 5 milhões para ações voltadas ao atendimento especializado, ao suporte pedagógico e à garantia do direito à aprendizagem de estudantes com deficiência. No mesmo ano, foram contratados 164 novos agentes de apoio e cinco professores para atuar diretamente na educação inclusiva. Atualmente, a rede municipal conta com 97 professores de Educação Especial, 234 agentes de apoio e 165 estagiários, profissionais que auxiliam tanto no trabalho pedagógico quanto nos cuidados diários, como alimentação, orientação e bem-estar dos alunos.
Centro TEA deve ser inaugurado em 2028
Outro projeto de Diadema é o Centro TEA, com inauguração prevista para 2028. De acordo com a Prefeitura, a unidade será a primeira do tipo na região e a segunda do Brasil, com atendimento exclusivo para pessoas com Transtorno do Espectro Autista.
O espaço terá cerca de 650 m², com quadra, piscina adaptada, auditório, biblioteca, salas sensoriais, de cursos e de atendimento médico, psicopedagógico e clínico. O investimento estimado é de R$ 10 milhões.
São Caetano amplia orçamento da Educação Especial
Para o início do ano letivo de 2026 em São Caetano, a administração admitiu mais 18 servidores, com previsão de ingresso de outros 53 profissionais até 2 de março, além de três estagiários. Com isso, o reforço total previsto chega a 74 novos profissionais ainda este ano.
Do total de contratações, 30 são professores. As demais vagas contemplam 23 auxiliares de Primeira Infância, 10 inspetores de alunos e oito merendeiros, fortalecendo tanto a área pedagógica quanto os serviços de apoio ao funcionamento das unidades escolares. A administração municipal também prevê novas contratações ao longo de 2026, conforme as necessidades da rede.
Na Educação Especial, o investimento realizado em 2025 foi de aproximadamente R$ 12 milhões. Para 2026, a previsão orçamentária sobe para cerca de R$ 13 milhões. Já em relação ao número de profissionais especializados, a Prefeitura informa que a rede deve passar dos atuais 260 para 290, ampliando a capacidade de acompanhamento dos alunos com deficiência.
O orçamento executado na Educação em 2025 foi de cerca de R$ 628 milhões, enquanto a receita prevista para 2026 é de aproximadamente R$ 612 milhões, redução de 2,55%.
Santo André prevê mais de 600 novos profissionais
Em Santo André, a estimativa é de que, em 2026, sejam incorporados mais de 600 novos colaboradores. As contratações abrangem professores, auxiliares administrativos, agentes de desenvolvimento infantil, professores assessores de educação inclusiva, monitores de inclusão digital e estagiários, com impacto direto no atendimento da rede municipal.
As admissões contemplam profissionais das áreas pedagógica e administrativa que atuam na Educação Infantil, Ensino Fundamental, Educação de Jovens e Adultos (EJA) e Educação Especial na perspectiva inclusiva. Ao longo de 2026, a pasta também prevê novas contratações, de forma planejada e conforme a disponibilidade orçamentária, para garantir o funcionamento adequado das unidades escolares.
No ano passado foram entregues quatro novas salas de recursos multifuncionais, ampliando para 48 o total existente na rede. Para 2026, a previsão é inaugurar mais seis salas e, para atuar nesses espaços, a Secretaria convocou 38 novos professores especialistas em educação inclusiva no ano passado.
O orçamento previsto para a Educação em Santo André em 2026 é de R$ 1,001 bilhão, considerando todas as fontes de recursos. Em 2025, o orçamento previsto foi de R$ 966,4 milhões, com execução de R$ 945,9 milhões.
Falta de capacitação
Em Ribeirão Pires, embora a Prefeitura não tenha informado os investimentos previstos para 2026, uma professora da rede municipal, que prefere não se identificar, afirma já perceber as mesmas dificuldades observadas nos últimos anos na educação pública. “Contratam professores, ampliam o atendimento, mas a capacitação para quem já acompanha alunos da educação especial simplesmente não existe”, relata.
Segundo a professora, no ano passado, mães de alunos se uniram para cobrar da direção de uma escola municipal a falta de profissionais preparados para oferecer o suporte adequado. “Existem profissionais que poderiam atender essas crianças, mas não há capacitação. Gente tem, o que falta é formação específica para esse trabalho”, diz. Ainda de acordo com a professora, a escola atende alunos com dificuldades de comunicação e interação social, além de comportamentos repetitivos, que demandam acompanhamento especializado e suporte contínuo no dia a dia escolar.
Principais desafios
Questionadas pelo RD sobre os principais desafios encontrados pelas secretarias de Educação, as cidades apontam o fortalecimento da atuação em rede, a melhoria do clima escolar, escuta ativa da comunidade e o combate ao absenteísmo de alunos e profissionais, por meio de ações de acolhimento e gestão.
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Seção: Cidades