Publicado em 09/02/2026 - 08:06 / Clipado em 09/02/2026 - 08:06
Região realizou mais de 5,3 mil cirurgias de catarata em 2025, mas ainda há fila de espera
George Garcia
Pelo menos 5,3 mil cirurgias de catarata foram realizadas no ano passado pelas prefeituras, mesmo assim, em algumas cidades ainda há fila de espera. O número exato dessa fila não se sabe, pois a maior parte dos municípios não informou quantos aguardam o procedimento, nem há quanto tempo esperam pela cirurgia. O fato é que a demora piora a qualidade de vida dos pacientes, que ficam com a acuidade visual comprometida até serem operados.
Para Oswaldo Ferreira Moura Brasil, presidente da SBO (Sociedade Brasileira de Oftalmologia), os pacientes com catarata têm aparecido em número maior porque a doença está diretamente ligada ao acesso à saúde e ao envelhecimento da população.
“A catarata é uma condição extremamente frequente e em algum momento da vida todo mundo desenvolve, basta que a gente viva o suficiente, é como ter cabelo branco. A nossa lente natural que temos dentro do olho, o cristalino, vai ficando branca com a idade em determinado momento isso leva a uma baixa visão. Com mais qualidade de vida e as pessoas vivendo mais a catarata aumenta de incidência. É uma condição que vai ter uma demanda grande para o tratamento”, aponta.
O médico diz que a fila, que pode levar à demora para a cirurgia, não interfere no resultado final após o procedimento, o que ocorre é que, quanto mais demora, pior fica a visão de quem aguarda. “Na imensa maioria dos casos a cirurgia de catarata é feita de forma eletiva, não é de urgência. A partir do diagnóstico é possível fazer os exames pré-operatórios com tranquilidade e programar a cirurgia. O pior que pode acontecer, numa espera mais longa, é um tempo maior que a pessoa passa sem enxergar da melhor forma possível, mas não há perda visual no atraso da cirurgia exceto em raras situações associadas a inflamação e trauma. Na catarata relacionada a idade, que representa quase a totalidade dos casos estatisticamente, os resultados serão satisfatórios mesmo que se demore alguns meses pra operar”, tranquiliza Moura Brasil.
Parceria
Em Diadema a Prefeitura firmou em setembro do ano passado uma parceria coma FMABC (Faculdade de Medicina ABC) para a realização de cirurgias de catarata com o objetivo de zerar uma fila de 1,7 mil pessoas que aguardavam o procedimento na ocasião. Quase cinco meses depois nenhum paciente ainda foi operado por meio da parceria.
Ao ser indagada sobre o número de pacientes que já operaram, Diadema informa que nem metade dos que estavam na fila iniciou os procedimentos para fazer a cirurgia. Além disso, 757 pacientes, ou 44,5% dos que estavam na fila, foram agendados em consulta para avaliação cirúrgica na FMABC.
Diadema também tem estrutura própria para realizar a cirurgia da catarata. O Quarteirão da Saúde realizou só no ano passado 415 procedimentos. Outra opção seria encaminhar pacientes via Siresp (Sistema Informatizado de Regulação do Estado de São Paulo) para a rede estadual, mas o município não informou quantos casos foram encaminhados desta forma. Atualmente, segundo o Paço, há 784 que aguardam avaliação para consulta com especialista, sem previsão do prazo médio de espera pelo procedimento.
Recorde
A cidade recordista no ABC em cirurgias de catarata é Santo André, onde só no ano passado foram feitos 2,7 mil procedimentos. Em 2024, foram 3,1 mil. O fluxo de atendimento começa pela UBS (Unidade Básica de Saúde), onde o paciente é encaminhado para o Poupatempo da Saúde para a primeira avaliação oftalmológica. Depois um especialista analisa o caso, pede os exames pré-operatórios com a expectativa é de que o procedimento ocorra em 45 dias, o que indica que não há fila de espera.
São Bernardo também fez um número importante de cirurgias de catarata no ano passado. Segundo o Paço, foram 1.457 operações. As cirurgias ocorrem na Clínica Municipal da Visão, após encaminhamento da UBS. “No dia da cirurgia, o paciente recebe as orientações necessárias e já sai com três retornos agendados para avaliação pós operatório, em intervalos de um, sete e 14 dias após a cirurgia”, sustenta o município que não informou o tempo médio de espera, nem quantos aguardam na fila.
Em 2025 o AME (Ambulatório Médico de Especialidades) de Mauá realizou 773 cirurgias de catarata, no ano anterior foram 1.141. Mesmo com o importante número de procedimentos, o município ainda tem 661 pacientes na fila à espera do procedimento.
Rio Grande da Serra não realiza cirurgias de catarata na rede e todos os pacientes são encaminhados para especialistas do Estado. O município não sabe, dentre os pacientes encaminhados, quantos foram operados. “Os pacientes são encaminhados pelo sistema de regulação para especialistas de referência, que a avaliam e encaminham o paciente para cirurgia se for o caso. Não temos acesso a esses números, nem se foram ou não realizadas as cirurgias”, diz a nota do município.
Outra cidade que não opera catarata e encaminha todos os pacientes para a regulação do Estado é Ribeirão Pires, onde a demanda não é grande e, segundo a Prefeitura, apenas duas pessoas aguardam na fila para operar. No ano passado 166 pacientes foram encaminhados.
São Caetano não respondeu.
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Seção: Cidades