Publicado em 05/02/2026 - 11:06 / Clipado em 05/02/2026 - 11:06
Tite rebatiza unidade de saúde animal aberta em 2023 e promete mais serviços
George Garcia

Antiga UBASA passa a se chamar Casa Caramelo. (Foto: Gabriela Gonçalves/PMSCS)
Nesta quinta-feira (05/02) o prefeito de São Caetano, Tite Campanella (PL) participou de solenidade de inauguração da Casa Caramelo, um centro de atenção à saúde animal, que ocupa o mesmo lugar da UBASA (Unidade Básica de Saúde Animal) inaugurada pelo ex-prefeito José Auricchio Júnior (PSD) em 2023. Na prática o atendimento é o mesmo, mas os serviços aumentaram, segundo anuncia a prefeitura.
A Casa Caramelo fica na rua Matilde, 50, no Jardim São Caetano. A prefeitura sustenta que os novos atendimentos modernizaram a unidade. Agora são oferecidas castrações de cães e gatos, há atendimento em infectologia, nova sala de medicação e fluidoterapia. O equipamento também realiza consultas, curativos, dispensação de medicamentos e a gestão da demanda para o Hospital Veterinário Universitário Municipal São Lázaro, que funciona em parceria com a USCS (Universidade Municipal de São Caetano do Sul).
Para acessar a Casa Caramelo é preciso ter o RG Animal com registro em São Caetano. Esse documento pode ser solicitado através do Whatsapp 4223-5452. Na cidade 20.139 cães e 11.464 gatos já estão cadastrados.
O agendamento de consultas e procedimentos deve ser feito presencialmente na unidade, isso porque na antiga UBASA o absenteísmo chegava a 41%. “Agregamos diferenciais como o serviço de castração diário, em unidade móvel adaptada estacionada no Bosque do Povo; a Sala de Infectologia, que amplia o combate a doenças transmissíveis, como a cinomose e a esporotricose; e a nova sala de medicação e fluidoterapia, em área exclusiva com menos movimentação de pessoas, evitando o estresse dos animais e melhorando o fluxo de atendimento. Tudo isso para prestarmos serviços cada vez melhores à população”, contabilizou o chefe do Executivo. A Casa Caramelo funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.
Modelo público
Além de São Caetano, Santo André e São Bernardo já contam com hospitais veterinários. Uma demanda de cuidadores e ONGs. Para a médica veterinária, doutora em Ciências pela FMVZ-USP e professora da Universidade Metodista, Fernanda Nieri, esse atendimento público pode ser considerado um divisor de águas na saúde animal.
“Ainda temos deficiências que precisam ser sanadas, por exemplo, falta de material, poucos funcionários, limitação de atendimento e abrangência da assistência. Não dá para afirmar se a verba é insuficiente ou se a gestão dos hospitais não é a mais adequada. Contudo, sem dúvida nenhuma, a criação dos hospitais públicos veterinários, foi importantíssima para ampliação de atendimento e inclusão, gerando impacto também na saúde humana. Uma vez que, não podemos dissociar a saúde ambiental e animal da saúde humana”, diz a professora da Metodista.
Fernanda considera que, como a saúde animal oferecida pelo poder público ainda é algo novo, ela precisa de regulamentação, para que seja facilitado o acesso de pessoas hipossuficientes ao serviço. “Se formos aplicar os mesmos princípios do SUS (universalidade, equidade e integralidade), não podemos excluir nenhum cidadão desse sistema. Portanto, assim como acontece no SUS, o atendimento público para animais de pessoas em situação de rua, por exemplo, deve ser oferecido com menos burocracia para que as pessoas possam utilizar o serviço. Por outro lado, o serviço público veterinário é ainda muito recente e uma iniciativa em nível municipal. Precisamos de leis, regulamentação e diretrizes, nas três esferas de poder, para ordenar e categorizar a assistência”, observa.
Faltam campanhas
A veterinária diz que campanhas de conscientização sobre guarda responsável e sobre as penalidades para maus tratos são poucas e a punição para quem infringir também precisa de maior rigidez. “Apesar do avanço através da Lei Sansão, a legislação para maus tratos é muito branda. Animais de companhia são submetidos a toda sorte de atrocidades com a certeza de que a punição máxima pode ser convertida em distribuição de cestas básicas. Só através de educação e informação que podemos mudar as atitudes cruéis dos humanos em relação aos animais. Já avançamos bastante com o conhecimento sobre controle populacional de animais errantes, por meio de campanhas de castração e contra o abandono. Mas, as campanhas educativas são tímidas ainda, sob meu ponto de vista”, completa.
A atuação do poder público na saúde animal, na opinião de Jefferson Vilella de Oliveira, médico veterinário, mestre em cirurgia interdisciplinar pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e que tem 25 anos de atuação na área, deveria ser revista. Para ele as pessoas mais pobres ainda não são prioridade neste atendimento do setor público.
Acesso
“A causa animal é uma questão de saúde pública, a prefeitura fazer um hospital é bom, o problema é que isso não chega à população carente. Basta olhar no estacionamento dos hospitais veterinários que só vai ter carro de luxo. A população carente não acessa por dificuldade logística ou por falta de conhecimento. O que a gente vê é que a causa animal é usada pelos governos não porque estão preocupados com os pobres, mas porque querem o voto. Hoje tem tanto hospital público, mas a população de animais de rua continua aumentando, enquanto isso o rico usa o hospital veterinário público para não gastar”, critica Oliveira que tem clínica em Rio Grande da Serra.
Segundo o veterinário em vez de gastar com a construção de hospitais e clínicas e contratar pessoal, as prefeituras poderiam usar os serviços das clínicas particulares. “Poderia distribuir esse investimento para as clínicas atenderem a população mais carente, como um plano de saúde, assim movimenta também o comércio local, porque hoje tem muita clínica fechando. Eu não sou contra os hospitais públicos, mas se gasta muito dinheiro e falta conscientização sobre posse responsável e também faltam mais castrações”, completa.
Veículo: Online -> Site -> Site Repórter Diário - Santo André/SP
Seção: São Caetano