Publicado em 22/01/2026 - 18:15 / Clipado em 22/01/2026 - 18:15
ABC perdeu 3,1 mil árvores em pouco mais de um ano e cidades prometem replantar
George Garcia
O ABC perdeu entre o ano passado e os primeiros dias deste ano 3.120 árvores entre remoções e quedas ocasionadas por temporais ou por má saúde dos exemplares arbóreos. O número de solicitações para a retirada é enorme e há uma boa parcela que é negada pelos municípios porque não se tratam de árvores doentes ou que oferecem risco. Além da limpeza do ar, as árvores oferecem permeabilidade do solo, contribuem para redução das enchentes e também para a redução das temperaturas no verão, pensando nisso as prefeituras da região esperam plantar até o fim deste ano pelo menos 5.150 novas árvores.
Quando justificada, uma remoção pode levar de 30 a 90 dias para ser realizada. Em casos de risco a remoção é imediata. Muitos pedidos estão na fila; do início do ano passado até agora foram 6.237 solicitações e 2.728 foram atendidos. Alguns estão em análise outros não serão atendidos porque o laudo aponta uma árvore saudável e que não oferece riscos.
Quanto às quedas foram 392 do início do ano passado até agora. Na terça-feira (20/01) uma árvore de grande porte caiu sobre a rua Mico Leão Dourado, no bairro Recreio da Borda do Campo, em Santo André. Além de fechar a rua a árvore atingiu a rede elétrica e boa parte do terreno da Escola Municipal de Ensino Fundamental Francisca Helena Furia, que teve parte do muro destruído. Em Diadema uma árvore, que estava na calçada caiu na direção de um imóvel particular na rua São Genaro, no Centro. Até quarta-feira (21/01) ela permanecia caída, com as raízes expostas ocupando a calçada e afetando o muro do imóvel.
São Bernardo foi a cidade do ABC que teve o maior número de solicitações de remoção de árvores; foram 4.440 solicitações para remoção de árvores no ano passado e em 22 dias deste ano recebeu mais 861. Destas solicitações 1.575 foram atendidas ano passado e 70 remoções foram feitas já este ano. A prefeitura reforça que para aprovar a solicitação é avaliada a saúde da árvore, o espaço técnico e os riscos, sempre pensando no meio ambiente e segurança dos munícipes.
Quando a árvore se apresenta saudável fica deferida a poda. O prazo pode variar conforme a demanda solicitada e o estado arbóreo. Em relação a previsão de plantio, há uma estimativa anual de aproximadamente 3 mil árvores, sendo que, até o momento, já foram plantadas 36 árvores.
Diadema
A prefeitura de Diadema informa ter recebido 624 solicitações de remoções de árvores em 2025 e atendeu 331. O paço diademense explica que a remoção é autorizada quando o exemplar está doente, com cupins, troco podre, está seca, apresenta inclinação ou risco de queda, quando está em um talude ou área de risco ou quando pode causar riscos ao patrimônio público ou privado.
O aplicativo Colab é o canal para solicitação para remoção de árvores em Diadema. “Após o registro, o técnico realiza vistoria no local, orienta o munícipe ou proprietário, explica os critérios técnicos e o motivo do deferimento ou indeferimento. O acompanhamento pode ser feito pelo próprio aplicativo ou por meio do contato do departamento, informado ao solicitante”, diz nota da prefeitura. As 293 solicitações indeferidas ocorreram por diferentes fatores, entre eles a árvore em boas condições e ausência de risco. Reclamação de sujeira por queda de folhas ou flores, entupimento de calhas ou motivos estéticos não são considerados para a remoção de uma árvore, segundo esclarece a prefeitura.
Diadema tem atualmente 133 solicitações em andamento. O prazo médio é de 30 a 90 dias, podendo ser reduzido em casos que apresentem risco iminente, os quais recebem atendimento prioritário. Quanto às quedas foram 142 registradas no ano passado em Diadema e foram causadas por temporais, solo encharcado por longos períodos e apodrecimento do tronco. Sobre plantio a prefeitura prevê plantar 150 novas árvores até abril deste ano.
São Caetano
A prefeitura não informou o número de solicitações para remoção de árvores, mas afirmou que só no ano passado 492 foram retiradas. O município informa que não há fila de espera e que os serviços são executados em até 30 dias. Sobre as quedas o Palácio da Cerâmica informa que 15 caíram no ano passado e neste ano mais duas. Os motivos principais são ventos e chuvas. Para recompor as áreas verdes a prefeitura informa que plantou no ano passado 1.264 árvores e prevê mais 2 mil para este ano.
Dentre os motivos que são considerados para a remoção de árvores estão; quando estas são obstáculos incontornáveis para vias públicas ou mesmo em calçadas, quando impedem acesso a garagens ou quando se tornam obstáculos para a visualização da sinalização viária, sem solução de poda. A retirada também é autorizada quando a árvore estiver doente ou seca, ou por risco de queda.
Rio Grande da Serra
O município de Rio Grande da Serra informou a retirada de apenas uma árvore em terreno particular, e não informou sobre áreas públicas. “Quando trata-se de espécie arbórea de grande porte situada em terreno privado, o pedido de supressão deve ser solicitado a esta Secretaria. Ressalta-se que, no ano de 2025, houve apenas um pedido dessa natureza; os demais pedidos encaminhados a esta Secretaria competem ao licenciamento ambiental. As demais podas em área pública são realizadas pela Secretaria de Serviços Urbanos. A única exceção refere-se às autorizações concedidas à ENEL, com validade de 1 (um) ano a partir da data da autorização, e à Defesa Civil em casos de necessidade extrema, visando à segurança da população, do sistema viário e o fornecimento de energia elétrica”, diz nota da prefeitura.
Ribeirão Pires
A Prefeitura de Ribeirão Pires informou que em 2024 foram realizadas 306 podas de árvores, bem como 305 em 2025. Com relação aos cortes de árvores, foram realizados 40 no ano de 2024 e 44 em 2025. Com relação na queda de árvores a Defesa Civil registrou 188 quedas em 2024 e 182 em 2025 e foram motivadas por questões climáticas como ventos e chuvas.
Mauá
A prefeitura de Mauá recebeu só no ano passado 284 solicitações de remoções e neste ano já foram 28. Destas 201 foram atendidas no ano passado e 14 este ano. Só a Defesa Civil ou a Secretaria de Meio Ambiente podem aprovar a retirada se as árvores apresentarem laudo técnico expedido por uma dessas secretarias. Ainda há 97 solicitações aguardando o serviço. Tirando as situações de urgência, o tempo médio de espera é de 90 dias.
Sobre quedas foram 39 registradas no ano passado e neste ano já foram 14. A prefeitura diz que, desde 2021 já plantou 24 mil mudas. A cidade não informou a previsão para novo plantio.
Santo André não respondeu.
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Seção: Cidades