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 Site Repórter Diário - Santo André/SP

Publicado em 04/01/2026 - 07:54 / Clipado em 04/01/2026 - 07:54

Instituições de ensino do ABC inserem IA na formação e capacitam docentes


Jessica Fernandes

 

Com a expansão da inteligência artificial no mercado de trabalho, instituições de ensino do ABC passaram a incorporar o tema na formação do alunado. Além dos estudantes, as faculdades também têm investido na capacitação de professores para o uso ético e pedagógico da tecnologia. As ações incluem a criação de cursos, especializações e a inserção de disciplinas voltadas à IA nas grades de graduação, com o objetivo de preparar a comunidade acadêmica para as novas demandas tecnológicas.

 

FSA

Desde 2024, o Centro Universitário Fundação Santo André incluiu disciplinas sobre inteligência artificial na matriz curricular de todos os cursos. A proposta é capacitar os estudantes para o uso de ferramentas de IA com foco na aplicação prática em estágios e no mercado de trabalho. 

A FSA utiliza assistentes virtuais em serviços como secretaria acadêmica, pesquisa, internacionalização, simulação de entrevistas e projetos de extensão. A IA também é utilizada na área administrativa como suporte à elaboração de memorandos, estudos e licitações.

Além disso, a FSA implantou tutores com IA em disciplinas e promove treinamentos voltados ao uso da tecnologia no desenvolvimento de disciplinas, projetos, questões, blogs, vídeos e imagens.

A instituição também adotou diretrizes institucionais para o uso da IA e criou um grupo de trabalho responsável pelo desenvolvimento contínuo dessa política.

A instituição também oferece cursos de capacitação em IA para alunos, comunidade externa, funcionários e docentes.

 

FEI

A Fundação Educacional Inaciana (FEI) tem ampliado sua oferta acadêmica na área de inteligência artificial, com cursos de graduação, pós-graduação lato sensu e stricto sensu nos campi de São Bernardo e da Liberdade, em São Paulo.

Desde fevereiro de 2024, a instituição oferece a graduação em Ciência de Dados e Inteligência Artificial, que será implantada no campus da capital a partir de 2026. O curso forma profissionais com base em estatística, computação e métodos de IA, voltados à análise de dados, aprendizado de máquina e desenvolvimento de soluções inteligentes para diferentes setores. Em 2025, a graduação registrou crescimento de aproximadamente 50% no número de inscritos no vestibular em relação ao ano anterior, o que indica interesse do mercado.

Para 2026, a FEI prevê o lançamento da Especialização Tech em Inteligência Artificial e Engenharia de Dados, voltada à capacitação de profissionais para projetar, implementar e manter pipelines de dados e sistemas baseados em IA, com foco em aplicações práticas e demandas do mercado. Segundo a instituição, há procura significativa tanto interna quanto externa pela formação.

Na pós-graduação stricto sensu, a inteligência artificial integra as linhas de pesquisa do mestrado e doutorado em engenharia elétrica, com destaque para Inteligência Artificial Aplicada à Automação e Robótica e Processamento de Sinais e Imagens, voltadas ao desenvolvimento de pesquisa científica e tecnológica.

A IA também está presente de forma transversal na graduação. Cursos como ciência da computação, administração e engenharias contam com disciplinas obrigatórias e eletivas que abordam Inteligência Artificial e Ciência de Dados, abertas a estudantes de diferentes áreas.

Além da formação discente, a FEI promove capacitações internas voltadas ao uso ético e responsável da inteligência artificial, com foco no corpo docente. Semestralmente, são realizados encontros com especialistas para discutir temas como princípios éticos, vieses algorítmicos, impactos sociais e acadêmicos e boas práticas para a integração da tecnologia nas atividades de ensino, pesquisa e gestão. A instituição também prevê a criação de uma disciplina específica sobre ética em IA.

 

UFABC

A Universidade Federal do ABC informou em nota ao RD que aguarda a definição, por parte do Ministério da Educação, de um protocolo nacional sobre o uso da inteligência artificial em atividades de ensino. A expectativa é que o documento seja divulgado no início do próximo ano. Após a publicação das diretrizes, a universidade planejará as ações relacionadas à aplicação da IA nas atividades acadêmicas.

 

USCS

A Universidade Municipal de São Caetano do Sul passou a adotar a inteligência artificial no treinamento de docentes, funcionários administrativos e estudantes, além de projetos de extensão. A instituição prevê, a partir do próximo ano, a criação de uma disciplina obrigatória sobre inteligência artificial em todos os cursos, com conteúdo adaptado a cada área.

Nos treinamentos internos, a universidade aborda o uso da IA como ferramenta de apoio ao trabalho profissional, com orientações sobre formulação de comandos, verificação de informações, uso ético da tecnologia e transparência na aplicação dos recursos.

 

UMESP

A Universidade Metodista de São Paulo incluiu disciplinas voltadas à inteligência artificial nos cursos de Análise e Desenvolvimento de Sistemas e Sistemas de Informação. Na área da comunicação, os estudantes têm contato com aplicações práticas da tecnologia por meio de palestras e atividades voltadas ao uso estratégico da IA.

A instituição criou um comitê específico para estudar e definir diretrizes sobre o uso da inteligência artificial no ensino, na pesquisa, na pós-graduação e na gestão universitária. O grupo atua na elaboração de orientações internas e na promoção de capacitações sobre o tema.

 

FMABC

O Centro Universitário FMABC prevê para 2026 o lançamento do curso superior de Tecnologia em Inteligência Artificial com ênfase em Saúde. A graduação terá duração de dois anos, período noturno, e permitirá a participação dos estudantes em projetos reais desenvolvidos no Núcleo de Inteligência Artificial e Computação em Educação (Niace – FMABC) ao longo de todo o curso.

Também está previsto para 2026 o início da Pós-Graduação Lato Sensu em Ciência de Dados e Inteligência Artificial em Saúde, com carga horária de 360 horas e foco na aplicação prática da tecnologia na área médica, voltada a profissionais da saúde, gestão e tecnologia da informação.

Atualmente, a inteligência artificial já integra a grade da instituição por meio de disciplinas eletivas, como “IA na Pesquisa em Saúde”, na pós-graduação stricto sensu, e “Inteligência Artificial em Saúde I e II”, oferecidas no curso de Medicina desde 2024 e disponíveis para todos os cursos de graduação a partir de 2025.

A FMABC também trabalha na criação de uma disciplina de IA para o primeiro ano de medicina, com previsão de ampliação para os demais cursos.

 

Importância da atualização

A adoção da inteligência artificial no ensino superior vai além da implementação de ferramentas tecnológicas e exige mudanças profundas na estrutura e na cultura das instituições. A avaliação é do docente do curso de Medicina e coordenador do Núcleo de IA da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC), Jorge Echeimberg.

Ao RD, Echeimberg explica que a transformação digital nas Instituições de Ensino Superior (IES) passa, necessariamente, pela qualificação de toda a comunidade acadêmica. “É fundamental promover o letramento em IA para docentes, estudantes e funcionários, já que vivemos uma fase de entendimento e ajustes. No âmbito pedagógico, o professor precisa de treinamento contínuo para assumir um novo papel: deixar de ser apenas um transmissor de conteúdo e atuar como mentor, com foco na validação e no refinamento das informações geradas pela máquina”, afirma.

Para o docente, a inteligência artificial deve integrar a grade curricular como disciplina obrigatória em todos os cursos, já que a tecnologia se consolidou como uma exigência do mercado de trabalho. “Se antes, para funções administrativas, exigia-se datilografia e, depois, domínio do Excel, hoje a IA se tornou um requisito mínimo para a empregabilidade. O objetivo é capacitar os estudantes em suas áreas de atuação para resolver problemas de forma rápida, eficiente e segura”, destaca.

Echeimberg reforça ainda que a ausência desse ensino representa um prejuízo direto à formação profissional. “Não ensinar IA significa negar aos estudantes o acesso à ferramenta mais poderosa da atualidade, além de limitar suas possibilidades de inserção e crescimento profissional em um mercado cada vez mais competitivo”, alerta.

Segundo o professor, o domínio da tecnologia pode ser decisivo em processos seletivos. “Se um recém-formado disputar uma vaga sem saber utilizar a IA de forma eficiente, é provável que perca a oportunidade para um candidato que domine essa ferramenta. Por isso, é necessário desenvolver competências essenciais, como engenharia de prompt, pensamento crítico para auditar resultados, letramento de dados para interpretar gráficos e padrões, percepção de vieses e noções de direito digital”, explica.

O docente também comenta a percepção de que alguns profissionais saem da faculdade com formação prática fragilizada devido ao uso excessivo da inteligência artificial. De acordo com Jorge, o fenômeno é conhecido como dependência tecnológica. “Isso ocorre quando o estudante utiliza a IA como uma muleta e deixa de desenvolver o raciocínio próprio, o que pode se tornar um hábito prejudicial”, pontua.

Para evitar essa lacuna, Echeimberg defende a atuação das instituições em três frentes: capacitação periódica dos professores, acesso estruturado a aplicativos de IA e criação de disciplinas de letramento digital desde o início da graduação. “A tecnologia precisa ser integrada ao ensino de forma orientada, crítica e responsável. O aluno deve aprender a usar a IA como ferramenta de apoio, e não como substituta do pensamento”, diz.

 

https://www.reporterdiario.com.br/noticia/3750394/instituicoes-de-ensino-do-abc-inserem-ia-na-formacao-e-capacitam-docentes/

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Seção: São Caetano