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Publicado em 23/12/2025 - 19:26 / Clipado em 23/12/2025 - 19:26

Tarifa Zero restrita a morador vai onerar economia de São Caetano, diz CDL


George Garcia 

Câmara deve receber projeto de lei para alterar o programa Tarifa Zero, restringindo o benefício só para moradores de São Caetano. (Foto: Letícia Teixeira/PMSCS)

 

Nesta terça-feira (23/12) após manifestação do prefeito Tite Campanella (PL) dizendo que mandaria para a Câmara um projeto de lei para restringir a Tarifa Zero apenas a moradores de São Caetano, setores da economia e da política se levantaram contra a iniciativa. A CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) da cidade divulgou nota de repúdio e destacou que a economia da cidade, que depende da mão de obra de pessoas que não necessariamente moram no município, será fortemente afetada.

Para o presidente da CDL Alexandre Damásio, o município não dispõe de toda a força de trabalho e grande parte dos trabalhadores vêm de outras cidades. “Quem está estabelecido perto da estação de trem não terá problema, mas e as empresas que ficam em outras partes da cidade? Quem usa a tarifa zero são trabalhadores como o segurança, o porteiro, a faxineira, quem trabalha o comércio, no telemarketing, ou seja, as empresas terão um custo de reimplementar todo um cronograma de pagamentos de vale transporte, são custos de obrigação acessória, isso será um custo empresarial gigantesco e mostra para quem quer investir, ou para quem já investe na cidade, uma insegurança jurídica”, analisa.

Em justificativa para a intenção de restringir a Tarifa Zero apenas ao moradores, a prefeitura alegou que 50% dos usuários não seriam moradores da cidade o que estaria onerando os cofres municipais. “O custo da Prefeitura de São Caetano para manter o Tarifa Zero é de R$ 3 milhões mensais. Cerca de 50% dos usuários dos ônibus municipais são de outras cidades. A prefeitura espera economizar R$ 15 milhões anuais com a alteração do projeto Tarifa Zero”, diz, em nota, a prefeitura.

Para Damasio, da CDL, setores da economia terão gastos gigantescos para custear o transporte dos trabalhadores. (Foto: Reprodução RDTv)

 

Damasio diz que essa mesma afirmação explica o quanto o município depende da mão de obra de fora. “Se metade não é da cidade isso mostra a nossa dependência da mão de obra externa. Como atrair empresas se a cidade não tem todos os profissionais que precisa? Isso é um protecionismo equivocado. Na minha análise se tenta desconstruir a ação de outra administração para criar sua própria marca”, completa o presidente da CDL referindo-se ao fato da Tarifa Zero ter sido implementada, em 2023, pelo ex-prefeito José Auricchio Júnior (PSD) que rompeu com atual prefeito Tite Campanella (PL).

Na Câmara, mesmo em recesso parlamentar, já há movimentação da oposição. A vereadora Bruna Biondi (PSol) também considera que a decisão é política e não técnica e que o Ministério Público pode ser acionado para impedir que a matéria seja votada enquanto a assessoria técnica da Casa não a avalie. “Fiquei bastante indignada e surpresa com a intenção do governo de tirar a universalidade da Tarifa Zero. O prefeito esperou o dia 23 de dezembro, ao apagar das luzes deste ano, para fazer esse ataque a um direito social. Desde o início do ano temos notado a intenção da prefeitura em prejudicar a Tarifa Zero, mudando linhas para poupar dinheiro. Essa situação nós já levamos ao Ministério Público. Estão criando essa narrativa, essa lógica do sucateamento e pregando que o corte no programa seria a única solução, o que não é verdade. Estudo da própria Vipe (Viação Padre Eustáquio) mostram o contrário”, sustenta a vereadora.

Contra: Bruna Biondi teme que a iniciativa resulte em um desmonte completo do programa. (foto reprodução RDTV)

 

Bruna reproduziu pesquisa de origem e destino, de outubro de 2024, ou seja, com quase um ano de validade da Tarifa Zero, que mostra que 66,9% dos usuários são moradores da cidade e 23,7% moram foram, mas trabalham ou estudam na cidade e que, mesmo estando fora da Tarifa Zero, continuariam a usar seja com o Vale Transporte, seja com o passe estudantil. “Essa pesquisa mostra que tirar o benefício para quem não mora na cidade não adiantaria nada. Nas audiências públicas aqui na Câmara os técnicos também falaram isso. Eu vejo, portanto que isso faz parte de uma política higienista que vai prejudicar comerciantes e empresários da cidade tornando-a menos atrativa para investimentos. Imagino que essa decisão que é mais política do que técnica, pode significar o desmonte da Tarifa Zero como um todo”, completa a parlamentar.

Na outra ponta, o vereador Edison Parra (Podemos) diz ser favorável à restrição, deixando a gratuidade no transporte só para moradores. “Sou a favor do Programa Tarifa Zero, mas é preciso lembrar que ele foi criado no fim do 15° ano da gestão Auricchio e foi acompanhada por vários outros programas sociais criados nos meses derradeiros do seu último mandato e por uma gastança gigantesca em obras milionárias e desnecessárias. Houve claramente uma motivação eleitoral, cujo um dos objetivos era deixar o próximo prefeito em situação vulnerável, com as finanças comprometidas e com gastos elevadíssimos, sem cobertura orçamentária”, diz o parlamentar que é relator da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investiga as contas da gestão Auricchio.

A favor: Parra diz que o programa deve continuar, mas só para moradores da cidade. (Foto: Reprodução/RDTv)

 

O vereador diz que os empresários terão que arcar com o custo do vale transporte e a administração também deve melhorar o serviço. “Diante desse quadro, acho que a decisão anunciada pelo prefeito Tite de garantir a gratuidade para os moradores da cidade e voltar a cobrança de quem não mora em São Caetano é correta. O Tarifa Zero deve ser mantido para nossa população e melhorado, aumentando a qualidade do serviço, com ônibus novos, melhorias nos trajetos, entre outras coisas. Para quem trabalha em São Caetano e mora em outras cidades, é necessário que os empregadores voltem a pagar o vale-transporte. O programa está necessitando de mudanças, isso é claro, mas não dá para continuar da maneira que está, com os munícipes pagando caros impostos e utilizando de um serviço com baixa qualidade, com coletivos superlotados”, completa.

O RD também procurou o presidente da Aciscs (Associação Comercial e Industrial de São Caetano do Sul), Sérgio Tannuri, e o presidente do Ciesp, Mauro Peres, e ambos alegaram que estavam fora da cidade e que não poderiam comentar o assunto.

 

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Seção: São Caetano