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Publicado em 23/12/2025 - 18:20 / Clipado em 23/12/2025 - 18:20

USCS revela reação tardia à crise do metanol que contaminou ao menos 37 no ABC


Ana Carolina Reis 

 

A crise do metanol marcou o ano de 2025, desde a falta de preparo governamental para enfrentar a crise, até o uso das redes sociais que intensificou o seu impacto. O ABC não ficou ileso e relatou mais de 200 suspeitas, 37 confirmados e dois óbitos. Estudo da USCS (Universidade Municipal de São Caetano do Sul) aponta atuação tardia da fiscalização.

A nota técnica da Carta de Conjuntura da Universidade Municipal de São Caetano (USCS) “Da omissão à improvisação: o que a crise do Metanol revela sobre a incapacidade sistêmica na prevenção e gerenciamento de crises do estado brasileiro”, escrita pelos economistas Gloria Patrícia Ramirez Galvis e Luis Carlos Burbano Zambrano, traz uma análise detalhada sobre a falta de preparo do Brasil em uma situação como a crise do metanol. 

Segundo a nota, em setembro deste ano, fase na qual a crise estava em seu ápice, foi marcada por uma resposta tardia do governo. “Embora o Ministério da Saúde tenha adotado uma medida adequada ao criar uma sala de situação nacional, essa iniciativa mostrou se parcial, pois não integrou outras dimensões críticas da crise, como segurança pública, regulação fiscal e controle de insumos industriais”, afirma.

A nota reforça que a estratégia de comunicação adotada, apesar de efetiva, não foi planejada e, devido a isso, as redes sociais ampliaram, intensificaram e agravaram o impacto da crise. Os dados fornecidos pelo Google Trends confirmam as afirmações dos economistas. Entre os dias 24 e 25 de outubro, termos como ‘metanol’, ‘mortes por metanol’ e ‘intoxicação por metanol’ dominaram as buscas e chegaram a 100 no índice de interesse, que é o valor máximo.

Os economistas comentam que existem quatro tipos de erro, negar, não prever, reagir mal e perder o controle, esses erros refletem a baixa capacidade do governo e das instituições públicas brasileiras. “A crise do metanol confirma essa avaliação: sem sistemas de prevenção, antecipação e coordenação, as organizações públicas continuam a repetir, em escala setorial, os mesmos erros que paralisam a governança global diante dos grandes riscos da modernidade”, relatam na nota técnica.

De acordo com a nota, o correto a ser feito seria uma pesquisa detalhada que analisaria o ocorrido e remediaria possíveis crises. “A combinação desses enfoques aponta para o núcleo do problema brasileiro: a necessidade de construir capacidade de governo para pensar sistemicamente, agir preventivamente e aprender institucionalmente antes da próxima crise”, sugerem Gloria e Zambrano.

ABC tem mais de 200 suspeitas

Na região, a cidade que registrou mais casos foi São Bernardo, com 147 suspeitas e 12 casos confirmados. O município foi o único que teve casos de óbito, sendo de uma mulher de 30 anos e um homem de 62 anos. Ao todo, quatro estabelecimentos foram interditados.

Santo André teve 33 casos suspeitos, mas somente dois foram confirmados. A cidade não interditou nenhum estabelecimento, porém em torno de 1.800 garrafas foram apreendidas e aguardam análise do Instituto de Criminalística.

Já São Caetano, teve quatro casos confirmados, todos residentes de outras cidades. Diadema registrou 18 casos suspeitos de intoxicação, com o último registro feito em 5 de novembro.

Mauá teve um caso confirmado de um homem de 47 anos que teria consumido licor em dois locais do município, nos dias 21 e 22 de novembro. A vítima foi encaminhada ao Hospital Nardini onde fizeram exames de sangue e confirmaram a intoxicação por metanol.

 

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Seção: Cidades