Publicado em 22/12/2025 - 18:22 / Clipado em 22/12/2025 - 18:22
Metade dos pesquisados em estudo da USCS sofreu falta de alimentos no ABC
Guilherme Santos
Estudo publicado pela USCS (Universidade Municipal de São Caetano do Sul) aponta que, apesar do país ser um dos maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo, ainda enfrenta índices preocupantes de fome e insegurança alimentar. Assinada pelo professor Rogério Lopes, mestre em Administração com Ênfase em Gestão de Negócios, e pela estudante de Publicidade e Propaganda, Ana Julia Azambuja dos Santos, a nota técnica faz parte da 33ª Carta de Conjuntura da USCS e mostra que mais da metade da população brasileira enfrenta algum grau de insegurança alimentar, realidade que se reflete em regiões urbanizadas e economicamente desenvolvidas, como o ABC, onde 52% de um grupo de 25 entrevistados da região já enfrentaram falta de alimentos.
Apontadas pelo estudo como uma solução para a insegurança alimentar as iniciativas de hortas comunitárias vêm ganhando destaque no ABC como alternativa de produção sustentável e geração de renda. Organizadas por associações e famílias agricultoras, essas hortas ocupam áreas antes ociosas e produzem alimentos e temperos destinados ao consumo local. Além de ampliar o acesso a alimentos frescos e de baixo custo, o modelo fortalece a segurança alimentar, cria oportunidades de trabalho e promove inclusão social.
A nota técnica afirma que programas públicos como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Pronaf ( Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) também desempenham papel fundamental no combate à fome e no incentivo à agricultura familiar, mas ainda enfrentam desafios relacionados a orçamento, logística e acesso ao crédito. Estudos na região indicam que preços elevados, transporte não eficiente e falta de informação dificultam o pleno acesso da população aos alimentos.
Em estudo prático sobre o tema, os autores realizaram entrevistas com 25 pessoas do ABC (moradores de Santo André, São Bernardo e São Caetano), com perfil predominante entre 26 e 60 anos (68%) e renda familiar de até 3 salários-mínimos (76%)
A pesquisa apresenta os resultados das entrevistas. Quanto ao consumo de refeições diárias e falta de alimentos, se observa que 72% consomem três refeições diárias, mas 52% já enfrentam falta de alimentos. Quanto aos preços 92% notam aumento moderado ou significativo.
“No contexto do ABC, essas desigualdades se manifestam de maneira particular, com uma população urbana significativa enfrentando desafios de acesso a alimentos frescos e nutritivos. No entanto, a experiência das hortas comunitárias sob torres de energia, a atuação da agricultura familiar urbana e a integração com programas como PNAE, PAA e Pronaf demonstram que soluções regionais adaptadas ao contexto local podem gerar impactos concretos. Tais iniciativas fortalecem a segurança alimentar, promovem inclusão social, incentivam práticas sustentáveis e aproximam produtores e consumidores, mesmo em áreas densamente urbanizadas”, afirmam os autores da nota técnica.
Citando estudo do IBGE de 2023, a nota técnica aponta que o ABC reflete uma realidade nacional. A desigualdade social não é um problema exclusivo do ABC mas sim do Brasil, onde 32,4% da população vive em situação de pobreza e a extrema pobreza é significativamente impactada sem programas sociais. “E para combater os problemas urbanos o estado de São Paulo registrou um aumento significativo no número de contratos e no valor investido pelo Pronaf, com 13.127 contratos e R$ 893,6 milhões investidos, representando um crescimento de 12,64% contratos e 16,15% aa safra 2023/2024 em relação a safra de 2022/2023″, diz o estudo.
Rogério Lopes e Ana Julia Azambuja dos Santos concluem dizendo que o país tem potencial para ser referência no combate à insegurança alimentar. “O Brasil, aliado a exemplos concretos como os observados no ABC , possui potencial para se tornar referência global em produção alimentar sustentável. O sucesso depende, contudo, do compromisso contínuo do poder público, da sociedade civil e dos próprios agricultores em implementar políticas integradas e inovadoras, capazes de transformar a segurança alimentar em realidade para todos.”
Veículo: Online -> Site -> Site Repórter Diário - Santo André/SP
Seção: São Caetano