Publicado em 19/12/2025 - 08:08 / Clipado em 19/12/2025 - 08:08
Inadimplência no ABC cresce 11,07% em novembro, aponta SPC Brasil
Carlos Carvalho
A CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) de São Caetano do Sul divulgou um novo levantamento sobre os índices de inadimplência no ABC, a partir de dados do SPC Brasil. Em novembro, o número de inadimplentes da região cresceu 11,07% no comparativo com o mesmo mês do ano passado. Na comparação com outubro a alta foi de 4,93%. Ao RDtv desta quinta-feira (18/12), o presidente da CDL Alexandre Damasio relatou que o cenário de dívida sobre dívida tem gerado um alto índice de reincidência e o consequente aumento do problema.
A média da dívida na região é de R$ 5.509,05. Entre as faixas de valores, 28,83% devem até R$ 500 e outros 40,52% devem até R$ 1 mil. O tempo médio de atraso é de 27,9 meses, sendo que 34,33% dos inadimplentes contam com dívidas que duram entre um e três anos. A principal faixa de idade entre os devedores está entre 50 e 64 anos, representando 24,42% do total.
“O problema que nós estamos tendo aqui, bastante interessante, em novembro, olhando para o ano passado e olhando para esse último trimestre, é a rolagem de dívida. É a dívida sobre dívida que tem gerado alto índice de reincidência e também a problemática da inadimplência. Então, juros altos, facilidade de crédito e uma região ainda que perturba a riqueza, tem espelhado de forma muito negativa essa inadimplência. Isso é muito perigoso para a gente e para os nossos negócios.”, explica Damasio.
Sobre a faixa etária entre 50 e 64 anos, o especialista considera que é um grupo de pessoas que acabam cuidando tanto de pessoas mais novas quanto mais experientes, e sem um salário alto acabam se endividando mais e não conseguem ter um planejamento para este pagamento.
Diadema
Diadema apresentou um aumento de 10,31% no número de inadimplentes em novembro, alcançando uma dívida média de R$ 5.084,04. Damasio considera que a cidade conta com uma alta inadimplência na faixa etária que está comprando a primeira casa ou o primeiro carro.
“Se você for ver o Caged, ele vai te indicar a quantidade de empregos sendo criados entre dois e três salários-mínimos. Significa dizer o seguinte, o salário criado no mercado de Diadema não paga inadimplência média, o que gera, na verdade, uma falsa sensação de poder aquisitivo e aí você tem um empobrecimento de setores da cidade.”, explica.
Mauá
Mauá apresentou uma alta de 9,76% na inadimplência em comparação a novembro do ano passado. Para o presidente da CDL, o município conta com um cenário parecido com Diadema, um aumento de emprego em setores que contam com salários mais baixos do que a indústria. Além disso, “quem devia passou a dever ainda mais.”.
“Imaginemos o seguinte, eu vou dar aqui um dado prático. Ordinariamente eu sou abordado com o Mercado Livre, Mercado Pago, oferecendo crédito. Essa é uma modalidade nova de crédito para inadimplência, sem nenhum controle dos bancos de dados. Você vai encontrar isso de outras formas. Mauá, assim como Diadema, tem bons índices de nascimento de emprego. Só que os dois têm características de desindustrialização bastante fortes.”, diz.
Ribeirão Pires
O número de inadimplentes na Estância Turística aumentou em 10,44%. Damasio considera que a aposta da cidade no setor turístico não foi acompanhada de uma gestão financeira, principalmente para a população que busca empreender.
“Você não pode imaginar grandes criações da indústria, de emprego você tem ainda uma permanência de vocação que antes estava um pouco mais estanque, mas ele faz com que qualquer empreendedor, pessoa física que queira empreender, tenha que colocar um capital social, um capital inicial no negócio que impacta a sua vida financeira da pessoa física. Essa é a leitura mais interessante em Ribeirão Pires.”, aponta.
Rio Grande da Serra
Rio Grande da Serra teve um aumento de inadimplência acima da média regional, um crescimento de 12,57%. Neste caso, o principal é a dívida que aparece em decorrência com os gastos o dia a dia.
“O maior empregador da cidade, em termos gerais, tem uma empresa grande lá, mas é a própria prefeitura. Ela que emprega e ela que contrata. E ela não consegue fazer isso de forma assertiva para dentro da cidade. A cidade não tem capacidade de gerenciar. A sua demanda de serviço público, de oferta pública, trabalha-se muito pouco. Falta de gestão disso, a compra, a aquisição de compras dentro da própria cidade e há um empobrecimento.”, inicia.
“O ganho, a partir disso, era uma cidade que sempre foi pobre, mas tratou a vocação. Tem um aspecto político que é bastante difícil de você gerar riqueza privada e, apesar da tentativa de estância turística e de seguir os passos de Ribeirão, ela tem diversas condições que fazem com que a população se endivide simplesmente para viver.”, completa.
Santo André
O número de inadimplentes em Santo André cresceu 11,96% em um ano. Chegando a uma média de dívida de R$ 5.930,77. Apesar da alta empregabilidade no município, Damasio aponta um problema em relação a busca por crédito, principalmente para a faixa etária entre 30 e 39 anos. Com um endividamento alto e o pagamento dos juros, esse grupo acaba aumentando ainda mais o valor devido.
“Então, esse modelo impacta a aquisição de qualidade, aquisição, por exemplo, imobiliária, os novos bairros que estão passando, condomínio, contas continuadas não só de luz e água, nem de cartão, nem rotativo, mas também de escola, faculdade, lazer. Mas quando essa população quer renegociar sua dívida e faz de forma equivocada, pega novo crédito com um prazo muito mais extenso, o que faz com que ele tenha juros sobre juros, e quando a inadimplência acontece, ele está muito tomado.”, explica.
São Bernardo
O levantamento aponta que São Bernardo apresentou uma alta de 11,95% no número de inadimplentes entre novembro do ano passado e novembro deste ano. Com um valor médio de R$ 5.487,79. A queda da indústria e o aumento de emprego na área de logística mudou o cenário da cidade em relação ao salário dos empregos gerados.
“Significa dizer o seguinte, hoje o são-bernardense teve o seu tempo de glória, conseguiu ganhar dinheiro, e volta o crédito que ele tem ainda dos ganhos passados, e começa a perder o fôlego para pagar a conta corrente do dia a dia. A faixa etária e o modelo de aquisição em São Bernardo do Campo é bastante atípico, no sentido de que é um consumidor que consome na própria cidade, ele é bancarizado, ele pega novo crédito, ele tem capacidade de geração e de renda em uma cidade que hoje é o maior orçamento. No entanto, esse consumidor e esse empreendedor, vamos falar dessas duas entidades que se confundem, não tem mais capacidade de arrolar a dívida. Você não consegue mais.”, diz Damasio.
São Caetano
São Caetano teve um aumento de inadimplentes abaixo da média regional, chegando aos 8,09%. Para Alexandre Damasio, a cidade vive um cenário de “tempestade perfeita macroeconômica”. O especialista aponta que a mudança do perfil econômico e a uma população pequena, o consumo passou a ser muito importante, algo que não foi projetado para o cenário que se apresenta.
“Então, você vai encontrar dificuldades bastante grandes com a qualidade de serviços públicos que hoje suprem essa população. Essa população gasta dinheiro de forma desavisada, porque tem uma série de benefícios sociais que são trocados por necessidade de varejo, saúde, transporte, localização e o território é muito menor. Você consegue fazer transação quase toda a pé na cidade ou com ônibus que não pagam.”, iniciou.
“Em compensação, você tem o mesmo perfil de uma parcela de 50, 60 anos superendividada, que hoje arrola dívida e ainda assim está nesse misto social em cuidar daquele que é um aposentado, que é uma fase bastante grande em São Caetano, da população de São Caetano, e do mais novo. Os empregos sendo gerados tem essa característica. Muitos empregos gerados com o volume, com o valor do salário muito baixo.”, concluiu.
Confira abaixo o relatório completo sobre a inadimplência no ABC:
Veículo: Online -> Site -> Site Repórter Diário - Santo André/SP
Seção: São Caetano