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 Site Repórter Diário - Santo André/SP

Publicado em 17/12/2025 - 21:20 / Clipado em 17/12/2025 - 21:20

Auricchio quer que Tite explique por que mudou o discurso sobre a dívida de SCS


George Garcia

 

Tramita na 1ª Vara Criminal do Fórum de São Caetano um processo movido pelo ex-prefeito de São Caetano, José Auricchio Júnior (PSD), contra o prefeito Tite Campanella (PL) em que o ex-chefe do Executivo questiona a mudança do sucessor em relação à dívida. O processo foi protocolado uma semana antes da reunião da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Dívida, prevista para esta sexta-feira (19/12) e para a qual foram convidados Auricchio e a secretária da Fazenda da gestão anterior, Stefânia Wludarski.

Desde que assumiu a prefeitura este ano, Tite passou a divulgar o grande endividamento do município que chegaria a R$ 1,15 bilhão, montante que teria crescido ao final da gestão Auricchio e que essas dívidas teriam sido contraídas de propósito. Auricchio, por sua fez sempre negou o tamanho do endividamento. Recentemente Tite teria, segundo o processo, divulgado valores muito menores, o que, segundo Auricchio é uma contradição. “Ao final do exercício de 2025, o mesmo prefeito passou a divulgar que o município encerrou o ano com superávit orçamentário de R$ 74 milhões, revertendo um déficit de R$ 21,8 milhões registrado em 2024, e que o passivo real seria de apenas R$ 22 milhões. Essa mudança radical de discurso, sem qualquer explicação técnica ou apresentação de relatório detalhado que justifique a diferença entre os valores inicialmente divulgados e os efetivamente apurados, revela grave inconsistência e falta de transparência na condução da gestão fiscal municipal”, sustenta o ex-prefeito no pedido de esclarecimentos.

De acordo com o processo, as declarações públicas de Tite poderiam sugerir, em tese, que Auricchio teria cometido condutas tipificadas como crimes contra as finanças públicas, por isso o ex-prefeito quer explicações. Tite, por sua vez, não é obrigado a responder, mas se o fizer tem prazo de 15 dias. Uma das estratégias da defesa de Auricchio pode ser a de usar esse processo para instruir outro por calúnia ou dano moral.

Tite foi procurado através de sua assessoria para comentar o assunto, mas não respondeu até o fechamento desta matéria. Auricchio também não comentou. O ex-prefeito tem negado problemas com as contas durante seu mandato. Em entrevista exclusiva ao RD em agosto, ele falou sobre o assunto e sobre a instalação da CPI na Câmara para apurar o crescimento da dívida entre 2023 e 2024, os dois últimos anos da sua gestão.

O pedido sobre a CPI da Dívida Pública aponta que houve um aumento da dívida consolidada na cidade, que passou de R$ 429 milhões no final de 2023 para R$ 824,9 milhões para o final de 2024. Somando os restos a pagar, Tite chegou à conta de mais de R$ 1 bilhão. “Só de precatórios alimentares nós aumentamos R$ 200 milhões. Isso são demandas que vêm lá de 20, 30 anos atrás, discussões judiciais, que a prefeitura chega na sua última instância na Justiça e tem que pagar. De não alimentares, que são demandas de empresas contra a prefeitura, contratos executados, também discussões de duas, três décadas, nós tivemos um aumento de R$ 236 milhões. Só aqui nós temos R$ 400 milhões, que é um problema que todas as grandes cidades estão enfrentando”, justifica Auricchio.

Em relação aos restos a pagar, Auricchio afirma que deixou inscrito R$ 156 milhões e que tal número foi confirmado pela atual gestão da Secretaria da Fazenda, em audiência pública. “Então não sou eu que estou falando desse número, assinado por ele em balanço junto com o prefeito atual.  Esse valor de Restos a Pagar está sobre um orçamento de R$ 2,6 bilhões que a cidade de São Caetano tem. Só quero fazer um comparativo; eu recebi (a cidade) em 2017 com mais de R$ 200 milhões de Restos a Pagar, com um orçamento à época de R$ 900 milhões. A proporção era outra”, destacou.

 

CPI

Sobre a CPI, que chega aos seus últimos encaminhamentos e deve ter seu relatório final em meados de fevereiro, segundo as previsões, a expectativa é pela presença de Auricchio e Stefânia, nesta sexta-feira (19/12) . Como os dois não são obrigados a comparecer e Stefânia já foi convidada outras duas vezes e não foi, fica uma incógnita. Porém o relator da comissão, vereador Edison Parra (Podemos) diz estar preparado e com diversas questões prontas para ambos depoentes. “Seria bom para a CPI se os dois comparecessem. Estamos preparando várias perguntas para ambos, vamos ter conteúdo para tirar deles”, disse o parlamentar através de sua assessoria.

Veja a íntegra do processo:

 

https://www.reporterdiario.com.br/noticia/3751712/auricchio-quer-que-tite-explique-porque-mudou-o-discurso-sobre-a-divida-de-scs/

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Seção: São Caetano