Publicado em 17/12/2025 - 08:06 / Clipado em 17/12/2025 - 08:06
Novos casos de sarampo surgem no momento em que a vacinação recua no ABC
George Garcia
Dois casos confirmados de sarampo foram identificados no Estado de São Paulo, neste ano, os dois são casos importados, ou seja, os pacientes não estavam vacinados e se contaminaram fora do país. A situação desencadeou o status de alerta do governo paulista para que os municípios intensifiquem as campanhas de vacinação contra a doença que é altamente transmissível é grave e pode matar. No ABC, neste ano, o número de vacinas aplicadas caiu 12,2% em relação ao ano passado.
Segundo o CVE (Centro de Vigilância Epidemiológica) do Estado, foram vacinadas no ano passado, na região, 102.987 pessoas contra o sarampo, e a menos de 15 dias para terminar, 2025 aplicou 90.428 doses. Em todo o Estado também houve queda, mas em percentual menor; 5%.
Para o médico infectologista e professor da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), Juvêncio Furtado, é comum que doenças erradicadas, como é o caso do sarampo no Brasil, reapareçam e isso se deve por causa de pessoas não vacinadas. “O vírus está circulando, tivemos vários surtos na Europa e nos Estados Unidos nos últimos dez anos. Quem não tomou vacina pode pegar e é uma doença altamente transmissível, por isso o alerta do governo é importante porque essa geração, praticamente não viu o sarampo, médicos formados há pouco tempo não tiveram esse contato, então serve de alerta para o quem não se vacinou e para as equipes de saúde”, diz.
Furtado não acredita em um surto, até por conta da mobilização para vacinar, mas ele chama a atenção para os movimentos antivacina e também a desinformação. “Muita gente que dissemina a desinformação realmente acredita naquilo, porque há pessoas muito convincentes em rede social, o que é um grande perigo porque essa desinformação mata. A vacina é muito segura e qualquer um pode tomar, menos mulheres grávidas e pessoas imunossuprimidos”, explica o especialista da FMABC.
Marcelo Otsuka, médico e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia, acrescenta que o sarampo foi responsável por muitas mortes antes da vacina por causar imunodepressão e trazer diversos problemas a longo prazo. “O paciente pode ter encefalite mesmo muito tempo depois do sarampo, e isso não tem cura, degenera o sistema nervoso de forma irreversível. Hoje temos a vacina, com uma eficácia muito boa, então se temos vacina para uma doença grave, desejamos que todos sejam vacinados”, destaca.
O infectologista diz que pacientes transplantados que tomam medicamentos imunossupressores não devem tomar, mas se esses pacientes estiveram cercados por pessoas vacinadas a chance de pegarem sarampo é muito pequena. “Se essa pessoa imunossuprimida estiver rodeada de pessoas não vacinadas a chance é grande, por isso a vacina é tão importante; ela nos protege e protege quem a gente quer bem. A nossa cobertura vacinal não é a ideal, por isso são fundamentais os esforços para maximizar essa cobertura”, completa Otsuka.
Ambos especialistas consideram que todos que não tiverem anotação de vacina contra sarampo na caderneta de vacinação devem procurar um posto de saúde. Mesmo aqueles que não têm as cadernetas antigas e não sabem se tomaram ou não, também podem se vacinar.
O calendário vacinal estipula a primeira dose da vacina aos 12 meses de idade com a tríplice viral e a segunda dose aos 15 meses. Pessoas entre 5 e 29 anos que vão iniciar ou completar o esquema vacinal podem tomar as duas doses da tríplice viral com intervalo de 30 dias. Pessoas de 30 a 59 anos devem receber uma dose da tríplice viral caso não haja comprovação de vacinação anterior.
O RD questionou as prefeituras da região sobre as ações para impulsionar a vacinação contra o sarampo. Diadema diz que a vacina está disponível em todas as 20 Unidades Básicas de Saúde (UBS), de segunda a sexta, por livre demanda e nas ações do Vacimóvel. “Diadema tem direcionado grande atenção e de forma continua a favor da vacinação contra o sarampo, usando várias estratégias para alcançar os não vacinados e aumentar a proteção contra as doenças imunopreveníveis, dentre elas, a oferta da vacina tríplice viral – SCR e outras nas feiras aos sábados e domingos com o Vacimóvel, casa a casa, busca ativa por meio das equipes de saúde da família, programa de saúde na escola (PSE), em que é avaliada a situação vacinal das crianças e adolescentes e em campanhas municipais de vacinação para toda a população”, diz nota do paço.
“De acordo com dados do Ministério da Saúde, no ano de 2024, a cobertura vacinal para crianças de até 15 meses vacinadas é de 110,01% para primeira dose do imunizante tríplice viral e 102,47% para segunda dose do tríplice viral. Já em 2025, a cobertura vacinal desse público foi de 102,06% para a primeira dose da tríplice viral e 95,33% da segunda dose da tríplice viral”, completa a administração. As outras prefeituras não responderam.
Veículo: Online -> Site -> Site Repórter Diário - Santo André/SP
Seção: São Caetano