Publicado em 16/12/2025 - 08:05 / Clipado em 16/12/2025 - 08:05
Com alta de 263%, Diadema puxa aumento de registros de veículos abandonados
Henrique Araújo
O número de notificações de veículos abandonados mais que triplicou em Diadema em 2025 e puxou para cima os registros em toda a região do ABC. O município saltou de 565 notificações em 2024 para 2.050 neste ano – alta de aproximadamente 263% – após implantação de ações específicas para identificar e retirar automóveis deixados em vias públicas.
O avanço em Diadema foi determinante para que, no conjunto das cidades analisadas, o ABC registrasse alta de 65,6% nas notificações, que passaram de 2.107 para 3.490 no período.
Em Diadema, a prefeitura afirma que o mutirão tem como foco a melhoria da mobilidade urbana, da segurança viária e das condições sanitárias. Dos 2.050 veículos notificados em 2025, 1.245 já foram retirados das ruas. No ano anterior, haviam sido registradas 565 notificações, com 120 remoções. Todos os casos passam por vistoria técnica e, confirmada a irregularidade, o proprietário é formalmente notificado. Caso não haja regularização dentro do prazo legal, o veículo é encaminhado ao pátio municipal. A multa aplicada é de 500 UFDs (Unidades Fiscais de Diadema), equivalente a R$ 2.680 em 2025. Denúncias podem ser feitas pelo aplicativo Colab ou pelo telefone 118.
Em São Caetano, os números permaneceram praticamente estáveis entre 2024 e 2025. Neste ano, a Operação Remove notificou 410 proprietários; 367 retiraram os veículos de forma voluntária e 36 tiveram os automóveis levados ao pátio municipal. Em 2024, foram 403 notificações, com 49 remoções. A Secretaria de Mobilidade Urbana recebeu 419 registros em 2025, dos quais 234 foram confirmados como abandono após vistoria, alta de 1,74%. A prefeitura destaca que a participação dos moradores, por meio de canais como o Smart Sanca e a Ouvidoria, contribui para agilizar o processo de identificação e retirada.
Já em Santo André, houve queda de 14,94% nas notificações. O município passou de 1.138 veículos notificados em 2024 para 968 em 2025. No ano passado, 201 veículos foram recolhidos ao pátio municipal, enquanto 937 foram retirados das vias pelos próprios proprietários. Em 2025, até o momento, 69 automóveis foram removidos e 899 saíram voluntariamente. Não há aplicação de multa específica para abandono. A caracterização leva em conta sinais como pneus murchos, avarias visíveis e acúmulo de sujeira. Após a retirada, o Semasa realiza a limpeza e a higienização do local.
Em Rio Grande da Serra, a fiscalização foi intensificada em 2025. Depois de apenas uma notificação em 2024, o município contabilizou 62 veículos notificados neste ano, com apenas uma remoção ao depósito, já que a maioria dos proprietários providenciou a retirada após a notificação. Embora não exista infração de trânsito específica para abandono, as remoções ocorrem com base no artigo 279-A do Código de Trânsito Brasileiro e na Lei Municipal nº 2.656/2025, que estabelece critérios como ausência de placas, deterioração da carroceria, impossibilidade de locomoção e desmontagem parcial ou total. A prefeitura também aponta impactos diretos na zeladoria urbana, como mato alto, lixo acumulado e risco de proliferação de roedores e mosquitos transmissores de doenças.
As prefeituras de São Bernardo, Mauá e Ribeirão Pires não responderam até o fechamento da matéria.
Especialista aponta destino final como problema
Para o professor Enrique Staschower, coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo da Fundação Santo André (FSA), a política atual resolve apenas parte do problema. “Retirar o carro da calçada é necessário, mas simplesmente levá-lo para um pátio não resolve. O que era ruim na calçada se torna pior quando concentrado”, afirma.
Segundo o especialista, veículos abandonados concentram óleos, combustíveis, graxas e metais pesados, com alto potencial de contaminação do solo e riscos à saúde pública. Ele alerta que os pátios podem se transformar em verdadeiras bombas ambientais, já que não há controle preciso sobre a quantidade de combustível ainda presente nos veículos, muitas vezes localizados próximos a áreas residenciais.
Staschower defende a adoção de políticas de economia circular e logística reversa, com participação direta das montadoras. Como alternativa, cita centros de desmontagem certificados, voltados ao reaproveitamento de peças e à reciclagem adequada. “Se lâmpadas fluorescentes exigem descarte especial por risco ambiental, o automóvel também deveria receber o mesmo tratamento. Apenas armazenar transfere o problema de lugar”, conclui.
Veículo: Online -> Site -> Site Repórter Diário - Santo André/SP
Seção: São Caetano