Publicado em 14/12/2025 - 08:28 / Clipado em 14/12/2025 - 08:28
Colégio propõe autonomia intelectual desde a infância em São Caetano
Da Redação
A educação voltada ao lifelong learning, central nos debates sobre trabalho, inovação e futuro, começa a ser construída muito antes da vida adulta. Na Escola Villare, em São Caetano, essa formação tem início no ensino fundamental I, onde o trabalho Maker organiza uma cultura de investigação, análise e criação que acompanha as crianças ao longo de toda a trajetória escolar. A proposta parte de um princípio que orienta o século 21: aprender exige curiosidade, método e consciência do próprio processo.
No espaço Maker da escola, os alunos trabalham exclusivamente com materiais não estruturados. Em vez de kits padronizados, encontram sucatas de diferentes formatos, texturas e possibilidades. O ambiente convida à experimentação e obriga as crianças a compararem opções, avaliarem a utilidade de cada peça e tomarem decisões sobre o design de seus projetos.
A coordenadora Talita Garcia explica que essa escolha faz parte de uma intencionalidade formativa. “O uso de matriais não estruturados exige que a criança investigue, teste e refine suas ideias. Ela precisa analisar o que funciona, compreender por que não funcionou e reconstruir o percurso”, afirma.
Esse modo de trabalhar transforma o erro em objeto de aprendizagem. Em vez de ser entendido como falha, passa a orientar perguntas, hipóteses e revisões. A cada tentativa, os alunos observam relações entre forma e função, elaboram estratégias, retomam escolhas e validam ou descartam caminhos. Talita destaca que essas práticas desenvolvem habilidades que acompanham o estudante por toda a vida, como pensamento crítico, comunicação, flexibilidade e resolução de problemas. “O aluno aprende a aprender e a aprimorar seu próprio método”, diz.
Outro eixo estruturante do projeto é a discussão sobre o significado de tecnologia. As crianças são provocadas a pensar o termo em sua dimensão mais ampla. A roda, por exemplo, aparece como uma invenção tão transformadora quanto qualquer artefato digital contemporâneo. Ao compreender que tecnologia é toda solução criada para facilitar a vida humana, os estudantes passam a se reconhecer como produtores, e não apenas consumidores. Talita observa que essa mudança de perspectiva amplia o repertório intelectual das crianças e reforça a autonomia criadora que o Maker busca consolidar.
A prática regular dessas experiências estabelece uma relação estável com o conhecimento. Os alunos percebem que aprender envolve formular perguntas, testar possibilidades, analisar resultados e ajustar percursos. O processo deixa de ser linear e passa a ser investigativo. A escola entende que essas disposições não servem apenas ao cotidiano das aulas, mas estruturam competências fundamentais para a vida adulta: autonomia intelectual, persistência diante de desafios e capacidade de analisar processos de forma crítica.
Veículo: Online -> Site -> Site Repórter Diário - Santo André/SP
Seção: São Caetano