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 Site Repórter Diário - Santo André/SP

Publicado em 14/12/2025 - 08:20 / Clipado em 14/12/2025 - 08:02

Governo garante Piscinão Jaboticabal até o fim do ano, mas não marca data


George Garcia

 

O governo de São Paulo, por meio da SP-Águas, antigo DAEE (Departamento de Água e Energia Elétrica), garantiu que até 31 de dezembro vai inaugurar o Piscinão Jaboticabal. Maior reservatório de águas pluviais do Estado, tem a promessa de acabar com enchentes nas divisas entre São Paulo, São Bernardo e São Caetano. A previsão de entrega tem sido mantida desde 2024, mas a 15 dias para o fim de 2025 a data exata ainda não foi anunciada.

O Jaboticabal é a promessa do Estado de acabar com as enchentes no encontro do Ribeirão dos Couros e o Córrego dos Meninos, que afetam as três cidades. Mas para o coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo da Fundação Santo André, Enrique Staschower, os esforços estão sendo feitos na direção errada. “Os piscinões são tentativa de solucionar um problema antigo de canalização e retificação de rios, que se mostrou ineficiente, além da ocupação de áreas de várzea”, diz.

O Jaboticabal tem capacidade para armazenar 900 milhões de litros de água de chuva, o equivalente a 360 piscinas olímpicas cheias, beneficiará diretamente mais de 500 mil pessoas e teve um custo de R$ 350 milhões. “A obra do Piscinão Jaboticabal, que já ultrapassou 90% de execução, mantém a previsão de entrega até o fim deste ano. Mesmo com a chegada das chuvas previstas para os próximos dias, o cronograma não deve sofrer impactos”, diz nota da Semil (Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística) a qual a SP-Águas está subordinada.

De acordo com a secretaria, mesmo antes da sua inauguração, o Jaboticabal já vai atuar na prevenção de enchentes, visto que a capacidade de armazenamento está ativa e o sistema de bombas instalado, testado e em funcionamento. A operação do piscinão será feita remotamente e a Semil garante que vai manter a manutenção e limpeza de forma periódica.

 

Band-Aid para estancar hemorragia

O professor da FSA, que ministra aulas sobre Meio Ambiente e Saneamento, compara a situação da drenagem urbana na Região Metropolitana, como uma grande hemorragia que se tenta estancar com um ‘Band-Aid’. “As coisas precisam mudar, porque não estamos preparados para chuvas mais fortes”, opina.

Segundo Staschower, a forma como se trataram os rios nas últimas décadas levou ao problema das enchentes e os piscinões, caros e demorados para fazer, são paliativos. O arquiteto defende uma série de outras ações menores, ao longo dos cursos de água, como calhas, jardins de chuva e outras ações que teriam uma eficácia por longo tempo.

Staschower explica que a Região Metropolitana fica numa área de campina, onde os rios correm da serra para dentro, não seguem para o mar. O ABC é recortado por córregos que sempre foram tratados como se pudessem ser domados. Áreas de espraiamento, naturais dos rios, foram ocupadas e ao longo de décadas os rios foram canalizados, retificados e, com isso, esses cursos de água, que eram lentos e preguiçosos, se tornaram rápidos em direção à foz.

“Então, o problema não é a quantidade de água e sim como impedir ela chegar tão rápido. Se confinou os rios e quando chove muito eles saem da sua calha e mostram todo o seu poder. Há soluções baseadas na natureza, mas que foram descobertas após a urbanização das cidades que, agora, tentam fazer remendos”, destaca.

A falta de integração dos municípios em conjunto com o Estado para obras menores e de melhor impacto é outro ponto destacado pelo professor da FSA. “O Córrego dos Meninos não é de ninguém; na divisa entre Santo André e São Bernardo, do lado de Santo André onde a margem é mais alta não alaga, o que já acontece na Vila Vivaldi, no município vizinho. Onde é o Jaboticabal, do lado de São Caetano, levantaram um muro, como se isso fosse evitar que a água volte pelas bocas de lobo. Então os municípios não compreendem as soluções ambientais para o problema e esse seria um bom momento para revisar os planos diretores, mas pelo que já vi das revisões em andamento, o tema praticamente não é abordado”, afirma.

 

Academia e os eventos climáticos

Há esforços de tentativa de entendimento dos municípios e professores especialistas de diferentes áreas de universidades, como a FSA, USCS (Universidade Municipal de São Caetano do Sul) e UFABC (Universidade Federal do ABC), têm feito estudos para ofertar novas alternativas de combate aos efeitos de eventos climáticos mais extremos, como as enchentes, por meio do Consórcio Intermunicipal.

Mas, segundo Staschower, divisões políticas levaram à fragmentação dessas ideias. “Já é o terceiro ano que falo com o RD sobre isso e fico até desmotivado, parece que é só uma discussão acadêmica. Eu queria que isso fosse um debate político; falta visão ambiental. O ciclone que tivemos na última semana, o maior em 60 anos, é efeito do aquecimento global e prova, mais uma vez, que as mudanças climáticas já estão acontecendo”, completa.

 

Cidades

O funcionamento do piscinão Jaboticabal, mesmo antes da sua entrega oficial, deve já trazer efeito na divisa das três cidades, visto que há previsão de chuvas de maior intensidade até a virada do ano. Os municípios também sustentam que prepararam as cidades para o período de maior precipitação.

Rio Grande da Serra informa que realizou limpeza em locais críticos para alagamento e naqueles solicitados pela população. Diz também que, nas obras de pavimentação, reforça os sistemas de drenagem. A cidade não tem piscinões, mas conta com Plano Diretor de Drenagem que prevê intervenções de macro e microdrenagem. O município não informou qual é o investimento realizado especificamente para o combate a enchentes.

Santo André, diz que monitora e que fez limpeza e desobstrução das galerias e bocas de lobo antes do período chuvoso. “Somente em 2025, foram executadas 16.896 limpezas de dispositivos de drenagem. Entre as ações preventivas e corretivas de forma contínua e programada, conforme cronograma anual e vistorias técnica, como limpeza dos dispositivos de drenagem, desassoreamento e capinação dos córregos, rios e ribeirões municipais, limpeza mecânica dos tanques de retenção (piscinões), microrreservatórios (mini piscininhas), reforma/construção de galerias de águas pluviais, construção e reforma de bocas de lobo, ralos, poços de visitas, a fim de contribuir com a vazão e o escoamento adequado das águas pluviais.Tais ações são intensificadas no período que antecede e durante a estação chuvosa, por meio do Plano de Operação Chuvas de Verão”, diz, em nota.

Desde 1º de novembro, Santo André implantou o Plano Operação Chuvas de Verão, plano de contingência, coordenado pela Defesa Civil, e realizado com o apoio de várias secretarias e órgãos estaduais e federais. A iniciativa vai até 15 de abril. “O plano possui o objetivo de reunir, coordenar e otimizar os meios humanos e materiais provenientes dos poderes públicos municipal, estadual e federal, da iniciativa privada e da sociedade civil organizada, para realização de ações de caráter preventivo, de socorro, assistenciais e recuperativos”, informa o Paço.

Diadema informa que, além do trabalho periódico de limpeza de galerias, bocas de lobos e calhas de córregos, monitora áreas de risco para mitigar problemas causados por enchentes, principalmente nas áreas de maior vulnerabilidade social. “Outras ações acontecem dentro de núcleos habitacionais, onde são executadas manutenções de redes de drenagens, em travessas e passagens, e visam facilitar o escoamento das águas chuvas, para evitar novos pontos de enchentes”, diz a Prefeitura que informa nove núcleos atendidos este ano com melhorias.

Diadema informa, ainda, a conclusão de obras de drenagem, como a canalização do Córrego Grota Funda, no bairro Eldorado; muro de contenção, de mais de 700 metros, dentro do Conjunto Habitacional Yamberê, no Jardim Inamar; e muro de arrimo na rua Capela, no mesmo bairro. Também construiu calha nova em mais de 100 metros dentro do Córrego Iguassu, no bairro Eldorado; e, em parceria com a Sabesp, implantou galerias e rede de esgoto na Travessa Nova Esperança, no Núcleo Habitacional Caviúna, na mesma região.

São Bernardo, São Caetano, Ribeirão Pires e Mauá não responderam.

 

https://www.reporterdiario.com.br/noticia/3749488/governo-garante-piscinao-jaboticabal-ate-o-fim-do-ano-mas-nao-marca-data/

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Seção: São Caetano