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 Site Repórter Diário - Santo André/SP

Publicado em 11/12/2025 - 18:25 / Clipado em 11/12/2025 - 18:25

Mais de 24 horas após vendaval ABC ainda tinha 148 mil imóveis sem energia


George Garcia

 

Às 19h29 desta quinta-feira (11/12), mais de um dia após o vendaval, o ABC ainda tinha, segundo a Enel, 148.347 imóveis sem energia. O caos estabelecido em bairros residenciais e comerciais levou muitas pessoas para as ruas e para as redes sociais para reclamar da morosidade para o reestabelecimento do serviço. Prejuízos são difíceis de serem contabilizados e a Enel nada respondeu para os consumidores. O curioso é que no boletim emitido às 14h30 pela Enel, informava que na região eram 137.292 clientes sem luz, portanto, no dia seguinte ao vendaval, em vez do trabalho da concessionária de energia reduzir o número de pessoas no escuro, o volume de imóveis com a energia desligada aumentou.

Em Mauá, por exemplo, que de tarde tinha 19.451 clientes sem energia, à noite tinha mais do que o dobro, chegando a 39.521, o que corresponde a 22,97% das ligações de toda a cidade, o maior percentual do ABC.

Em Diadema o número de clientes afetados com a falta de energia também aumentou ao longo da tarde desta quinta-feira (11/12), passando de 19.209 para 19.519, o que corresponde a 10,76% das ligações ativas na cidade. Em Ribeirão Pires o número de clientes com problemas com a Enel também aumentou ao longo da quinta-feira, que não registrou fenômeno climático como o da véspera. Às 14h30 o boletim mostrava 3.853 imóveis sem luz e cinco horas depois o número subiu para 4.808 (11,10% do total). Em São Caetano volume de clientes no escuro passou de 7.364 para 7.812 (9,05%).

Nas demais cidades o número de imóveis sem luz caiu, mas em volume pequeno. Rio Grande da Serra eram 3.098 imóveis afetados à tarde e, à noite, o número caiu para 2.079, mas ainda representando 13,2% do total de ligações na cidade. Em São Bernardo a tarde começou com 35.461 imóveis afetados e à noite ainda eram 33.703 (9,29% do total). Em Santo André, eram 48.856 imóveis sem luz às 14h30 e à noite ainda o patamar ainda estava em 40.905 (11,37%).

Luiz Diogo Júnior, sócio em duas lojas na avenida Dr. Rudge Ramos, no bairro de mesmo nome, em São Bernardo, passou o dia esperando providências da prefeitura, da Enel e de um banco. O problema é que uma árvore, que está no terreno da instituição financeira próximo à calçada, com o vendaval inclinou,apoiando-se entre a fiação e a fachada de um dos comércios. O resultado foi que desde o meio-dia de quarta-feira (10/12) até a noite desta quinta, um trecho de 250 metros da avenida, nos dois sentidos estava sem energia. Dezenas de comerciantes sequer abriram as portas gerando um grande prejuízo já que o setor espera ansiosamente o mês de dezembro para faturar com as vendas de Natal.

“Só começaram a trabalhar ao meio dia de hoje (quinta-feira) e foram três equipes, a da Enel, uma empresa contratada pelo banco para remover a árvore e técnicos da prefeitura. Disseram para a gente que só vão sair daqui quando a energia estiver religada. Para nós foram dois dias de prejuízos, sem conseguir abrir temos já uma perda de R$ 6 mil, tem outros comerciantes vizinhos que tiveram mais prejuízos, a minha colega da Casa do Norte, que tem produtos perecíveis que dependem de geladeira só não perdeu tudo porque conseguiu energia emprestada do vizinho, mas temos aqui farmácias, dentista, lojas de eletrodomésticos, todo mundo com prejuízos enormes”, comenta o comerciante que diz que o pedido para remover a árvore é muito antigo. “Direto temos prejuízos porque ela encosta na fiação dá curto e queima central de alarme, televisão e outros aparelhos. Agora pelo menos vão tirar, mas a demora é muito grande”, completa.

Moradores do bairro Clube de Campo, em Santo André, reclamam que estão há três dias sem luz. Também em Santo André, o morador da rua São Jerônimo, no Jardim Bela Vista, Miguel Melegaro, disse na noite desta quinta-feira, que já estava havia 27 horas sem energia. “Temos remédios na geladeira que vão estragar. Tentamos contato com todos os canais da Enel e é sempre a mesma gravação adiando a previsão de retorno”, reclamou.

 

Fragilidade

Para o engenheiro elétrico e professor do IMT (Instituto Mauá de Tecnologia), Edval Delbone, há uma série de situações que deixam a rede elétrica da Enel vulnerável, o principal deles é a falta de investimentos, seja em equipamentos mais modernos que segmentam a rede, para que bairros inteiros não sejam afetados ao mesmo tempo, seja em implantação de redes subterrâneas, que poderia evitar interferências do clima.

O processo de enterramento da fiação que é uma realidade em pouquíssimos locais da área de concessão da Enel, e que atendem apenas a bairros mais abastados como o Centro da Capital ou a Avenida Paulista, não avança. “A Grande São Paulo cresceu demais e tem que investir mais no setor elétrico para diminuir esses impactos negativos, mas Enel se mexe muito pouco. Por exemplo, temos muito pouco cabeamento subterrâneo, e se sabe que é muito caro fazer isso, tem que abrir túneis, custa dez vezes mais, mas seria possível estabelecer um avanço mínimo, a cada ano fazer um pouco. O que existe hoje, em cabeamento subterrâneo foi feito na época em que a empresa era pública, antiga Eletropaulo”, recorda.

Para Delbone a concessionária e os municípios tem que trabalhar juntos para cuidar das árvores, verificar as que estão doentes e remover antes que caiam. Já a Enel deve investir em redes mais compactas, com chaves de desligamento em trechos menores. “Ocorre que os cabos que ficam no ponto mais alto dos postes não são isolados, qualquer coisa que bate neles ou se o vento fizer um tocar no outro ocorre um desligamento. Há equipamentos que conseguem detectar se a rede não está mais em curto e religa automaticamente. É nessa automação que tem que investir”, sugere.

O professor também diz que a cada evento climático extremo, a fragilidade Enel quanto às equipes de reparos e manutenção ficam mais evidentes. “Ninguém aguenta ficar dois dias sem luz. A concessionária tem que ser bastante ágil, a culpa por um evento climático não é dela, mesmo assim tem que resolver. Não é porque é uma empresa privada ou pública, tem públicas boas e outras ruins, no privado também. Mas quando o serviço é público é preciso ter uma fiscalização forte para que não se reduzam equipes de manutenção e a qualificação dos funcionários”.

O setor de energia vem crescendo e com isso barateando os custos de alternativas à energia que chega às casas pelo cabeamento de concessionárias, mas sistemas de energia solar e de armazenamento em baterias ainda são caros para a grande maioria das pessoas, mas isso, segundo Delbone, está mudando e pode minimizar os prejuízos com os apagões. Hoje já baterias que garantem uma, duas, até quatro horas de energia, para funcionar uma geladeira, por exemplo, que já são mais acessíveis. Mas casar a energia solar à baterias ainda sai caro, porém os preços estão caindo”, prevê.

 

Prejuízos

O dia seguinte ao vendaval foi de limpeza de ruas, calçadas e retirada de escombros, mas o dia começou ainda com árvores no meio de ruas, postes quebrados e grande parte da população sem energia. As prefeituras ainda trabalham para controlar a situação. Pelo menos 246 árvores caíram no ABC, além de queda de postes e destelhamento de casas e estabelecimentos comerciais.

A prefeitura de Santo André colocou 200 servidores da Defesa Civil e demais secretarias nas ruas para atendimento. Em nota emitida no final da tarde o município apontou 201 ocorrências de queda de árvores ou de galhos sobre a rede elétrica. “Mais de 70% destes chamados já foram atendidos ou encontram-se em atendimento. Uma parte aguarda atendimento por parte da Enel, pois há necessidade de desligamento da rede elétrica. A Defesa Civil registrou um pico na velocidade dos ventos de 62,5 km/h. Do total de 201 ocorrências, 68 são de quedas de árvore, sendo que a maioria já foi removida. A Secretaria de Manutenção e Serviços Urbanos, por meio do Departamento de Manutenção de Áreas Verdes, está com mais de 120 servidores e funcionários terceirizados mobilizados nas ruas para normalizar a situação”, diz a nota.

O paço andreense também fechou todos os 14 parques na quarta-feira e eles permaneceram fechados nesta quinta-feira. Os danos verificados foram todos de ordem material, sem vítimas. A secretaria de Administração e Finanças o plantão do Departamento de Atendimento ao Cidadão focado na recepção de demandas. O trabalho funciona normalmente pelos telefones 156 e 0800 0191944 e ainda pelo aplicativo Colab.

Até o prédio da prefeitura de Santo André foi afetado pelo vendaval com a queda de energia, que foi reestabelecida por gerador. Já 27 escolas, sendo 14 creches, um Cesa (Centro Educacional de Santo André), 10 Emeiefs (Escolas Municipais de Educação Infantil e Ensino Fundamental), um Centro Público de Formação Profissional e a garagem do transporte escolar, ficaram sem energia. Na área da saúde só a Clínica da Família Parque Miami ficou inoperante temporariamente, por interrupção temporária no fornecimento de energia elétrica.

Em Diadema, o município informou 38 quedas de árvores, sem feridos e que praticamente todas já foram removidas. O Parque do Paço abriu nesta quinta-feira (11/12), mas só durante o dia porque ainda faltava energia no local. Os equipamentos de saúde e de educação funcionaram normalmente e não registraram perda de alimentos, vacinas e outros insumos. Já à noite dois semáforos da avenida Dr. Ulisses Guimarães, nos cruzamentos com as ruas Bilac e Vera Cruz ainda estavam apagados.

Em São Bernardo, a prefeitura contabilizou 24 quedas de árvores, três quedas de galhos em vias públicas e três ocorrências de destelhamento de imóveis, todas sem vítimas. O município também enfrentou rajadas de vento de até 89 km/h na. “Cerca de 40% dos semáforos da cidade permanecem desligados devido à falta de energia nesta manhã. A Avenida Doutor Rudge Ramos, nas proximidades do Largo da Igreja São João Batista, segue interditada no sentido bairro por conta de uma árvore com risco iminente de queda, apoiada sobre cabos de energia”, diz o comunicado da prefeitura.

Ribeirão Pires contou 66 árvores que caíram e os trabalhos de remoção devem continuar nesta sexta-feira (12/12). “A Prefeitura de Ribeirão Pires segue atuando na remoção de árvores, ao todo as equipes de Defesa Civil, manutenção da Regional de Ouro Fino e também com apoio da Secretaria de Zeladoria e Manutenção Urbana atenderam 66 ocorrências de quedas de árvores na cidade. As demandas estão sendo atendidas para retirada de troncos, galhos e também a desobstrução de vias. Além disso, as rajadas de vento, que variaram entre 30 e 50 km/h, derrubaram árvores sobre quatro veículos, sem registro de queda sobre residências. Todas as ocorrências envolveram obstrução de vias públicas. Não houve feridos, lesões ou qualquer tipo de acidente com vítimas”, informou a gestão municipal.

Ainda em Ribeirão Pires, o distrito de Ouro Fino teve problemas na rua Egídio Del Couto, rua Sônia, rua Cafelândia e outras vias onde o volume de vento provocou tombamento de árvores de médio porte. “Em todos os casos, as equipes locais realizaram corte, retirada de materiais e liberação das pistas, restabelecendo a passagem de veículos e garantindo a segurança dos moradores. Munícipes podem efetuar solicitações de atendimento pelo telefone da Regional 4827-0216 e a Defesa Civil — 199 ou 4825-1830”, diz o informe.

São Caetano informou que quatro equipamentos de saúde ficaram sem energia nesta quinta-feira, são eles: UBS Dolores Massei (Bairro São José), UBS Darcy Vargas (Bairro Mauá), Centro de Especialidades Odontológicas (Bairro Nova Gerty) e Farmácia de Alto Custo (Centro). “Segundo levantamento técnico da prefeitura, os ventos chegaram a 50 km/h e a cidade registrou 100 mm de chuva em 24 horas. Foram contabilizadas 42 ocorrências de queda ou risco de queda de árvores, além de 35 pontos impactados por falta de energia elétrica, inclusive semáforos, e três situações de queda parcial de telhados. Não houve vítimas”, informou o município.

Em Mauá, a prefeitura informou no início da noite desta quinta-feira que todos os problemas sob sua alçada já estavam solucionados. “Mauá teve a queda de oito árvores e o destelhamento de parte do Ginásio Atílio Damo, sem vítimas, desde a noite de 09/12. A intensidade dos ventos chegou a 37km/h em alguns horários, na quarta-feira (10/12), com Alerta para quedas de árvores, destelhamentos e impactos na rede elétrica. Por este motivo, os três parques do município foram fechados, incluindo a Vila Natalina, no Parque da Juventude. O acumulado pluviométrico das últimas 80 horas é de 41,14mm. A cidade registra normalidade neste momento”, informa.

Rio Grande da Serra não divulgou relatório de estragos.

 

https://www.reporterdiario.com.br/noticia/3748863/mais-de-24-horas-apos-vendaval-abc-ainda-tinha-148-mil-imoveis-sem-energia/

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Seção: São Caetano