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 Site Repórter Diário - Santo André/SP

Publicado em 10/12/2025 - 18:38 / Clipado em 10/12/2025 - 18:38

Mortes no ABC sobem 3,7%; saúde e violência explicam resultados, dizem sociólogas


George Garcia

 

Imunização contra a Covid-19 e Influenza em Ribeirão Pires. Sociólogas apontam que nos últimos anos ações de rejeição à vacinas agravaram saúde da população. (Foto: Divulgação/PMETRP)
O número de mortes no ABC subiu 3,7% em 2024 se comparado com o ano anterior. Os óbitos passaram de 18.114 em 2023 para 18.785 no ano seguinte o que dá 671 pessoas a mais. Os dados fazem parte do estudo “Estatísticas do Registro Civil 2024” elaborado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e divulgado nesta quarta-feira (10/12).

Na análise de gênero dos óbitos, no ABC morreram mais mulheres no ano de 2023 em Ribeirão Pires, em Santo André e em São Caetano. Em 2024 Santo André repete o fenômeno e São Caetano também.

Para a socióloga Dulce Xavier, questões como acesso à saúde, rejeição às vacinas e a violência explicam em boa parte essa alta da mortalidade na região e no Estado. Questões políticas, principalmente colocadas durante a pandemia, na opinião dela também tiveram influência. “Durante a pandemia da covid-19, as ações equivocadas do governo Bolsonaro de negar a ciência e a eficácia de vacinas causaram uma redução importante na adesão da população a vacinas. As pessoas idosas são mais vulneráveis a problemas respiratórios, que podem ter a gravidade reduzida com uso de vacinas. A redução do índice de vacinação é percebido em outros grupos da população, indicando uma mudança no comportamento em relação a prevenção de doenças. Outro fator importante é o uso indiscriminado de agrotóxicos que pode afetar mais as pessoas idosas e as crianças, ampliando as possibilidades de agravamento de doenças preexistentes”, aponta.

 

 

Para a socióloga Márcia Damaceno, ex-coordenadora de Políticas de Promoção da Igualdade Racial de Diadema, também o acesso à saúde e o aumento da violência podem explicar a mortalidade em alta no ABC. “Podemos considerar vários fatores sobre essa questão de mortalidade. Não temos dados reais sobre quais foram as causas das mortes dessas pessoas, mas sabemos que existem a violência urbana, acidentes de carro, falta de políticas públicas de prevenção no trânsito (atropelamentos), problemas na área da saúde e até na dificuldade de obter um atendimento médico adequado, que vai desde o agendamento demorado para consultas e exames até a falta de acesso a medicamentos. Fora o feminicídio contra as mulheres e o assassinato de jovens negros”, completa;

 

https://www.reporterdiario.com.br/noticia/3748302/mortes-no-abc-sobem-37-saude-e-violencia-explicam-resultados-dizem-sociologas/

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Seção: São Caetano