Publicado em 10/12/2025 - 18:36 / Clipado em 10/12/2025 - 18:36
Natalidade cai 6,9% no ABC e queda é maior do que a média nacional revela IBGE
George Garcia
Jennifer e Roberto tiverem o segundo filho no Hospital e Maternidade São Lucas. Foi o primeiro bebê nascido em 2025 na cidade. O município teve a maior queda percentual de nascimentos entre 2023 e 2024 no ABC. (Foto: Fernando Coutinho/PMETRP)
O ABC teve 1.845 nascimentos a menos em 2024 do que no ano anterior. É o que revela o estudo “Estatísticas do Registro Civil 2024” elaborado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e divulgado nesta quarta-feira (10/12). O número representa uma queda de 6,9% no número de crianças que nasceram na região. A queda é maior do que a média nacional que ficou em 6,4%. Nasceram 26.722 bebês em 2023 e 24.877 no ano passado. Para sociólogas ouvidas pelo RD o acesso à saúde, mudanças sociais e maior planejamento familiar contribuíram para a redução da natalidade.
Somente em São Caetano o número de nascimentos foi maior este ano do que no ano passado. Foram 1.374 no ano passado contra 1.360 de 2023, alta de 1%. Nas demais cidades, em todas houve queda. Em São Bernardo foram 7.848 nascimentos em 2023 e 7.352 ano passado, redução de 6,32%. Santo André com 7.372 bebês nascidos em 2023 e 6.964, ficou com queda de 5,53%.
Mauá, a terceira cidade com maior número de nascidos, nos dois anos, segundo o IBGE, teve 4.408 nascimentos registrados em 2023 e 4.106 ano passado, com isso a cidade teve queda percentual de 6,85% nas certidões de nascimento. Diadema, que teve 4.229 pessoas nascidas em 2023, viu cair o número de registros para 3.759 ano passado e acumulou 11,11% de queda.
Em Ribeirão Pires foram registrados 1.018 nascimentos em 2023 e 877 ano passado, a queda percentual foi a maior do ABC com 13,85%. E a cidade com a menor população da região, Rio Grande da Serra, viu cair os registros de novos cidadãos de 487 para 445, 8,62% de redução.
Nos anos de 2023 e 2024, na região nasceram mais homens que mulheres. Foi registrado um total de 13.765 nascimentos de meninos em 2023 contra 12.955 meninas. Neste ano foram 12.795 nascimentos do sexo masculino e 12.081 do sexo masculino. A única cidade da região que, nos dois anos, registrou mais meninas registradas foi Rio Grande da Serra, mas por uma pequena diferença de 10 registros em 2023 e sete no ano passado.
“O planejamento familiar aumentou devido ao acesso às consultas e ao uso de métodos contraceptivos, o que faz com que o número de nascidos diminua. Esse fato se dá devido ao apoio de médicos, sobretudo médicos da família (Projeto Saúde no Território), que dialogam sobre o uso de contraceptivos”, analisa Márcia Damaceno, socióloga e ex-coordenadora de Políticas de Promoção da Igualdade Racial de Diadema.
Segundo a socióloga mudanças culturais e sociais, conquistas dos movimentos de mulheres, com elas decidindo adiar a maternidade, também contribuem para essa redução. “Temos mudanças culturais acontecendo, mesmo a passos lentos, em relação às conquistas das lutas dos movimentos de mulheres. A maternidade não é mais um valor cultural obrigatório, mas sim opcional. Muitas mulheres estão priorizando se afirmar no mercado de trabalho e na formação acadêmica, e preferem adiar a maternidade. Temos também outra contribuição dos movimentos de mulheres: a afirmação de que cabe às mulheres decidir sobre seus direitos sexuais e reprodutivos”, aponta.
Sobre o fato de São Caetano ter aumentado a natalidade de um ano para outro. Márcia considera um fenômeno mais ligado à economia da cidade. “Nesta questão, a cidade de São Caetano é considerada no ABC a mais desenvolvida. Neste sentido, existe uma estabilidade financeira, o que faz com que as pessoas se sintam seguras em optar por ter filhos. Mas esses filhos, ao chegarem à maturidade, acabam saindo para trabalhar até fora do país, deixando para trás seus familiares, que acabam envelhecendo e que irão precisar de políticas públicas para essa questão”, completa.
A também socióloga, Dulce Xavier, também destaca que a queda da natalidade se reforçou nos últimos anos por mudanças sociais e pelo maior planejamento da reprodução. “A tendencia é a opção por terem menos filhos, ou não terem, e planejar mais a reprodução. Esta queda no número de filhos já vem acontecendo há décadas, se acentuou nos últimos anos. Apesar da maternidade ser enaltecida e valorizada, na prática a sociedade continua delegando quase exclusivamente à mulher os cuidados na reprodução. Poucos parceiros compartilham os cuidados e o Estado não oferece políticas públicas suficientes neste processo. A maternidade sobrecarrega as mulheres com os cuidados além de significar maior possibilidade de perda do emprego, falta de creche e escola em período integral, entre outras dificuldades a serem consideradas na decisão de ter ou não ter filhos”, analisa.
Sobre São Caetano, Dulce não acredita que mais nascimentos consigam mudar a curva de envelhecimento da população. “O aumento no número de nascimentos em São Caetano destoa dos outros dados, mas não acredito que irá reverter a taxa de envelhecimento. A queda na taxa de natalidade é constante nos últimos anos e por mais que tenha havido um pequeno aumento no ano passado, os dados gerais mostram que a tendencia é a diminuição dos nascimento e aumento da população idosa”, calcula.
Veículo: Online -> Site -> Site Repórter Diário - Santo André/SP
Seção: São Caetano