Publicado em 25/11/2025 - 12:12 / Clipado em 25/11/2025 - 12:12
SCS no centro da crise hídrica em meio ao agravamento do abastecimento em SP
Da Redação

São Caetano possui autarquia própria, mas depende da água comprada da Sabesp (Foto: Divulgação)
Metade da população do Estado de São Paulo já está sob algum tipo de restrição no abastecimento de água. A estiagem prolongada e o déficit de chuvas, abaixo da média histórica segundo o Inmet, pressionam todo o sistema hídrico paulista — mas em poucas cidades o impacto é tão evidente quanto em São Caetano, que oficialmente reconheceu estar vivendo racionamento na prática.
A Região Metropolitana de São Paulo, com seus 39 municípios e 22,9 milhões de habitantes, é a área mais afetada. A Sabesp opera praticamente toda a região, à exceção de São Caetano e Mogi das Cruzes, que possuem autarquias próprias, mas dependem da água comprada da Sabesp. Todo esse abastecimento vem do Sistema Integrado Metropolitano (SIM), que nesta terça-feira (25/11), opera com apenas 26,6% do volume útil.
O Sistema Cantareira, responsável por 41% da água que chega à Grande São Paulo, está ainda mais pressionado: 21,6% do volume útil, com chuvas até 50% abaixo da média nas áreas de recarga dos reservatórios. Desde setembro, quando o nível do Cantareira caiu a 31% e a SP-Águas declarou situação de escassez na RMSP, medidas de contingência vêm sendo ampliadas, incluindo a redução da pressão da água no período noturno.
São Caetano admite racionamento; Sabesp nega
No domingo, 23, São Caetano do Sul foi a primeira cidade da Grande São Paulo a afirmar publicamente que enfrenta racionamento. A prefeitura atribui o problema à queda no volume fornecido pela Sabesp via Cantareira. Segundo relatos de moradores e comunicados oficiais, a redução no abastecimento já interfere na rotina de bairros inteiros.
A Sabesp, por sua vez, afirma que não há racionamento, mas sim uma “redução preventiva e temporária da pressão”, adotada todas as noites desde 27 de agosto. A medida, segundo a companhia, já poupou 41 bilhões de litros e segue um padrão internacional para preservação de mananciais. A Arsesp autorizou a ação como forma de evitar um esgotamento ainda maior dos reservatórios.
Interior também convive com cortes e rodízios
A crise ultrapassa a Grande São Paulo. Bauru mantém rodízio rígido, com bairros que chegam a ficar até 72 horas sem água. Americana decretou emergência hídrica. Salto opera com reservatórios fechados em determinados períodos. Birigui, Valinhos, Rio Claro e Tambaú enfrentam restrições variadas — de turbidez excessiva nas captações a interrupções causadas pela estiagem prolongada.
O mapa de escassez hídrica da SP-Águas aponta um quadro alarmante: nenhuma região do estado está em situação normal. Dezoito estão em nível crítico. As regiões do Cantareira, Alto Piracicaba e PCJ permanecem sob alerta máximo.
Chuvas insuficientes e La Niña no horizonte
Apesar das tempestades isoladas no sul e no sudoeste do estado, o efeito sobre os reservatórios tem sido mínimo. Outubro registrou chuvas 3,4% abaixo da média histórica segundo o Consórcio PCJ — o nono mês consecutivo de déficit. Com previsão de 60% de chance de La Niña para o trimestre novembro–janeiro, a tendência é de redução ainda maior nas precipitações.
O Consórcio PCJ reforça a necessidade de monitoramento constante e investimentos em ampliação de armazenamento, além do uso racional da água, que volta a se tornar prioridade.
São Caetano como símbolo da tensão hídrica paulista
Embora toda a RMSP esteja sob pressão, São Caetano virou o caso emblemático da crise. Pequena, densamente urbanizada e altamente dependente da água atacadista da Sabesp, a cidade foi uma das primeiras a ver o desabastecimento transformar-se em racionamento público e declarado — algo que outras prefeituras evitam verbalizar.
Com reservatórios críticos, chuvas insuficientes e projeções negativas para o próximo trimestre, o cenário pressiona gestores municipais e estaduais a ampliar medidas emergenciais. E coloca cidades como São Caetano, mesmo com bons indicadores de gestão urbana, diante de uma crise que ultrapassa fronteiras administrativas e depende de soluções estruturais, regionais e urgentes.
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Seção: Cidades