Publicado em 24/11/2025 - 12:23 / Clipado em 24/11/2025 - 12:23
Sabesp diz que redução de pressão para São Caetano não é racionamento de água
George Garcia
Uma publicação feita nas rede sociais e canais oficiais da prefeitura de São Caetano sob o título “Racionamento da Sabesp” gerou uma disputa de narrativas; de um lado o município, que é o distribuidor da água, de outro a companhia que fornece água para a cidade. Nota oficial do município diz que a Sabesp está adotando medidas de contenção do consumo promovendo racionamento de água. Em nota, a Sabesp nega qualquer racionamento no abastecimento da cidade e diz que São Caetano, como outras cidades atendidas pela companhia, passam por uma redução de pressão de água à noite, para enfrentamento de crise hídrica que baixou o nível dos reservatórios da região metropolitana. Especialista ouvida pelo RD, considera que sim, a redução de pressão pode ser considerada uma forma de racionamento.
A redução da pressão de água vem ocorrendo desde agosto nas cidades onde a Sabesp distribui a água. Em São Caetano, onde a distribuição é feita pelo Saesa (Sistema de Água, Esgoto e Saneamento Ambiental), o anúncio foi feito neste domingo (23/11). Na nota oficial da prefeitura, o município sustenta que há um racionamento na cidade promovido pela Sabesp. “A Prefeitura de São Caetano informa que a Sabesp está adotando algumas medidas para o enfrentamento da escassez hídrica na Região Metropolitana. Entre elas está o racionamento da distribuição de água em São Caetano, que ocorre diariamente entre 19h e 5h”.
A Sabesp nega racionamento de água, para São Caetano ou qualquer outro município do ABC. “Diante do cenário de estiagem e do baixo nível dos mananciais, a Sabesp está adotando desde 27 de agosto a redução da pressão da água no período noturno, quando há menor consumo pela população. Essa medida está sendo aplicada das 19h às 5h, em toda a Região Metropolitana de São Paulo. A empresa esclarece ainda que não se trata de racionamento. A redução de pressão é uma medida adotada internacionalmente em que o fornecimento de água segue ocorrendo no período noturno, com pressão menor”, diz a Sabesp, em comunicado.
Mesmo com a chuva forte que atingiu o ABC entre a noite de domingo (23/11) e a madrugada desta segunda-feira (24/11) os reservatórios que atendem a região metropolitana estão baixos; o sistema integrado registrou nesta segunda-feira o nível de 26,6%. Há exatamente um ano, o sistema que interliga as represas estava em 45,1% e há dois anos estava em 69,9%.
Para a bióloga e coordenadora do projeto IPH/USCS (Índice de Poluentes Hídricos da Universidade Municipal de São Caetano do Sul), Marta Marcondes, a situação é grave porque não se investiu em recuperação dos mananciais. A professora participa do XXVI Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos, em Vitória (ES), onde a situação das reservas para abastecimento das populações brasileiras foi largamente debatida. O simpósio recebe especialistas de todo país e segue até sexta-feira (28/11).
A professora considera que a medida da Sabesp de reduzir a pressão da água pode ser considerada uma forma de racionamento. “A gente já passou por isso em 2.014, interligaram os sistemas, mas não investiram na recuperação dos mananciais e sem floresta não tem água. Estamos em um momento de rico e processos como este, de redução da pressão de água, são também formas de racionamento. Não desligam totalmente a água para não ter problemas na hora de encher as tubulações de novo, mas parte da população fica sem água então é racionamento”.
Segundo Marta, o sistema interligado está trazendo água cada vez de mais longe para abastecer a região metropolitana porque os mananciais daqui não estão dando conta. “É um absurdo o que vem de água do Vale do Paraíba e pelo Sistema Cantareira e isso não é só no Estado de São Paulo, é no país inteiro. O sistema que abastece o Ceará e a Paraíba está com 10% da capacidade e a gente sabe que o avanço da agricultura, da pecuária e as áreas ocupadas por incorporadoras imobiliárias estão acabando com a água. Estamos em outros tempos em que temos que mudar atitudes, reduzir o consumo e reflorestar, isso foi discutido na COP30, em Belém, e também estamos debatendo isso aqui no Simpósio de Vitória”, completa.
No município de São Caetano o consumo total de água é de 14 milhões de metros cúbicos por ano (referência de 2023, do Instituto Trata Brasil). A prefeitura tem débitos para com a Sabesp, no ano passado, o então prefeito José Auricchio Júnior (PSD) parcelou uma dívida de R$ 78,9 milhões em 98 prestações de R$ 805.519,73. O acordo foi feito para quitar uma dívida que se arrastava desde 2021. A Sabesp não se manifestou sobre os valores atualizados da dívida do município.
Veículo: Online -> Site -> Site Repórter Diário - Santo André/SP
Seção: São Caetano