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 Site Diário de S.Paulo

Publicado em 22/11/2025 - 08:25 / Clipado em 22/11/2025 - 08:25

CPI em São Caetano do Sul nasce sob suspeita e expõe possível manobra política do governo


Relatório que deu origem à investigação está sob inquérito por falsidade ideológica, e declarações do relator sugerem articulação prévia com o atual prefeito; juristas defendem suspensão imediata dos trabalhos da Comissão

 

 

A abertura da CPI destinada a investigar supostas dívidas atribuídas ao ex-prefeito José Auricchio Júnior, em São Caetano do Sul, ganhou contornos explosivos e levantou sérias dúvidas sobre sua real motivação. A Comissão, apresentada como um instrumento de fiscalização, agora é vista por especialistas e lideranças políticas como um possível movimento articulado pelo atual governo para desgastar seu antecessor. 

A suspeita foi reforçada por declarações recentes do relator da CPI, que revelou em um podcast ter sido chamado para conversar pelo próprio Executivo antes da votação que aprovou a Comissão. A fala abriu uma crise de credibilidade, indicando que a CPI pode ter sido planejada politicamente antes mesmo de haver respaldo técnico.

Relatório sob investigação criminal: base da CPI pode ter sido manipulada

A origem da CPI está em um Relatório Financeiro elaborado pela Comissão Municipal para Gestão Eficiente do Gasto Público — documento que não só não possui validade jurídica, como hoje é alvo de um inquérito policial por falsidade ideológica, uso de documento falso, peculato e prevaricação.  
 
O Inquérito Policial nº 1506610-87.2025.8.26.0565 apura denúncias de que o relatório teria sido manipulado para inflar artificialmente o passivo municipal, incluindo:
•duplicação de valores;
•despesas já pagas inseridas como dívida;
•distorções que elevariam um suposto saldo devedor a R$ 123 milhões — sendo R$ 38,5 milhões já quitados.  
 
Servidores que participaram da elaboração do documento relataram que o relatório sempre teve caráter informativo e sem valor jurídico para reconhecimento de dívidas — em completa contradição com o que sustentou a abertura da CPI.  
 

Secretário de Fazenda sob questionamento

O documento também expôs o papel central do secretário de Fazenda do atual governo, apontado como o principal formulador do relatório. Colegas da comissão classificaram o material como leviano, tecnicamente frágil e sem critérios mínimos de auditoria, abrindo questionamentos sobre a condução do trabalho. 

O secretário, inclusive, já é investigado pelo Ministério Público por fatos semelhantes ocorridos quando atuava em cargo equivalente no município de Rio Claro, o que intensifica dúvidas sobre sua capacidade técnica e idoneidade. 

Procurador-geral seria o mentor político da CPI

Nos bastidores da Prefeitura, o nome mais citado como articulador intelectual da CPI é o do procurador-geral do município, cuja atuação vem sendo alvo de críticas severas. Ele acumularia histórico de insucessos em prestações de contas de clientes junto ao Tribunal de Contas do Estado — argumento usado por opositores para questionar sua qualificação profissional. 

Além disso, denúncias de suposto nepotismo envolvendo sua esposa circulam nos bastidores políticos, fragilizando ainda mais a credibilidade do comando jurídico municipal. 

Crise institucional: especialistas defendem suspensão imediata da CPI

Diante da gravidade dos indícios, juristas e especialistas afirmam que não há condições de a CPI prosseguir, uma vez que toda a investigação foi construída sobre um documento que é, ele próprio, alvo de investigação criminal.

Caso o inquérito confirme que o relatório foi manipulado, a CPI pode ser anulada e abrir uma crise política ainda maior — com possível responsabilização por uso indevido da máquina pública para fins eleitorais ou de perseguição política. 

CPI enfraquecida e futuro incerto

Enquanto o inquérito segue em andamento, cresce a percepção de que a narrativa de “superendividamento” atribuída ao ex-prefeito perde consistência. Pergunta-se, então:

A CPI nasceu para investigar irregularidades ou para sustentar um projeto político do atual governo? 

Com o documento-base sob suspeita e seus articuladores fragilizados, a CPI se vê imersa em uma crise institucional que mantém São Caetano do Sul em clima de tensão e sem perspectiva clara de desfecho.

 

https://spdiario.com.br/noticias/noticias-de-sp/cpi-em-sao-caetano-do-sul-nasce-sob-suspeita-e-expoe-possivel-manobra-politica-do-governo.html

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Seção: Política