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Publicado em 14/11/2025 - 18:21 / Clipado em 14/11/2025 - 18:21

Região tem 134 novos casos de Aids num semestre; em 2023 a doença matou 90


George Garcia 

 

A IST (Infecção Sexualmente Transmissível) Aids, que teve o primeiro caso diagnosticado no País há 42 anos e que já foi considerada sentença de morte para quem recebia a notícia de que foi infectado, hoje é uma doença tratável a ponto de que o paciente não transmita mais o vírus e também há medicamentos de prevenção. Ainda assim, somente nos primeiros seis meses de 2024, dados mais recentes do Ministério da Saúde, no ABC surgiram 134 novos casos; em 2023 inteiro foram 334 infecções oficializadas no Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação) da pasta federal, naquele ano 90 pessoas morreram na região de Aids. Os municípios tratam milhares de doentes e os desafios, segundo a médica infectologista Elaine Matsuda, ainda são a testagem e a adesão ao tratamento.

Os dados do Sinan, até o fim do primeiro semestre do ano passado, mostram uma queda pequena nos casos da doença. Enquanto nas sete cidades foram 334 casos em todo ano de 2023, ou seja, média mensal de 27,8 casos, no ano passado foram 134 casos em seis meses, média de 22,3 por mês. A queda foi de 5,3 pontos percentuais.

Segundo Elaine, que escreveu dois livros sobre sua experiência ao tratar de pacientes com Aids, os jovens e as pessoas mais velhas estão se infectando mais e as pessoas em maior vulnerabilidade são as que ficam mais doentes e os que mais morrem de Aids atualmente. “É o reflexo da vulnerabilidade onde pardos e pretos são os que mais morrem. Há também dificuldades de acesso ao atendimento especializado, falta testagem, diagnósticos e amparo psicológico para adesão ao tratamento. Porque as pessoas não aderem ao tratamento? Primeiro porque quando a pessoa recebe o diagnóstico ela não se perdoa por isso, não aceita, e isso tem que ser tratado com atendimento psicológico. Há também situações em que um jovem ainda não conseguiu assumir sua homossexualidade nem para a família, como ele vai assumir que tem Aids? Então são muitas situações, mas que a coisa não está boa isso é fato”, considera a especialista.

O Prep (Profilaxia Pré-exposição) é um medicamento disponível desde 2017 rede pública, e PEP (Profilaxia Pós-exposição) é também uma alternativa, mas mesmo estando disponíveis desde 2017, ainda falta informação. “Os médicos pouco conhecem desses medicamentos”, diz a infectologista.

Com as dificuldades de prevenir e testar, o diagnóstico acaba vindo tarde. “Quando se faz um diagnóstico tardio, é bem possível que essa pessoa já esteja transmitindo o vírus há 10 anos que é o tempo estimado entre a infecção e a manifestação dos sintomas na maioria dos casos, por isso a testagem e fornecer os remédios PREP ou PEP é muito mais barato do que tratar o paciente mais grave. Hoje se faz um exame em um paciente jovem, sem histórico familiar, e se pede o teste de glicemia, mas não se pede o HIV e sífilis, uma coisa simples, mas não fazem. No pré-natal não se testa o pai, e no SUS esses exames na gestante ainda são mais eficientes, no paciente de convênio é mais deficiente ainda”, comenta a especialista.

Elaine Matsuda diz que hoje a Aids se transformou de uma doença mortal para uma doença tratável e prevenível. “Se tomar medicamento antes não pega e se pegar tem tratamento”, completa.

Cidades têm milhares de pessoas em tratamento

Considerando somente três cidades da região, Diadema, Mauá e Santo André, que responderam às questões sobre o tratamento de pacientes com Aids, são 5.924 pacientes atualmente em tratamento.

Em Diadema são 1.690 pessoas vivendo com HIV, cadastrados e em seguimento pelo Centro de Referência em IST/Aids e Hepatites Virais, segundo informa a prefeitura. “Esses pacientes incluem tanto aqueles em tratamento contínuo quanto os recém-diagnosticados pelas UBS (Unidades Básicas de Saúde), nos CAPSs (Centros de Atenção Psicossocial), Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) ou demais serviços da rede pública ou privada. Todos os pacientes são atendidos por médicos infectologistas ou infectologista pediátrica, garantindo atendimento clínico especializado dentro do próprio município. O serviço também conta com equipe multiprofissional, composta por enfermagem especializada, psicologia, serviço social, farmácia e psiquiatra”, garante a prefeitura, em nota.
Atendimento no ambulatório Diatrans em Diadema. (Foto: Dino Santos/PMD)

O município diz que também disponibiliza todos os medicamentos antirretrovirais e demais medicações previstas nos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde. Também há acompanhamento da evolução do tratamento.

“Os pacientes passam por consultas periódicas com infectologistas (no máximo a cada 6 meses), realização de exames de rotina como carga viral e CD4, avaliações regulares de enfermagem, acompanhamento psicológico e psiquiátrico quando necessário, além de monitoramento da adesão pela farmácia clínica. Há busca ativa para pacientes em atraso e acolhimento imediato aos recém-diagnosticados”.

O PMIAH (Programa Municipal de IST/AIDS e Hepatites Virais) de Diadema coordena ações de prevenção, incluindo testagem rápida para HIV, sífilis e hepatites virais em todas as UBS, nos CAPS e em atividades externas, voltadas tanto ao público geral, quanto àqueles em situação de maior vulnerabilidade às ISTs; distribuição contínua de preservativos internos e externos e gel lubrificante, autotestes de HIV, além da oferta de PrEP e PEP. “O PMIAH promove campanhas, rodas de conversa, ações educativas e atividades intersetoriais com Educação, Assistência Social, Ambulatório DiaTrans e outras áreas, intensificando as iniciativas em datas estratégicas como o Dezembro Vermelho”, completa o paço diademense.

Em Mauá são 1.293 pessoas em tratamento para HIV/AIDS, segundo a prefeitura. A administração municipal sustenta que todos são acompanhados por infectologista, recebem medicamentos e as mulheres que tiveram bebês recebem fórmula láctea pois não podem amamentar para evitar a transmissão vertical do vírus HIV. Os pacientes também recebem em Mauá o atendimento com psicólogos.

A cidade faz campanha de prevenção. “São realizadas ações extramuros dentro dos territórios junto a áreas livres, praças e em conjunto com as unidades básicas de saúde, é realizada oferta de PREP (Profilaxia pré exposição ao HIV) e PEP (Profilaxia Pós exposição ao HIV), dispensa de auto teste de HIV”, resume o paço de Mauá.

Em Santo André, a Prefeitura trata 2.941 pacientes no CME (Centro Médico de Especialidades) Referência em Infectologia, na Vila Vitória, onde passam por médicos infectologistas, hepatologista e psiquiatra.

“A farmácia do CME Infectologia distribui todos os medicamentos necessários para o tratamento das pessoas que vivem com HIV/Aids. Os medicamentos específicos são adquiridos pelo governo federal e distribuídos aos municípios pelo governo estadual, os demais medicamentos são adquiridos pelo proprio município. Os pacientes são atendidos e acompanhados em suas diversas demandas por uma equipe interdisciplinar composta por médicos especialistas, profissionais de enfermagem, serviço social, farmácia e psicologia”, informou a gestão andreense.

Ações de prevenção listadas pela prefeitura incluem: “ofertas regulares de testagem rápida para HIV, Sífilis e Hepatites Virais nas unidades de saúde, incluindo ações extramuros em locais estratégicos, como Terminal Vila Luzita e Avenida Industrial; distribuição sistemática de preservativos masculinos, femininos e gel lubrificante em todas as unidades da rede e em atividades externas; aconselhamento e orientação individual e coletiva; ações educativas em escolas, equipamentos públicos e espaços comunitários, com abordagem sobre sexualidade segura, prevenção e identificação precoce de sinais e sintomas; campanhas anuais, como a “Fique Sabendo” (neste ano à partir de 24 de novembro), para ampliar o acesso à testagem e fortalecer a conscientização; oferta de PEP e PrEP; acompanhamento e tratamento oportuno dos casos diagnosticados, com busca ativa e manejo adequado dos comunicantes, garantindo interrupção da cadeia de transmissão”, destaca a prefeitura de Santo André.

 

https://www.reporterdiario.com.br/noticia/3736163/regiao-tem-134-novos-casos-de-aids-num-semestre-em-2023-a-doenca-matou-90/

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Seção: Cidades