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Publicado em 09/11/2025 - 08:03 / Clipado em 09/11/2025 - 08:03

Coleta seletiva cresce 5% no ABC e especialista diz que avanço exige engajamento


Henrique Araújo

A coleta seletiva no ABC alcançou cerca de 23,8 mil toneladas de recicláveis recolhidas de janeiro a outubro, um crescimento de 5,6% em relação ao mesmo período de 2024, quando os sete municípios somaram 22,5 mil toneladas. Santo André, São Bernardo, São Caetano e Diadema mantêm cobertura total do serviço e programas consolidados de reciclagem, enquanto Rio Grande da Serra ainda atende apenas 14% da área urbana e Ribeirão Pires somente quando solicitado.

Os dados das prefeituras indicam uma preocupação crescente com a gestão dos resíduos sólidos urbanos e com o engajamento da população. Especialistas afirmam que o sucesso do sistema depende da participação comunitária e de políticas públicas de incentivo.

Santo André e São Bernardo lideram na coleta

Em Santo André, a coleta de recicláveis atingiu 9.850 toneladas até setembro de 2025. A cidade conta com 30 Estações de Coleta, 112 PEVs (Postos de Entrega Voluntária) e programas comunitários como o Meu Condomínio Recicla e o Moeda Verde, que permite a troca de materiais recicláveis por hortaliças cultivadas em hortas comunitárias. O município mantém cobertura de 100% no serviço porta a porta e duas cooperativas com cerca de 60 cooperados.

São Bernardo registrou 11.773 toneladas de recicláveis no mesmo período, com 74% de aproveitamento efetivo. A cidade investe em triciclos elétricos para ampliar a coleta em locais de difícil acesso e mantém 14 Ecopontos distribuídos pelo território. A coleta diária alcança média de 41 toneladas de recicláveis por dia.

S.Caetano e Diadema apostam em estrutura e fiscalização

Em São Caetano, a cobertura é total. O município se prepara para triplicar a capacidade de triagem com a nova Central de Coleta Seletiva instalada na avenida dos Estados. Em 2025, foram recolhidas 1.620 toneladas de materiais recicláveis. A marca é feita com campanhas de conscientização nas redes sociais, escolas e órgãos públicos.

Diadema recolheu 319 toneladas de recicláveis até setembro de 2025 e 80 mil toneladas de lixo domiciliar. O município possui duas cooperativas ativas com 47 cooperados, 16 ecopontos e um rígido sistema de fiscalização ambiental, que inclui multas de até R$ 5,3 mil para descarte irregular.

Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra dão passos graduais

Ribeirão Pires mantém uma cooperativa ativa, a Cooperpires, que realiza a coleta sob demanda. Os moradores solicitam o serviço pelo aplicativo municipal ou por canais oficiais. O Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos prevê aumento anual de 5% no volume de material triado e comercializado. Em Mauá, o volume de recicláveis subiu de 211 toneladas ano passado para 224 toneladas em 2025, um aumento de cerca de 6%.

Rio Grande da Serra iniciou o serviço de coleta seletiva em 2025, com apoio de PEVs. Nos primeiros 10 meses, foram recolhidas 6,8 toneladas de recicláveis, o equivalente a 14% da área urbana atendida, e a prefeitura planeja implantar a coleta porta a porta e inaugurar dois ecopontos em 2026.

Educação e engajamento

A professora Marta Marcondes, pesquisadora da USCS (Universidade Municipal de São Caetano do Sul) e especialista em meio ambiente e recursos hídricos, afirma que a coleta seletiva só se torna efetiva quando acompanhada de educação ambiental e envolvimento comunitário. “Antes de falar da importância da coleta seletiva, precisamos discutir como o tema é tratado nos municípios. As campanhas e os incentivos precisam aproximar as pessoas do assunto, porque muitas vezes ele parece distante. O cidadão precisa se sentir parte do processo”, explica.

A também bióloga destaca que a separação correta do lixo doméstico evita que materiais recicláveis terminem nos rios e cheguem aos mares. “Tudo que cai nos rios chega ao oceano. Projetos como o Oceano ao Seu Lado, do Sesc, mostram como o lixo dos rios do ABC pode ir parar no mar. Por isso, conscientizar e reduzir a geração de resíduos é tão importante quanto reciclar”, afirma.

A professora cita boas práticas locais, como o Moeda Verde em Santo André, a Árvore da Vida em Mauá, que troca recicláveis por mudas de árvores, e o programa de coleta de óleo usado de São Bernardo, que chegou a entrar para o Guinness Book como a cidade que mais coletou óleo para produção de biodiesel.

“O que falta é envolvimento contínuo das pessoas. Educação ambiental é um processo constante. Cada casa e cada indivíduo podem contribuir positivamente para a melhoria do planeta”, completa.

 

https://www.reporterdiario.com.br/noticia/3732238/coleta-seletiva-cresce-5-no-abc-e-especialista-diz-que-avanco-exige-engajamento/

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Seção: Cidades