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Publicado em 04/11/2025 - 18:20 / Clipado em 04/11/2025 - 18:20

Meningite ainda mata dois pacientes por mês no ABC mesmo com recuo pós-pandemia


George Garcia

 

Os casos confirmados e as mortes por meningite no ABC, segundo o painel do Ministério da Saúde, caíram pelo segundo ano consecutivo depois de uma aceleração vertiginosa após a pandemia da covid-19. Apesar da queda, 19 pessoas morreram na região em dez meses deste ano e, apesar de ser o terceiro menor número de fatalidades em 15 anos, a situação ainda preocupa visto que, na média, uma pessoa morre na região a cada 15 dias vítima da doença.

Os casos confirmados este ano mostram que, dos 267 casos confirmados deste ano 104 foram de meningite viral, a menos grave e 44 foram de bacteriana, a que tem o maior potencial de agravar e causar mortes.  Dos 19 mortos confirmados por meningite na região, 11 deles, ou 58% do total, ocorreram em São Bernardo. Santo André teve quatro mortos (21%), Mauá teve dois casos (10%), São Caetano e Diadema tiveram um caso cada. Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra não tiveram óbitos confirmados por meningite este ano. O levantamento do Ministério da Saúde compreende o período do início do ano até 28 de outubro.

 

Já quanto ao total de doentes com confirmação por meningite, a curva é semelhante. A região chegou perto duas vezes da marca de 800 casos confirmados nos anos de 2014, que teve 757 confirmações, e em 2018 que teve dez casos a mais. Durante a pandemia, entre 2020 e 2021, devido à circulação menor de pessoas e menos contaminações, o número de casos caiu para 222 e 185 respectivamente. Os números, contudo voltaram a acelerar em 2022 (com 483 confirmações) e em 2023 (628) e voltando a apresentar queda no ano passado (433 casos confirmados) e 267 neste ano. Ou seja, excluindo os dois anos mais agudos da pandemia, 2025 pode ser considerado o que tem menor número de casos da série histórica iniciada em 2010.

Mesmo assim, com uma morte a cada 15 dias e casos fatais confirmados no litoral de São Paulo, as prefeituras da região estão em alerta.
Até as cidades com menos casos, como Ribeirão Pires estão em alerta. Ribeirão Pires, que confirma 21 notificações, sendo cinco positivos para meningite viral e dois para bacteriana neste ano. De janeiro a outubro do ano passado foram oito casos. O município informa que a cobertura de vacinação contra a meningite tanto com a vacina Meningo C como a ACWY está em 89%.

Na outra ponta, entre as cidades com mais casos e óbitos, está São Bernardo que chamou a atenção pelo baixo interesse de parte das famílias em vacinar seus filhos. A cidade informou que tem 109 confirmações de meningite este ano, 25 casos só nos últimos dois meses, número menor que os 151 casos de dez meses do ano passado. Atualmente, sete pacientes estão internados por conta da doença. Foram onze mortos este ano em São Bernardo por meningite e 12 no mesmo período do ano passado. “Todas as UBSs oferecem a vacinação e o trabalho de conscientização junto à população sobre a importância da vacinação é constante, ações de busca ativa e vacinações extramuros, no entanto, a resistência às vacinas vem se agravando desde a pandemia de covid e a cobertura da vacina Meningo C está em torno de 86%”, destaca o município em nota.

Crianças

A meningite pode afetar todas as faixas etárias, mas as crianças estão sujeitas a casos mais graves. Segundo o médico Flavio Geraldes Alves, mestre em Ciências da Saúde e docente da disciplina de Neuropediatria da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), isso acontece porque as crianças tem as defesas do corpo menos preparadas. “Isso acontece pela imaturidade do sistema imunológico e também pela exposição maior em creches e escolas aos vírus e bactérias que podem causar meningite. Se a criança não for verbal é mais difícil e o diagnóstico mais demorado, então às vezes se pega um caso mais avançado e isso pode aumentar a gravidade”.

O especialista explica que a meningite viral é mais leve e a maioria dos casos requer apenas repouso e hidratação já resolve, mesmo assim há também casos virais que requerem atenção. “Se tem uma sonolência excessiva, piora do estado clínico, persistência da febre, convulsão, rigidez de nuca persistente, desidratação ou piora rápida deve-se buscar o hospital”, orienta. Ele também diz que não necessariamente as aulas devem ser suspensas se algum aluno ficar doente. “Tem que notificar a autoridade de saúde, mas geralmente não se suspendem as aulas”.

Surto

Segundo Alves, a deficiência da cobertura vacinal favorece a continuidade da curva de infecções e os casos mais graves com efeito morte recentemente divulgados, como os do litoral de São Paulo. “A quebra de cobertura vacinal, principalmente contra meningococo, pneumococo e Haemophilus, que são as principais causas de meningite, é fator determinante para o reaparecimento de casos. No caso da meningite meningocócica pode causar surtos, mas dificilmente vai alcançar um nível de epidemia porque a transmissão é mais restrita”.

Além das crianças os idosos também têm maior dificuldade de resposta à meningite. “A doença pode ser fatal em idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas; elas têm risco de gravidade e morte maior principalmente nas meningites bacterianas”, explica o médico e professor da FMABC. No caso dos bebês, além da febre, rigidez no pescoço, vômitos, sonolência e manchas na pele, nos casos mais graves podem ocorrer convulsões. O médico explica ainda que pode ocorrer inchaço na região da moleira e ela ficar estufada.

Campanhas

Para o médico há falhas na divulgação das campanhas de vacinação o que não colabora para a eficiência da imunização de todo o público alvo. “Eu acredito que poderia ter uma divulgação maior. Infelizmente temos hoje grupos antivacinas e isso acaba deixando muita caderneta incompleta. Eu vejo que é importante a checagem da caderneta nas escolas e também a frequência de consultas pediátricas”, completa Flavio Geraldes Alves.

 

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Seção: Saúde