Publicado em 29/10/2025 - 18:20 / Clipado em 29/10/2025 - 18:20
ABC não tem estudo sobre o número de animais que perambulam pelas ruas
George Garcia
Não há um estudo que mostre quantos são os animais sem tutores que perambulam pelas ruas das cidades do ABC, nem para aqueles que têm tutores, mas estão em situação de vulnerabilidade social ou ainda morando nas ruas junto com seus animais. A situação oferece risco não só para os próprios animais já que, sem vacinas e cuidados, eles podem se tornar vetores de doenças graves e até fatais para os humanos.
Para a coordenadora do curso de Veterinária da Universidade Metodista de São Bernardo, Juliana Merguel, os maiores riscos para os animais que estão nas ruas são os acidentes, os maus tratos e doenças. “É uma questão de saúde pública, porque eles podem pegar doenças graves como a cinomose, leishmaniose, e a raiva, além de parasitas como vermes, pulgas e carrapatos. Isso para falar de doenças, porque eles podem também ser vítimas de atropelamentos, podem ser vítimas de agressões e também brigam entre si”, explica a veterinária.
A coordenadora do curso de Veterinária da Metodista considera que seriam necessárias mais campanhas de vacinação nas ruas e legislação mais rígida para quem abandona. “Abandonar um animal é um crime ambiental e falta fiscalização e punição. Eu vejo que a população de animais nas ruas está aumentando. Na universidade ajudamos os cuidadores com campanhas de castração e organizamos feiras de adoção, mas acho que falta muito incentivo do poder público também. É preciso falar mais sobre a adoção, sobre a importância da vacinação, da castração e de vermifugar os cães e gatos”.
Situações como mudança de casa para outro imóvel que não aceita animais, um cachorro que cresce mais do que o esperado e os custos com alimentação e a saúde do animal são alguns fatores que levam as pessoas a abandonar os animais. Eliandro Nogueira, morador do bairro Jardim Palermo, em São Bernardo, ao perceber um grande número de animais abandonados em uma praça em frente de sua casa, resolveu que tinha que fazer algo a respeito. Ele resgatou três gatas, duas delas deram cria e ele conseguiu tutores para os gatinhos, também adotou um cachorro e uma gata com uma doença contagiosa a esporotricose.
A gatinha com o fungo que pode ser transmitido para os humanos, tinha uma grande lesão no focinho e hoje, depois do tratamento, é um dos xodós da casa de Nogueira e recebeu o nome de Vitória. “Vejo o sofrimento dos animaizinhos e não tem como ignorá-los. Em frente a minha residência tem uma praça, onde geralmente os animais, gatos ou cachorros, são abandonados. Não sou um tutor de animais, apenas cuido daqueles que cruzam meu caminho”, diz.
Tanto para a veterinária como para o morador do Jardim Palermo, a percepção é a de que o número de animais está aumentando na rua e isso acontece por causa do abandono. “Infelizmente acho que estão na rua não porque fogem, mas sim por serem abandonados…. ou por estarem doentes que é o caso da Vitória. Isso é muito comum na época de férias e final de ano, seus tutores saem em viagem não tendo com quem deixar acabam abandonado. Acredito que esse número de abandono tem aumentado, porém tenho visto também um grande número de pessoas resgatando esses animaizinhos”, diz Nogueira.
Adoção
Em notas enviadas ao RD, os municípios relatam que não há um estudo feito pelas equipes de zoonoses sobre a quantidade estimada de animais que perambulam pelas ruas. Os municípios também informam realizar feiras de adoção.
Em Diadema foram adotados através destas feiras vários animais, porém o número vem caindo. Entre janeiro e agosto do ano passado foram 36 gatos e 18 cães. Já nos primeiros oito meses de 2025, foram 11 gatos e 11 cachorros. “A Prefeitura disponibiliza o site https://adoteamor.diadema.sp.gov.br/, uma parceria entre as secretarias Meio Ambiente e Saúde e o Conselho de Proteção e Bem-Estar Animal (CONPBEA) para informações sobre adoção animal. Atualmente, não há animais disponíveis com perfil para adoção”, diz o município.
A vacinação antirrábica em cães e gatos de Diadema é disponibilizada às quartas-feiras, das 9h às 12h e das 13h às 15h, somente na Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ), que fica na Rua Capela, 380, no Jardim Inamar. É necessário realizar o agendamento pelos telefones 4059-5892 e 4055-5812, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. A cidade não tem uma campanha ou programa de castração. A administração municipal diz que aguarda a liberação de emenda parlamentar de R$ 300 mil para essa finalidade, valor anunciado em setembro pela deputada federal Tábata Amaral (PSB) em visita ao município.
A prefeitura de Santo André conta com o Hospital Veterinário Municipal, que realiza atendimentos veterinários gratuitos, sob a responsabilidade do Departamento de Bem-Estar Animal (4433-1957 ou 4433-1958) e realiza ações de vacina. A administração municipal também cuida daqueles animais que pertencem a pessoas em situação de rua, vacinando e fornecendo coleiras antipulgas e carrapaticida. O mesmo é feito para aqueles animais que vivem nas ruas mas são cuidados por protetores independentes. Animais atropelados, machucados e doentes são resgatados e levados para o Hospital Veterinário. Em média são atendidas entre três e cinco ocorrências por mês.
Por meio do Banco de Rações, a prefeitura de Santo André realiza o programa Moeda Pet. Ele possibilita que os munícipes troquem garrafas PET por ração para cães e gatos ou doem os alimentos para ONGs, além de tutores em situação de vulnerabilidade social. Cada participante pode trocar até 3 kg de garrafas, recebendo a mesma quantidade em ração. Um quilo corresponde, em média, a 20 garrafas de dois litros, 25 garrafas de um litro ou 36 garrafas de 600 ml. Os animais cujos tutores não têm casa, também são acolhidos pela assistência social em Santo André. Segundo o município diariamente 10 vagas para pessoas em situação de rua com animais na Casa de Passagem para acolhimento noturno.
Rio Grande da Serra informou que não tem nenhum programa para amparar os animais de rua e informa que recolhe apenas os animais doentes que, depois de curados seguem para a adoção. No ano passado foram 10 adotados e 30 neste ano.
A prefeitura de Ribeirão Pires tem um projeto mais abrangente para o cuidado dos animais de rua. O município realiza atendimento veterinário somente a animais comunitários e oferece suporte aos cuidadores e protetores em situação de vulnerabilidade, segundo informa comunicado da prefeitura.
“A cidade conta com o programa Tigela Cheia, que promove a troca de garrafas PET por ração para cães e gatos. A ação tem caráter social e ambiental: fortalece a reciclagem, gera renda à cooperativa Cooperpires e fornece ração a tutores vulneráveis ou a protetores/ONGs. Ocorre mensalmente, em conjunto com ações como vacinação antirrábica e feiras de adoção. Através do Fundo Social de Solidariedade recebe doações de alimentos pet através dos eventos oficiais da prefeitura, onde a gestão de distribuição das rações é realizada em parceria com o Departamento de Bem-Estar Animal”, explica o paço ribeirão-pirense.
Como em Santo André, Ribeirão Pires oferece abrigo para pessoas em situação de rua junto com seus pets. Isso acontece na Casa de Acolhida Márcia Zancanelli, conveniada à prefeitura. O município tem ainda, estabelecido em lei, a regulamentação para vizinhanças que cuidam de animais de rua, o ‘cão comunitário’. “O município desenvolve ações que garantem acompanhamento e cuidados básicos aos animais que vivem nessa condição. Mesmo sem um programa nomeado especificamente como tal, a política local apoia iniciativas comunitárias voltadas ao bem-estar desses animais”, destacou a prefeitura que também mantem feiras de adoção permanentemente. Neste ano, já foram realizados 145 adoções, superando o total de 142 adoções em todo o ano de 2024. A castração também é feita gratuitamente para moradores de Ribeirão Pires. O cadastro deve ser realizado pelo aplicativo Ribeirão Pires Digital, respondendo ao questionário e aguardando o agendamento conforme a ordem de inscrição.
Os municípios de São Bernardo, Mauá e São Caetano não responderam até o fechamento desta matéria.
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Seção: Cidades