Publicado em 19/10/2025 - 08:08 / Clipado em 19/10/2025 - 08:08
Famílias ficam presas ao aluguel e relatam prejuízos com atraso de obras da CDHU
George Garcia
O sonho da casa própria para famílias que não conseguem financiamento fora do âmbito governamental se torna um misto de ansiedade e gastos desnecessários por causa do atraso na entrega de obras por parte da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional Urbano), que tem 5.171 unidades em obras no ABC. A companhia não informa, no entanto quantas delas estão em atraso ou paralisadas por algum motivo. Na região o Residencial Clara, em Santo André, se sabe que está totalmente parado há pelo menos sete meses porque a construtora entrou em recuperação judicial e a CDHU ainda não substituiu. Só com esse empreendimento são 480 unidades habitacionais com um ano e oito meses de atraso para a entrega das chaves.
Santo André tem outro grande empreendimento, o João Ducin, cujas obras estão e andamento, mas a entrega já está atrasada em pelo menos um ano e cinco meses, praticamente o dobro do prazo inicialmente previsto para a conclusão.
O auxiliar de TI, André Morais, de 43 anos, é um dos inscritos para um destes apartamentos. Explicou que quando assinou o contrato as obras deveriam começar em novembro de 2022 com prazo de 18 meses para a entrega, o que daria maio de 2024. O mutuário lamenta o atraso e os custos que isso trouxe para a família. Morais vive com a esposa e o filho de oito anos e tem grande expectativa para a casa nova.
“Pago aluguel, que já passou do meu limite, mas seguimos, comigo e a esposa a compor nossa renda. Levamos do jeito que dá, mas realmente com o aluguel e as outras contas têm ficado pesado, afinal, pelos nossos planos já era para estarmos no apartamento”, destaca.
Trancos e barrancos
A família vive um misto de sentimentos já que, apesar do atraso, há uma grande expectativa para se mudarem já no início de 2026 e a empolgação até minimiza a espera e os gastos com aluguel que poderiam não ter acontecido. Ao falar disso, Morais lamenta por outros mutuários cujas obras de seus empreendimentos não tiveram a mesma sorte.
“A expectativa está a mil, afinal nossa casinha está saindo. Pelo que eu soube, o Residencial Clara parou e eu realmente sinto muito pelo pessoal do Clara, fico na torcida por eles para tudo se resolver o mais rápido possível. O nosso, por enquanto continua, aos trancos e barrancos, mas continua. A última atualização da obra alcançou 91% em 15 de setembro”, conta Morais.
A previsão de entrega das chaves, informada aos mutuários do condomínio João Ducin é janeiro de 2026, sem ainda um dia definido. O empreendimento tem 460 apartamentos. A família já se planeja para a compra de algum mobiliário para o novo apartamento. “Começamos a fazer alguns orçamentos para o apartamento sim. A parte boa dessa demora é que a gente se manteve com o pé no chão e focados em guardar um dinheirinho. Isso agora vai ajudar bastante”, completa André Morais.
Sair do aluguel
Entre os mutuários do Residencial Clara está a psicóloga Milene Cristina Kail Soares, que vive com o filho Luigi, de 18 anos. Milene já deveria estar no novo apartamento há mais de um ano e meio. Se a entrega da obra ocorresse na data certa, o filho mais velho dela se casaria e iria para sua própria casa, e ela sairia do aluguel. Mas o mais velho se casou e ela continuou com o mais novo no aluguel, pior ainda, teve de mudar porque o proprietário no imóvel anterior pediu a casa. Milene relata que, a cada mudança, os móveis se estragam e é mais uma despesa que não deveria ocorrer.
Outra andreense contemplada com apartamento no Residencial Clara, mas que pediu anonimato, disse que paga R$ 1,2 mil de aluguel, enquanto a obra não é concluída. “As pessoas pagam aluguel sendo que já poderiam estar no apartamento e pagar pelo que é seu”, relata.
Em maio, durante evento da CDHU em São Bernardo, o presidente da companhia Reinaldo Iapequino, disse que o impasse sobre o Residencial Clara seria logo superado com a contratação de outra construtora para finalizar as obras que estão 81% concluídas.
“É problema de uma construtora que entrou em dificuldades, entrou em recuperação judicial. Nós já recuperamos a posse desse imóvel em negociação com o administrador judicial. Em breve a gente vai ter uma solução isso, que também passa pela seguradora”. Cinco meses depois a obra ainda está parada.
Falta de informação da CDHU
Só em Santo André são 2.530 unidades em obras. Como a CDHU não respondeu sobre quantas estão em atraso e quais estão paradas, não é possível saber quantas entregas foram feitas este ano. O relatório anual da companhia apontou que no ano passado nenhuma unidade foi entregue na cidade.
O mesmo relatório apontou a entrega de 420 apartamentos no ano passado em São Bernardo. Foi o residencial Cooperativa II, numa solenidade que contou com a participação do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em dezembro. A cidade tem atualmente 1.823 unidades em construção. Depois dela, aparece Diadema, com 622 unidades em construção e nenhuma entrega de chaves no ano passado, mesma situação de Mauá, que tem 196 unidades em obras. São Caetano, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra não contam com empreendimentos da CDHU em andamento.
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Seção: Cidades