Publicado em 16/10/2025 - 18:25 / Clipado em 16/10/2025 - 18:25
PF atua no ABC e descobre uso de clube de futebol para lavagem de dinheiro do tráfico
Mandados de prisão e bloqueio de R$ 13,8 milhões são cumpridos em São Bernardo, São Caetano e Ribeirão Pires
Por Karine Bragione
Três cidades do ABC foram palco de uma operação da Polícia Federal nesta quinta-feira (16), que mirou o núcleo financeiro de uma organização criminosa envolvida no tráfico internacional de cocaína. A investigação também revelou que parte do dinheiro do grupo foi usada para financiar a compra de um time de futebol, transformando o clube em fachada para lavar recursos ilícitos. Bens e valores de cerca de R$ 13,8 milhões foram bloqueados.
Mandados cumpridos em várias cidades
A ação da PF envolveu o cumprimento de três mandados de prisão preventiva e 12 de busca e apreensão em São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul e Ribeirão Pires, além de outras cidades como Curitiba, Maringá, São Paulo, Santana de Parnaíba, Peruíbe e Jardinópolis. Os presos e os materiais apreendidos foram encaminhados à Superintendência da PF em Curitiba, onde permanecem à disposição da Justiça Federal.
Segundo a Polícia Federal, a quadrilha utilizava empresas e pessoas de fachada para movimentar recursos provenientes do tráfico internacional. Entre as estratégias encontradas estão o uso de fintechs, emissão de notas fiscais falsas, contratos de locação fraudulentos e operações de câmbio paralelo, conhecidas como “dólar-cabo”, permitindo mascarar a origem do dinheiro.
Investimento suspeito em futebol
A PF identificou que parte do lucro do tráfico foi direcionada à compra de um clube de futebol, utilizando um laranja ligado a um dos líderes da facção paulista investigada. A análise de documentos e mensagens apreendidos na primeira fase da Operação Mafiusi, deflagrada em dezembro de 2024, mostrou que o time funcionava como um canal para “lavar” dinheiro obtido com a exportação de cocaína para a Europa.
A investigação apontou ainda que a organização criminosa tinha ligação direta com a alta cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC) e coordenava remessas contínuas de cocaína para o exterior com apoio de doleiros e empresários. A atuação da facção se expandiu do estado de São Paulo para o Paraná e outras regiões do Sul do país.
De acordo com a PF, a operação visa atingir o núcleo financeiro da quadrilha, descapitalizando o grupo e impedindo que recursos do tráfico continuem circulando sob aparência de legalidade. A corporação reforçou que o trabalho no ABC foi fundamental para identificar o esquema de lavagem e rastrear a movimentação do dinheiro ilícito.
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Seção: Polícia