Publicado em 13/10/2025 - 19:23 / Clipado em 13/10/2025 - 19:23
S.Caetano recebe apresentações gratuitas de As Aves da Noite, de Hilda Hilst
Da Redação
O espetáculo As Aves da Noite, drama teatral escrito por Hilda Hilst há 57 anos e vencedor do Prêmio APCA 2022 de Melhor Espetáculo Virtual, terá apresentações gratuitas em São Caetano. As sessões acontecem na sexta-feira (17/10), no Teatro Municipal Santos Dumont (avenida Goiás, 1111 – Centro), às 18h e às 20h.
Os ingressos são gratuitos e podem ser retirados nas bilheterias dos teatros uma hora antes das sessões. Também é possível fazer reservas antecipadas pelo Sympla.
A encenação, ambientada em um campo de concentração nazista em Auschwitz, é dirigida por Hugo Coelho e conta com elenco formado por Marco Antônio Pâmio, Marat Descartes, Regina Maria Remencius, Rafael Losso, Walter Breda, Fernando Vítor, Marcos Suchara, Wesley Guindani e Heloisa Rocha.
O enredo de As Aves da Noite parte da história real do padre franciscano Maximilian Kolbe, que apresentou-se voluntariamente para ocupar o lugar de um judeu sorteado para morrer no chamado “porão da fome” em represália à fuga de um prisioneiro. Segundo o diretor Hugo Coelho, “esta é uma versão contemporânea do texto de Hilda. Não é uma reconstituição de Auschwitz, partimos de Auschwitz. O espetáculo é um grito contra a barbárie, contra o fascismo que usa a violência como instrumento de ação política”.
No porão da fome, a autora coloca em conflito os prisioneiros condenados a morrer na cela: o Padre, o Carcereiro, o Poeta, o Estudante e o Joalheiro, que são visitados pelo Oficial da SS, pela Mulher que limpa os fornos e por Hans, o ajudante da SS. Na montagem, eles aparecem isolados, confinados em gaiolas como um signo, uma alusão à prisão onde a história se passa. “A primeira coisa que os governos totalitários e ditatoriais fazem ao prender alguém é destituí-lo de sua dignidade e submetê-lo ao sofrimento extremado, e isso os nazistas fizeram com requintes inimagináveis de crueldade”, comenta o diretor.
Nos diálogos estão o embate entre a vida e o que lhes resta, os devaneios entre o desespero e o delírio. O Poeta declama como se morto estivesse, o Estudante sonha com outro tempo, o Joalheiro ainda lembra-se da magnitude das pedras, enquanto a Mulher é humilhada em sua condição inferior. O Carcereiro, mesmo sendo um condenado, ironiza a condição dos demais e os trata com escárnio; o SS os chama de porcos e os agride e menospreza, enquanto o estado de debilidade emerge da vida e da já não existência desses humanos subjugados.
Sobre o texto, Hilda Hilst falou: “Ouvi o que foi dito na cela da fome, em Auschwitz. Foi muito difícil. Se os meus personagens parecerem demasiadamente poéticos é porque acredito que só em situações extremas é que a poesia pode eclodir viva, em verdade. Só em situações extremas é que interrogamos esse grande obscuro que é Deus, com voracidade, desespero e poesia”.
O cenário, que traduz o cárcere com gaiolas humanas, foi concebido pelo diretor. O figurino (de Rosângela Ribeiro) faz alusão aos uniformes de presidiários. A iluminação (de Fran Barros) dá foco a cada personagem, reforça o clima denso e claustrofóbico do ambiente. A trilha sonora, assinada por Ricardo Severo, traz uma canção original do texto que remete à tradição judaica, cantada pelas personagens, e segue a mesma orientação da iluminação.
Hugo Coelho afirma que o propósito é trazer à cena o discurso poderoso e contundente de Hilda Hilst. “As Aves da Noite nos faz encarar toda a barbárie do poder, do domínio, do autoritarismo, das torturas nos porões das ditaduras. Auschwitz é uma ferida aberta na humanidade para a qual é difícil encontrar palavras que a qualifique. As Aves da Noite mostra o reverso, o outro rosto da humanidade, perverso, doente e profundamente violento. Não podemos permitir que a violência e a barbárie continuem sendo normatizadas ao longo da história, finaliza o encenador.
As Aves da Noite, idealizado pelo produtor Fábio Hilst, teve sua primeira temporada apresentada virtualmente, devido à pandemia da covid-19. Foi gravado em vídeo, 80 anos após a morte de Maximilian Kolbe, exatamente no momento em que o mundo vivia uma experiência de confinamento. Kolbe morreu em Auschwitz, em 1941, e foi canonizado em 1982, pelo Papa João Paulo II. São Maximiliano é considerado padroeiro dos jornalistas e radialistas e protetor da liberdade de expressão.
Ficha técnica
Texto: Hilda Hilst (1968)
Direção: Hugo Coelho
Elenco: Marco Antônio Pâmio (Pe. Maximilian), Marat Descartes (Carcereiro), Regina Maria Remencius (Mulher), Walter Breda (Joalheiro), Rafael Losso (Estudante), Fernando Vítor (Poeta), Marcos Suchara (SS), Wesley Guindani (Hans) e Heloisa Rocha
Direção de produção: Fábio Hilst
Assistência de direção e produção: Fernanda Lorenzoni
Cenografia: Hugo Coelho
Figurino e objetos de cena: Rosângela Ribeiro
Desenho de luz: Fran Barros
Música original e desenho de som: Ricardo Severo
Cenotecnia: Wagner José de Almeida
Serralheria: José da Hora
Pintura de arte: Alessandra Siqueira
Assistência de cenotecnia: Matheus Tomé
Confecção de figurino: Vilma Hirata e Natalia Hirata
Fotos: Priscila Prade e Heloísa Bortz
Design gráfico: Letícia Andrade
Gerenciamento de mídias sociais: Felipe Pirillo
Assessoria de imprensa: Eliane Verbena
Produção: Três no Tapa Produções Artísticas
Realização: Fomento CultSP, Governo do Estado de São Paulo através da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, Ministério da Cultura, Governo Federal – União e Reconstrução
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Seção: Cultura