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 Site Diário do Grande ABC - Santo André/SP

Publicado em 12/10/2025 - 07:57 / Clipado em 12/10/2025 - 07:57

Santo André e São Caetano têm piores índices de gestão financeira da região


Resultados são referentes a 2024 e levam em conta gastos, investimentos e capacidade de pagar as contas

 

Beatriz Mirelle

 

Santo André e São Caetano registraram os piores índices de liquidez do Grande ABC. Ambas ficaram com nota zero na avaliação de 2024, o que significa que o volume de dívidas adiadas para o ano seguinte foi maior que o dinheiro em caixa para pagá-las. Os dados são do IFGF (Índice Firjan de Gestão Fiscal), elaborado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, que avaliou o desempenho de todos os municípios brasileiros.

A pontuação do IFGF varia de zero a um e leva em consideração indicadores de autonomia, gastos com pessoal, investimentos e liquidez. “Avaliamos se eles (municípios) tinham recursos suficientes no fim de 2024 para suprir qualquer despesa ou imprevisto a curto prazo. Vemos se houve planejamento financeiro eficiente para cumprir obrigações e suprir dívidas com fornecedores e servidores, por exemplo”, detalha a especialista em Estudos de Competitividade da Firjan, Nayara Freire. 

A especialista diz que os gastos contabilizados envolvem tanto o Executivo quanto o Legislativo, o que aponta uma responsabilidade fiscal compartilhada. “Usamos como base os dados da Secretaria de Tesouro Nacional. As prefeituras enviam relatórios sobre arrecadação e aplicação de recursos. As informações do índice foram declaradas pela própria gestão municipal”, completa.

Nayara afirma ainda que a situação se agrava nas transições de governo. “A organização financeira permite que o município atenda de forma mais eficiente as demandas da população. Os resultados são ainda mais importantes quando você passa a gestão para outro administrador. Começar projetos em um cenário de gestão ineficiente é uma missão mais desafiadora”, aponta a especialista. 

O bom planejamento, segundo Nayara, permite que o desenvolvimento econômico gere um ambiente competitivo a partir da criação de emprego para a população e renda para consumo local. 

“Existe a responsabilidade do gestor de cumprir os compromissos fiscais e também da união entre entes federativos para aprovar reformas que determinem caminhos mais eficientes na administração de recursos públicos a partir da flexibilização do orçamento e a otimização das despesas de pessoal”, aponta a especialista. 

 

OUTRAS CIDADES

No IFGF, aparecem classificados como ‘gestão em dificuldade’ os municípios de São Bernardo (0,59) e Diadema (0,47), que, apesar de leve melhora em comparação a 2023, seguem em estado de atenção. Mauá (0,54) e Ribeirão Pires (0,50) se encaixam entre as cidades que possuem caixa para cobrir as dívidas com folga financeira moderada. 

O único destaque positivo no índice foi Rio Grande da Serra, que alcançou a nota 0,64. Mesmo com o bom resultado, o município também sofreu uma queda, porque havia atingido o nível de “gestão de excelência” em 2023. 

O Diário questionou todas as prefeituras sobre os desempenhos expostos na Firjan. 

O Paço de Santo André informou que as demandas relativas ao custeio de saúde, educação, segurança e assistência social vêm crescendo de forma contínua. “Os entes federal e estadual têm transferido, progressivamente, maiores responsabilidades aos municípios, sem a devida compensação financeira por meio de repasses proporcionais. O município enfrenta um passivo expressivo de precatórios acumulados, destinando atualmente cerca de 5% da Receita Corrente Líquida ao pagamento dessas obrigações. Foram pagos nos últimos anos mais de R$ 1,2 bilhões de precatórios, que reduzem a capacidade de investimento e de manutenção de serviços públicos essenciais.”

A Prefeitura de Diadema destacou que, entre as estratégias para melhorar a liquidez, estão a revisão das nomeações em cargos de comissão, rescisão de contratos relativos a aluguéis onde estavam instaladas secretarias municipais, agilização na cobrança das multas de trânsito pendentes de pagamento e estudos de parcelamentos de dívidas contraídas em gestões anteriores.

Cidades também figuram entre as inadimplentes do Estado de São Paulo

Santo André e São Caetano estão entre as 17 cidades do Estado de São Paulo listadas no Cadin (Cadastro Informativo dos Créditos não Quitados de Órgãos e Entidades Estaduais). 

De acordo com o governo do Estado, a inclusão no Cadin impede a celebração de convênios, acordos, ajustes ou contratos que envolvam o desembolso, a qualquer título, de recursos financeiros; repasses de valores de convênios ou pagamentos referentes a contratos; concessão de auxílios e subvenções; concessão de incentivos fiscais e financeiros; e liberação de créditos oriundos do projeto da Nota Fiscal Paulista.

Entre os motivos que justificam a entrada de Santo André na lista, está o fato de que a cidade não pagou precatórios em novembro e dezembro do ano passado.

São Caetano teve aumento das dívidas públicas (R$ 1,15 bilhão) herdadas da gestão anterior. O que contribui para a listagem no Cadin.

Entre os demais municípios citados estão Álvaro de Carvalho, Bebedouro, Bom Jesus dos Perdões, Cotia, Embu-Guaçu, Iguape, Mogi das Cruzes, Monte Azul Paulista, São Carlos e Serrana.<TL>

 

https://www.dgabc.com.br/Noticia/4262661/santo-andre-e-sao-caetano-tem-piores-indices-de-gestao-financeira-da-regiao

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Seção: Setecidades