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 Site Diário do Grande ABC - Santo André/SP

Publicado em 11/10/2025 - 08:07 / Clipado em 11/10/2025 - 08:07

No Dia do Teatro Municipal, palcos da região entram em cena


Espaços culturais das sete cidades unem arte, memória e serviço para a comunidade; Grande ABC registra 11 equipamentos públicos

 

Yuri Kumano

 

Comemorado neste sábado (11), o Dia do Teatro Municipal reforça o valor de espaços que transcendem a função de palco. No Grande ABC, 11 equipamentos mantidos pelo poder público representam não apenas infraestrutura cultural, mas também a identidade e o compromisso artístico das sete cidades da região. Os espaços estão distribuídos da seguinte forma: três em Santo André, dois em São Bernardo e São Caetano, e um em Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra.

Em Diadema, o Teatro Clara Nunes é um exemplo emblemático dessa conexão entre cultura e comunidade. Inaugurado em 1981 no Centro Cultural do município, o espaço conta com 377 lugares e recebe, mensalmente, cerca de 8.000 visitantes. Para o coordenador do Centro de Memória de Diadema, Osmir Rocha, essa relação constante com o público é o que mantém o teatro vivo.

“O teatro municipal pertence à administração pública e pode ser gerido diretamente pela Prefeitura ou por uma organização parceira. A grande diferença é que a gestão pública oferece atividades gratuitas ou a preços acessíveis, com uma programação que foge da cultura de massa e abre espaço para os artistas locais”, explica Rocha. Seguindo essa mesma proposta, Mauá abriga o Teatro Municipal Anselmo Haraldt Walendy, localizado na Vila Noemia e tombado como patrimônio em 2010. Desde sua inauguração, em 2001, o espaço acolhe uma média de 8.100 visitantes por mês, reunindo espetáculos locais, festivais estudantis e eventos acessíveis à população.

“Não existe nenhuma lei que determine o uso da palavra ‘municipal’ no nome, mas ela se tornou quase uma tradição. O termo reforça a ideia de propriedade pública e acesso democrático, o que confere certo peso institucional ao espaço”, comenta Rafael de Castro, gerente de cultura da cidade.

Já em São Caetano, o Teatro Paulo Machado de Carvalho se destaca pela estrutura moderna. Inaugurado em 1968 e revitalizado em 2024, oferece 1.093 assentos e uma infraestrutura comparável às grandes casas de espetáculo da Capital. Ao lado dele, o Teatro Santos Dumont, com 370 lugares, também integra o circuito cultural do município. Entre julho e setembro deste ano, o Paulo Machado de Carvalho recebeu mais de 26 mil espectadores, enquanto o Santos Dumont ultrapassou 7.000.

“Por serem equipamentos públicos, os teatros municipais têm a missão de ampliar o acesso à cultura, conciliando grandes eventos com ações voltadas à inclusão e à valorização da produção local”, afirma Paula Fiorotti, da Secretaria Municipal de Cultura. Em Santo André, o Teatro Municipal Maestro Flávio Florence, reaberto em 2024 após extensa reforma, carrega a assinatura do arquiteto Rino Levi e do paisagista Roberto Burle Marx. A cidade ainda mantém o Teatro Conchita de Moraes e o histórico Cine Theatro de Variedades Carlos Gomes, ampliando a oferta cultural para diferentes públicos.

São Bernardo também tem tradição nesse campo, com o Teatro Lauro Gomes – inaugurado em 1962 e administrado pela Prefeitura, mesmo sem o termo municipal no nome. Desde 1996, consolidou-se como um dos principais palcos públicos da cidade, sediando festivais, mostras estudantis e produções independentes. Outro importante espaço cultural do município é o Teatro Elis Regina, igualmente mantido pelo poder público.

Ribeirão Pires oferece à população o Teatro Municipal Arquimedes Ribeiro, aberto em 2016, enquanto em Rio Grande da Serra o Teatro Municipal Primeira Dama Zulmira Jardim Teixeira aguarda manutenção para retomar suas atividades.

Diferente dos teatros privados, que dependem da lógica de mercado e da bilheteria para manter suas portas abertas, os municipais contam com o apoio do poder público. Essa estrutura garante não só a continuidade das atividades, mas também a possibilidade de promover produções alternativas, populares e gratuitas.

“O teatro privado precisa gerar lucro, então tende a programar o que vende mais. Já o municipal tem outro papel, que é garantir o acesso democrático à arte. Ele pode acolher o teatro popular, o estudantil, o alternativo. Isso é o que o torna especial”, conclui Osmir Rocha.

 

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Seção: Setecidades