Publicado em 09/10/2025 - 19:25 / Clipado em 09/10/2025 - 19:25
São Caetano tem segunda melhor média salarial do Brasil
Cidade perde apenas para Nova Lima, em Minas Gerais; disparidade de gênero preocupa Grande ABC
Beatriz Mirelle
Os trabalhadores de São Caetano tinham a segunda melhor renda nominal média do Brasil (R$ 6.167,10 por mês) em 2022. A cidade estava atrás apenas de Nova Lima, em Minas Gerais (R$ 6.929). Apesar do bom desempenho, o município chama atenção pela disparidade de gênero, onde homens ganhavam R$ 7.449,03, enquanto mulheres recebiam R$ 4.832,59 - o que corresponde a 64,8% do salário médio deles.
Em seguida, no Grande ABC, os melhores desempenhos gerais foram em Santo André (média geral de R$ 4.072,61) e São Bernardo (R$ 3.706). O pior dado é de Rio Grande da Serra (R$ 2.119,91) - veja na arte abaixo. As informações são do novo recorte do Censo Demográfico 2022 divulgado ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho, Turismo e Inovação de São Caetano, Pio Mielo, considera que, apesar de ser pequena geograficamente, a cidade se impõe na economia pela manutenção de indústrias. “Temos trabalhado também com serviços de valor agregado, principalmente nas áreas de tecnologia e saúde, que possuem remunerações médias melhores. Com investimentos em educação e lazer, também conseguimos atrair moradores de média e alta renda, que ajuda os nossos resultados.”
Em relação à discrepância de gênero, ele afirma que a Prefeitura tem trabalhado para promover qualificação das mulheres para que elas entrem em setores com salários mais altos.
“Temos o programa Mães Acolhedoras, por exemplo, que gera oportunidade de renda àquelas que têm filhos na rede municipal. Muitas acabam tendo tripla jornada, com trabalho na rua, cuidados domésticos e com as crianças, fatores que dificultam o avanço profissional”, explicou Mielo.
O rendimento médio do trabalho da população ocupada no Brasil foi de R$ 2.851 em 2022. As regiões Centro-Oeste (R$ 3.292), Sul (R$ 3.190) e Sudeste (R$ 3.154) superaram o índice do País, enquanto o Norte (R$ 2.238) e o Nordeste (R$ 2.015) ficaram abaixo.
O economista Rodolpho Tobler, professor da FGV IBRE (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), explicou ao Diário que o Brasil teve avanços desde 2022, mas algumas questões estruturais se mantêm.
“O que justifica esse valor médio baixo é a estrutura da atividade brasileira, Temos 38% de pessoas na informalidade e isso gera diferenças salariais muito grandes no mercado de trabalho. De forma geral, nossa estrutura produtiva ainda não é tão tecnológica avançada.”
No País, o rendimento mensal dos homens (R$ 3.115) superou em 24,3% o das mulheres (R$ 2.506). “Mulheres pagam até hoje o preço pelo machismo histórico que as deixou tanto tempo fora do mercado de trabalho. As empresas ainda repercutem um olhar preconceituoso ao desempenho delas”, avalia Tobler.
Um terço dos brasileiros recebia até R$ 1.212 por mês em 2022
Cerca de um terço da mão de obra (31,3 milhões de pessoas) ganhava até R$ 1.212 por mês em 2022 no Brasil. Desse grupo, a maioria (52,4%) era pardo. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), apenas 7,6% dos trabalhadores recebiam mais de cinco salários mínimos (R$ 6.060).
De forma geral, em relação ao recorte racial, pessoas amarelas (R$ 5.942) e brancas (R$ 3.659) ganhavam melhor em 2022 - com desempenhos acima da média nacional (R$ 2.851). Em paralelo, pardos (R$2.186), pretos (R$ 2.061) e indígenas (R$ 1.683) tinham as piores remunerações.
O economista Rodolpho Tobler, professor da FGV IBRE (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), avalia que políticas públicas que visam minimizar desigualdades surtem efeito, mas ainda em um ritmo lento.
“Iniciativas como cotas em universidade e concursos públicos ajudam grupos marginalizados a terem acesso a novas oportunidades de emprego e promovem mobilidade social. Nem todos têm o mesmo ponto de partida. A trajetória de um homem branco não é a mesma de uma mulher preta e isso deve ser considerado pelo poder público e pelas empresas.”
https://www.dgabc.com.br/Noticia/4262217/sao-caetano-tem-segunda-melhor-media-salarial-do-brasil
Veículo: Online -> Site -> Site Diário do Grande ABC - Santo André/SP
Seção: Economia