Publicado em 05/10/2025 - 08:20 / Clipado em 05/10/2025 - 08:20
Editorial - Crime e castigo
Do Diário do Grande ABC
São cada vez mais robustos os indicativos de que José Auricchio Júnior (PSD) conduziu sua última gestão em São Caetano com descuido fiscal e desapreço à probidade administrativa. A ‘inauguração’ do Pronto Cardio expôs projeto sem planejamento financeiro e incompatível com a realidade do município. Mesmo alertado pelo Tribunal de Contas do Estado sobre o excesso de gastos e o descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal, o ex-prefeito seguiu adiante com obra que, desde a origem, não tinha fonte de custeio assegurada. O resultado foi a criação de estrutura dispendiosa, incapaz de operar plenamente e cuja manutenção anual é estimada em R$ 40 milhões para atender demanda modesta.
A ação movida pela Procuradoria de São Caetano sustenta que a entrega do equipamento teve objetivo político e não administrativo. A peça descreve prejuízo estimado em mais de R$ 12 milhões, pede o bloqueio de bens, multa civil e a suspensão dos direitos políticos de Auricchio por até 12 anos. O conjunto de indícios, reforçado por alertas técnicos ignorados e decisões tomadas à revelia das normas fiscais, compõe o retrato de gestão que parece ter sido orientada mais por cálculo eleitoral do que por responsabilidade. Caso a Justiça reconheça a existência das irregularidades apontadas, a punição representará não apenas reparação financeira, mas também marco de integridade institucional ao município.
São Caetano, que acreditou estar recebendo um avanço na área da saúde, viu-se diante de um equipamento superdimensionado e subutilizado. É dever do Judiciário examinar os fatos com rigor e, se comprovados, impor as sanções cabíveis. O episódio do Pronto Cardio evidencia o risco de gestores que tratam o erário como instrumento de autopromoção, ignorando limites legais e compromissos éticos. Afastar o político da vida pública, além de obrigá-lo a devolver o dinheiro utilizado irregularmente em um elefante branco, como pode ser classificado o hospital, megalomaníaco sonho de uma noite de verão, seja a justa punição a um gestor tão mal preparado para lidar com o dinheiro público.
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Seção: Editorial