Clipclap

Aguarde ...

Site Repórter Diário

Publicado em 03/10/2025 - 18:22 / Clipado em 03/10/2025 - 18:22

Mais de 12 mil celulares foram levados este ano no ABC; um roubo ou furto a cada meia hora


George Garcia 

Apesar de uma queda em relação ao ano passado, o roubo e o furto de celulares na região continuam com números altíssimos. Segundo a estatística da Secretaria de Segurança Pública do Estado, do início do ano até agosto foram subtraídos 12.195 aparelhos de telefonia móvel, o que dá 50 aparelhos, em média, nas mãos de criminosos todos os dias ou um a cada meia hora. No ano passado foram 14.859 aparelhos roubados ou furtados, 2,5 a cada meia hora. Ter de volta o aparelho celular é quase como ganhar na loteria, pouquíssimos são restituídos aos proprietários. Por isso o governo está mandando mensagens aos celulares cujos números de IMEI estão cadastrados como produtos de roubo ou furto, para a sua entrega voluntária em delegacias.

Mas é raro ter o aparelho de volta, visto que, depois que os bandidos tiram proveito das contas bancárias e dos dados do dono do aparelho para cometerem fraudes, esses celulares vão parar em um mercado negro e vendidos por uma fração do seu valor real. Muitas vezes o aparelho é o menor dos problemas, a real preocupação hoje em dia são com os dados que estão armazenados com os quais se pode fazer documentos faltos, crediários, fazer empréstimos, além de quem tem contas com acesso digital ficarem vulneráveis aos bandidos.

Quem foi vítima de roubo, quando ficaram sob a mira de armas de fogo controladas por bandidos violentos, perde ainda mais, a sensação de segurança e passa a ter medo à menor movimentação à sua volta. É o caso de Silvana Leite do Nascimento, que foi vítima de roubo em novembro do ano passado, quando estava chegando ao ponto de ônibus que a levaria para o trabalho, na Vila Curuçá, em Santo André.

“Estava indo para o trabalho, no ponto de ônibus dois rapazes de moto me abordaram, um deles estava um armado, e me roubaram a bolsa e meu celular”, conta Silvana. Violentos e gritando o tempo todo, os bandidos agiram muito rápido. A vítima estava sozinha no ponto de ônibus e ficou apavorada, tanto que ela mudou a sua rotina. “Mudei de ponto, fiquei com traumas”, relata a vítima. Ela disse que os bandidos jogaram sua bolsa na rua, que foi localizada e devolvida, mas os bandidos fizeram saques da sua conta poupança e o celular nunca foi encontrado.

No ano passado, de janeiro a agosto, dos 14.859 celulares subtraídos, 10.510 foram roubados, como no caso de Silvana. Os roubos neste ano ainda são mais frequentes do que os furtos, apesar de terem caído para 8.124.

 

Furto

Luigi Kail Miranda, de 18 anos, mora em Santo André, cidade com o maior número de celulares subtraídos no ABC. Sabendo do risco de segurança, ele procurou um shopping center no Centro da cidade onde ficou ouvindo aula on-line enquanto esperava pela namorada. Mas mesmo preocupado com a segurança ele foi vítima de furto, mas reagiu e conseguiu reaver seu aparelho e os acusados respondem na justiça pelo crime.

“Eu sentei em uma das mesas da praça de alimentação e fiquei acompanhando a aula com o fone bluetooth. Dois rapazes sentaram do meu lado e quando me virei para pegar minhas coisas o celular não estava mais na mesa, olhei para eles, memorizei as características e perguntei se eles tinham visto um celular de capinha azul. Eles negaram e foram em direção à saída. Eu sabia que o celular estava perto porque eu continuava a ouvir a aula, mas quando eles levantaram o som começou a falhar e eu tive certeza. Acompanhei os dois e acionei a segurança que os deteve. Era um menor de idade e outro maior, com um deles estava o meu celular, fomos todos para o 6° Distrito Policial de Santo André onde foi feito o BO de furto” relatou a vítima.

Dos dois detidos neste furto, o menor foi liberado para a família e o maior de idade que já tinha uma passagem anterior, ficou preso um dia e no dia seguinte saiu. “Eu o processei e ele vai me pagar um salário mínimo dividido em parcelas de R$ 300”, disse Miranda.

Outra moradora de Santo André, que não quis se identificar, também narrou a situação que vitimou seu marido. “Meu marido teve (o celular roubado) ano passado e até hoje não foi recuperado, levaram carteira com documentos e cartões, fizemos o boletim e nada aconteceu, sorte que foi o celular da empresa que roubaram. Isso aconteceu no bairro Santa Teresinha”, relatou.

Depoimentos de quem foi vítima de bandidos não faltam. Apesar de uma pequena fração dos aparelhos serem recuperados. Há casos inusitados, como o de Larissa Burato, que narrou ter sido vítima de furto do celular há oito anos e que recuperou o celular quatro anos depois. “Eu estava em uma festa e o celular sumiu. No dia seguinte eu fiz o Boletim de Ocorrência e depois de quatro anos o delegado liga para o meu tio avisando. Me disseram que um cara foi preso e ao pesquisarem o número do aparelho me encontraram. Eu tive muita sorte mesmo”, conta. Larissa disse que apesar de não ter mais nada seu na memória do aparelho, o celular estava funcional e ele até hoje é usado por sua mãe.

 

Cidades

Das sete cidades da região, só em Rio Grande da Serra e em São Caetano os furtos superam os roubos. Na primeira foram 34 furtos e 23 roubos até agosto deste ano. Dentro do território sancaetanense 578 aparelhos levados, sendo 410 furtados e 168 roubados.
Nas demais, o roubo é sempre a forma mais frequente usada pelos bandidos para se apoderar dos celulares, isso porque, para usarem os aplicativos de banco, e até para desbloquear o aparelho, os bandidos precisam da vítima. Geralmente eles já levam o celular com esses aplicativos desbloqueados.

Santo André tem o maior número de celulares levados por bandidos, foram 4.332 aparelhos só entre o início do ano e 31 de agosto. Destes 3.045 foram roubados e 1.287 foram furtados. São Bernardo vem em seguida com 3.621 celulares levados e destes, 2.358 foram roubados e 1.263 furtados.

Em Diadema foram 2.017 aparelhos de telefonia móvel que foram parar nas mãos dos bandidos só este ano, até agosto. Destes casos 1.483 foram roubos e 534 foram registrados como furtos. Mauá teve 1.352 celulares levados, sendo 878 roubados e 474 furtados. Em Ribeirão Pires foram 169 aparelhos roubados e 69 foram objeto de furto.

 

Alerta

Desde quarta-feira (01/10) a uma nova etapa na recuperação de celulares roubados em todo o Estado teve início com cerca de 1,5 mil notificações foram enviadas para pessoas que estão em posse de aparelhos com restrição criminal. Os celulares foram identificados após o cruzamento de informações de boletins de ocorrência com os dados fornecidos pelas operadoras de telefonia. O objetivo é reaver os aparelhos roubados ou furtados que foram ativados por terceiros.

As pessoas que receberem a notificação terão três dias para comparecer à delegacia e comprovar a legalidade do aparelho ou fazer a devolução voluntariamente. Caso não atendam à intimação, podem responder por crime de receptação, a depender do caso.

De acordo com o Núcleo Estratégico Interdisciplinar do sistema SP Mobile, a maioria das pessoas notificadas nas fases anteriores alegou ter adquirido o celular de terceiros ou em estabelecimentos comerciais, sem saber da procedência do objeto.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública, em setembro, centenas de pessoas receberam o alerta no celular em mais uma fase do programa. A ação permitiu que quase 300 celulares furtados ou roubados fossem recuperados e devolvidos às vítimas.

Para fazer a devolução, a Polícia Civil reitera a necessidade de informar no boletim de ocorrência o número de identificação do celular (Imei), que fica na etiqueta da caixa do celular ou na nota fiscal de venda, por exemplo.

O projeto começou pela Capital e se expandiu para todo o Estado em junho deste ano. Desde então, mais de 8 mil aparelhos foram recuperados, sendo que 3,8 mil já foram devolvidos aos donos no âmbito do programa.

 

https://www.reporterdiario.com.br/noticia/3712524/mais-de-12-mil-celulares-foram-levados-este-ano-no-abc-um-roubo-ou-furto-a-cada-meia-hora/

Veículo: Online -> Site -> Site Repórter Diário

Seção: São Caetano