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Publicado em 02/10/2025 - 18:23 / Clipado em 02/10/2025 - 18:23

Rodovias que cortam o ABC estão entre as mais perigosas de SP; são 10 mortos por mês


George Garcia 

 

Conforme o RD publicou na última semana, a Rodovia Índio Tibiriçá (SP 031), que liga São Bernardo a Suzano, passando por Santo André e Ribeirão Pires, tem feito jus à sua fama de Estrada da Morte, com alta de 140% nos óbitos comparando o período de janeiro a agosto do ano passado, que teve cinco fatalidades, com os primeiros oito meses deste ano, que registrou 12 mortes. Essa rodovia está entre as 12 que mais matam no Estado há mais de cinco anos, em apenas 37 quilômetros de extensão. O DetranSP aponta que ela não é a única com número expressivo de óbitos. As principais rodovias que cortam o ABC estão entre as doze com mais acidentes fatais em toda a região metropolitana do Estado.

Depois da BR 116 (Régis Bittencourt) que é a recordista de mortes na região metropolitana, com 50 mortos entre janeiro e agosto deste ano, aparece o Rodoanel Mário Covas (SP 021), em toda a sua extensão, com 33 casos. A Rodovia dos Imigrantes (SP-160) aparece em quarto lugar no ranking deste ano, com 22 mortes, a Anchieta (SP 150) aparece na décima colocação com 13 mortos e, com uma vítima fatal a menos em acidentes vem a Índio Tibiriçá. Juntas essas rodovias que passam pelo ABC já mataram 80 pessoas até agosto, 10 vítimas fatais por mês. Só a Índio Tibiriçá já matou mais este ano, em apenas oito meses do que em todo o ano passado.

Para o comandante interino do 1° Batalhão da Polícia Militar Rodoviária, major Fernando de Souza, as rodovias que cortam o ABC têm condições muito específicas, a sinuosidade, a variação de trechos urbanos para não urbanos, a declividade, caso das vias que dão acesso ao litoral, além do excesso de carros, motocicletas e caminhões. Somado a esses fatores externos o oficial da PM aponta a imprudência como outro fator de risco para acidentes.

Com mais de 20 anos de atuação no policiamento rodoviário, Souza explica que o tráfego intenso nos trechos urbanos, onde a rodovia é usada como uma avenida de trânsito rápido, reflete no número maior de acidentes. “A causa maior destes sinistros é a imprudência. Intensificamos as fiscalizações e campanhas educativas visando orientar principalmente os motociclistas, que são as maiores vítimas nestas rodovias e também pedestres que estão no segundo lugar em número de mortes”, destaca.

Quanto aos motociclistas, o comandante da Polícia Rodoviária, diz que o excesso de velocidade, e trafegar fazendo um corredor entre os veículos são os fatores de maior risco. “Não há autuação se o motociclista passar entre os carros se o trânsito estiver parado ou muito moroso, mas se estiver fluindo normalmente não há porque fazer o corredor”, diz Souza. “Se o motociclista for passar entre dois caminhões o risco é muito maior, porque o veículo de grande porte às vezes invade outra pista para fazer uma curva, o espaço entre os veículos diminui e pode prensar o motociclista ou fazer com que ele caia e acabe sendo atropelado. Temos muitos casos assim, infelizmente”.

Os veículos pesados em grande número que trafegam por essas rodovias, em geral também se envolvem em acidentes, como engavetamentos, tombamento além de colisões com outros tipos de veículos. “Se o motorista de carro ou moto for descer para o litoral, opte sempre pela Imigrantes, assim vai evitar o tráfego de caminhões e fará uma viagem mais segura”, aponta Souza.

Se as distrações como o celular, central multimídia ou interação com outros ocupantes, mesmo que por alguns instantes, pode ocasionar um acidente em uma via urbana, na rodovia isso é potencializado por conta da velocidade média maior. Quando se fala em caminhões o potencial é ainda maior. “A Anchieta tem uma incidência maior de mortes de caminhoneiros por conta do declive e do maior número de curvas. Os freios podem sofrer uma fadiga e faltar na descida da serra e uma distração repentina, ou um veículo parado na pista podem ocasionar uma colisão traseira entre caminhões e a carga geralmente esmaga a cabine”, diz o major.

Fernando de Souza diz que muitos acidentes acontecem por imprudência no uso de substâncias que afetam a concentração do motorista. “Os caminhoneiros percorrem longas distâncias vêm de outras rodovias e acessam o sistema para chegar ao Porto de Santos transportando contêineres pesados. O cansaço, o uso de bebida alcoólica e até de substâncias para se manterem acordados causam acidentes graves”, explica.

Quanto aos pedestres, o comandante interino do 1° Batalhão da Polícia Rodoviária, diz que muitas das vítimas atravessam as vias arriscando suas vidas e que há um grande percentual destas pessoas que trafegam às margens das rodovias que se recusam a sair, mesmo com a orientação da polícia. “Há casos de pessoas alcoolizadas, outros que vivem nas ruas e perambulam perto das pistas. A gente orienta, mas não pode retirar dali se eles não querem sair, então a gente oferece um colete reflexivo, como um trabalho preventivo. Também fazemos várias ações junto com as concessionárias para evitar os atropelamentos”, completa o major.

 

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Seção: Cidades