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Publicado em 01/10/2025 - 18:27 / Clipado em 01/10/2025 - 18:27

Intoxicação por metanol afeta venda de bebidas; S.Bernardo e Diadema têm casos


George Garcia 

 

Os casos de intoxicações confirmadas e suspeitas, relacionadas ao consumo de bebidas alcoólicas adulteradas e com metanol, já fizeram pelo menos 14 vítimas na região. Dentre estes casos há 10 internações, com um caso já confirmado de contaminação por metanol e quatro mortes suspeitas. Os casos se concentram mais em São Bernardo, mas Diadema investiga um paciente grave que está na UTI do hospital público. O número de casos acendeu um alerta para o aumento da fiscalização sobre os estabelecimentos comerciais e também deve forçar uma redução no consumo.

Bruna Araújo Souza, de 30 anos, que está internada no Hospital de Urgência de São Bernardo, pode ser uma das vítimas do metanol. O caso ainda não está confirmado, mas seu estado de saúde é grave. A suspeita é de que ela tenha ingerido bebida alcoólica adulterada com metanol. Os relatos são inúmeros em redes sociais, o que tem causado certo pânico. Na terça-feira (30/9), o advogado Marcelo Macedo Lombardi, de 45 anos, foi sepultado no Cemitério da Vila Pauliceia, em São Bernardo. O caso dele é mais um que está sob investigação.

Ainda não se sabe o tamanho do impacto dessas notícias para os setores que comercializam bebidas alcoólicas. Para o presidente do Sehal (Sindicato das Empresas de Hospedagem e Alimentação do ABC), Beto Moreira, diz que a crise já está instalada, e o medo deve fazer com que o consumo caia e gere prejuízos para o setor.

“A retração do consumo virá com certeza. Aquele consumidor que está acostumado a frequentar bares, conhece e confia no estabelecimento eu não acredito que deixe de ir, mas nem sempre o dono do bar sabe que pode ter bebida adulterada no seu estoque. O comerciante não fabrica bebida, ele compra de alguém e é aí que se deve ter cuidado, de comprar em grandes varejistas que dificilmente trarão algum problema”, diz.

Beto recomenda que os comerciantes tenham muito cuidado com os estoques, mesmo na compra em atacadistas conhecidos e, com nota, isso porque alguém pode trazer alguma garrafa de fora adulterada, e trocar por uma que está no estoque do estabelecimento. “Já cheguei a presenciar gente que passava nos bares para comprar garrafas com tampa. Para que será que eles iriam querer isso? Me parece estranho. O comerciante tem de ficar atento ao preço. O valor de uma garrafa de uísque, por exemplo, não deve ser tão diferente de um vendedor para outro, por isso prefira um grande distribuidor”, diz.

O Sehal prepara publicações para orientar associados e os consumidores. O sindicato representa hotéis e restaurantes, já as adegas são representadas pelo SincomércioABC. O RD tentou contato com a entidade e não obteve retorno até o fechamento desta reportagem.

Casos

No Estado são 10 casos de contaminação, sendo um óbito, de um morador de São Paulo. A Secretaria Estadual de Saúde relata 37 casos no total, sendo 10 confirmados, com um óbito, 27 em investigação (entre eles cinco óbitos). Seis estabelecimentos foram interditados, sendo quatro na Capital, um em São Bernardo e outro em Barueri.

A Secretaria ainda recomenda que o paciente com quadro incomum após ingestão de bebida alcoólica deve procurar atendimento médico imediato, realizar exames laboratoriais e avaliação oftalmológica. Os sintomas de alerta são dores abdominais intensas, tontura e confusão mental. O socorro em até 6h após o início dos sintomas é fundamental para evitar o agravamento.

ABC

São Bernardo, cidade onde há mais casos sob investigação, informou que até esta quarta-feira (01/10) a Vigilância Epidemiológica recebeu 13 notificações de suspeita por contaminação de metanol, das quais uma já foi confirmada, sendo quatro óbitos e nove pacientes atendidos na rede hospitalar e urgência e emergência pública e privada da cidade. Destes casos, nove são de pessoas que consumiram as bebidas supostamente adulteradas no município.

De acordo com a Prefeitura, entre os óbitos, todas as vítimas são homens, sendo um de 38 anos que faleceu em 18 de setembro, atendido em um hospital privado; um de 58 anos que faleceu em 24 de setembro e foi atendido no Hospital de Urgência, um de 45 anos que faleceu em 28 de setembro e foi atendido na rede particular e um de 49 anos, que faleceu em casa, em 30 de setembro. Os demais foram atendidos na rede hospitalar e de urgência e emergência do município. Em todos os casos de óbitos, os exames estão sendo realizados pelo IML (Instituto Médico Legal) para confirmar ou descartar a contaminação.

Das vítimas hospitalizadas está uma mulher de 30 anos, internada em UTI no Hospital de Clínicas, sedada, realizando hemodiálise e em acompanhamento com nefrologia e neurologia. Exames confirmaram a contaminação por metanol. Um homem de 26 estava no Hospital de Urgências e deve alta nesta quarta-feira (01/10); outro homem, este de 24 anos, foi atendido na UPA Baeta Neves, apresentando queixa de perda de visão, mal estar e fraqueza, que foi atendido e liberado. Na Upa São Pedro um homem de 24 anos apresentando tremores, visão embaçada, corpo pesado e ardência nos olhos foi atendido e liberado. Uma mulher de 21 anos está internada no Hospital de Urgência com condição clínica estável.

Um homem de 33 anos foi atendido no Hospital de Urgência, com relato de dor de cabeça e fraqueza, mas se evadiu do hospital sem continuar o atendimento. Outro de 50 está internado no mesmo hospital com situação estável, mesma situação de outro homem de 40 anos hospitalizado no mesmo local. Há ainda uma mulher de 55 anos que está hospitalizada no Hospital São Bernardo (particular).

Ainda em São Bernardo, um estabelecimento comercial e lotes de bebidas foram interditados cautelarmente, até a conclusão do caso, em ação conjunta da Vigilância Sanitária Municipal e técnicos da Vigilância Sanitária Estadual (GVS-7). A Polícia Civil também apreendeu algumas garrafas do mesmo estabelecimento e o 7º DP está à frente da investigação criminal.

A Prefeitura de Diadema confirmou que um homem está internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Público Municipal, com suspeita de intoxicação por metanol. Esse é o único caso suspeito na cidade. A Prefeitura apurou que a bebida consumida foi comprada na Capital.

Por orientação da Vigilância Sanitária da Secretaria de Saúde do Estado, as inspeções em estabelecimentos citados em notificação de caso suspeito de intoxicação são realizadas apenas com a presença do Estado e da Polícia Civil. Pois, neste caso haverá interdição cautelar (medida da Vigilância Sanitária) e apreensão das bebidas para realização de perícia (ação da Polícia Civil).

Protocolos

São Caetano não registra casos, mas já se mobilizou em torno de divulgar um protocolo para que as unidades médicas públicas ou não informem imediatamente a vigilância sanitária em casos suspeitos. Uma reunião foi realizada nesta quarta-feira (01/10) para tratar do assunto.

O prefeito Tite Campanella (PL) conduziu o encontro. Hospitais públicos e particulares já foram orientados a notificar a Vigilância Sanitária imediatamente em caso de suspeita de pacientes com intoxicação por metanol. Agentes do departamento farão a interdição cautelar e parcial do estabelecimento que vendeu a bebida, que ficará proibido de comercializar destilados temporariamente, até que os produtos sejam analisados.

As prefeituras de Mauá e Rio Grande da Serra informaram que não registraram casos. Sendo que Rio Grande prevê realizar uma vistoria em estabelecimentos comerciais esta semana. Santo André não enviou resposta.

 

https://www.reporterdiario.com.br/noticia/3711166/intoxicacao-por-metanol-afeta-venda-de-bebidas-s-bernardo-e-diadema-tem-casos/

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Seção: Cidades