Publicado em 28/09/2025 - 07:55 / Clipado em 28/09/2025 - 07:55
ABC já soma mais de 10 mil veículos apreendidos desde 2024, segundo Detran
Amanda Lemos
Mais de 10 mil veículos foram apreendidos nas sete cidades do ABC desde 2024, segundo dados do Detran-SP (Departamento Estadual de Trânsito). Só neste ano, até setembro, já foram recolhidos 3.651 veículos, mais da metade do total registrado em 2024, quando 6.705 automóveis passaram pelo mesmo processo. Parte retorna aos proprietários, mas a maioria acaba abandonada nos pátios e segue para leilão, principalmente devido às altas taxas.
As apreensões ocorrem por diversos motivos, como licenciamento vencido, documentação irregular, más condições do veículo, embriaguez ao volante e estacionamento proibido.
Newsletter RD
email
“Em blitz, por exemplo, não há negociação. Se a situação não estiver regular, o carro é removido. Para retirá-lo, é preciso pagar multas e débitos pendentes, além da taxa do guincho e das diárias do pátio”, explica Ricardo Almeida, que atuou cinco anos como agente de trânsito em São Bernardo.
Após a remoção, o veículo vai para o pátio. Em Diadema, Ribeirão Pires e Santo André, a operação é realizada por concessionárias privadas credenciadas pelas prefeituras ou pelo Detran, com vigilância 24 horas, controle de entrada e setores exclusivos para leilões.
Em Diadema, os veículos recolhidos pelo Detran e pela Guarda Civil Municipal são levados ao pátio da Armatrans Logística Ltda. Em 2024, foram 2.650 apreensões do Detran e 798 da GCM. Até setembro de 2025, os números já somam 1.920 e 2.057, respectivamente. Os veículos permanecem armazenados até que o proprietário regularize a situação ou, em casos de restrições judiciais, por período indeterminado.
Em Ribeirão Pires, o pátio é gerido pela Confiança Brasil Prestação de Serviços. Foram registradas 191 apreensões em 2024 e, até agora, 150 em 2025. Os principais motivos incluem abandono em vias públicas, envolvimento em acidentes, embriaguez ao volante e estacionamento irregular, especialmente em frente a garagens.
Santo André registra o maior número absoluto de apreensões, com 12.413 veículos recolhidos em 2024 e 2025. Os pátios são privados, mas operam sob concessão da Prefeitura, em parceria com o Detran. Caso não seja retirado pelo proprietário, o veículo pode ser transferido para um bolsão e, se não houver regularização, segue para leilão. Já Rio Grande da Serra informou que no período citado (2024 e 2025) não houve recolhas, “pois a Prefeitura realiza adequações legais e administrativas para as recolhas”.
As demais prefeituras não responderam até o fechamento da reportagem.
Custos que pesam no bolso
Os custos para recuperar um veículo variam de acordo com o tipo de automóvel e a cidade:

O problema, segundo os motoristas, é o alto custo de recuperação. No Detran, os valores são padronizados: R$ 407,22 pelo guincho e R$ 40,72 por dia de estadia. Em Diadema, a remoção de um caminhão pode ultrapassar R$ 1.100, sem contar a diária.
“Quando consegui juntar dinheiro, a dívida já era maior que o valor do meu carro. Desisti”, relata Ernesto Araújo Braga, 62 anos, aposentado de Santo André, cujo carro foi apreendido em 2014 por licenciamento vencido. “Com todas as taxas, não valia nem o preço do veículo”, lembra.
Segundo o Detran, se o proprietário não retirar o veículo em até 60 dias, ele é levado a leilão. O processo é regulamentado e transparente:
- Editais oficiais: publicados no Diário Oficial do Estado e em sites de leilões credenciados.
- Quem pode participar: qualquer pessoa maior de idade, seguindo as regras do edital.
- Tipos de veículos: carros e motos em condições de circulação podem ser adquiridos por cidadãos comuns; veículos em más condições, considerados sucata, são vendidos exclusivamente para empresas credenciadas.
- Como funciona: os interessados se cadastram no site, conferem fotos e descrições e dão lances eletrônicos.
- Valores: geralmente abaixo do preço de mercado, mas o comprador assume eventuais débitos anteriores, dependendo do tipo de leilão.
O risco da deterioração
O engenheiro e professor do Instituto Mauá de Tecnologia, Wanderlei Marinho, alerta para os riscos de veículos que permanecem por muito tempo nos pátios. “Um carro parado ao relento sofre ação direta do sol e da chuva: a pintura desbota, o interior cria mofo e a parte elétrica começa a oxidar. Com o tempo, fluidos e baterias podem liberar substâncias tóxicas”, explica.
Segundo Marinho, a degradação depende do estado inicial do veículo. “Se o carro está íntegro, a corrosão demora mais, mas é inevitável. Em poucos anos surgem danos sérios: terminais corroídos, óxidos, deterioração de tubulações e comprometimento de peças. A partir daí, a recuperação se torna mais difícil e cara.”
Por isso, quem pretende comprar veículos em leilão deve ter cautela e avaliar o tempo de exposição e o estado do automóvel antes de investir.
Veículo: Online -> Site -> Site Repórter Diário
Seção: Cidades