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Publicado em 21/09/2025 - 08:09 / Clipado em 21/09/2025 - 08:09

Proibição de celulares nas escolas do ABC gera debate sobre foco e socialização


Henrique Araújo 

 

A proibição do uso de celulares nas escolas do ABC gera efeitos distintos entre estudantes, professores e redes de ensino. A medida, que começou a valer em todo o Brasil após a sanção da lei nº 15.100/2025 em 13 de janeiro, proíbe aparelhos eletrônicos portáteis em escolas públicas e privadas da educação básica da educação infantil ao ensino médio durante aulas, intervalos e atividades extracurriculares. A regra entrou em vigor no início do ano letivo de 2025 e busca reduzir distrações e aumentar a atenção em sala de aula, mas a percepção sobre seus impactos varia conforme a rede escolar e o perfil dos alunos.

Em Mauá, Nycolas Araújo da Silva, de 15 anos, estudante do SESI-079, no Jardim Zaíra, diz que o celular era usado em situações específicas, como quando há professores substitutos ou para pesquisas durante as aulas. “Mesmo nas aulas com professores substitutos, a maior parte do tempo a gente usa o celular para estudar, pesquisar ou produzir vídeos”, comenta Nycolas.

O estudante considera que a proibição não precisava ser tão rígida e sugere liberar o celular em momentos controlados da aula. “Deveria ter um momento para pesquisar ou fazer trabalhos. O celular, usado assim, não atrapalha a aula e ajuda no aprendizado”, acredita.

Em Ribeirão Pires, a estudante Sophia Santos Polydoro, 14 anos, relata experiências diferentes em seu tempo de estudo na Escola Estadual Francisco Prisco, no bairro Santa Luzia. “Na minha escola, o celular nunca foi liberado, só podemos usar com autorização do professor, principalmente quando os computadores estão ocupados ou com problemas. Isso ajuda muito nas pesquisas e nas atividades” afirma.

Sophia percebe melhora significativa no foco e desempenho acadêmico com a restrição. “O foco melhorou muito durante as aulas. Antes, muitas pessoas ficavam dispersas, mexendo no celular. Agora, o índice de acertos nas atividades aumentou”, diz. Entretanto, Sophia critica a proibição nos intervalos, e cita que alunos com ansiedade ou autismo usam o intervalo para relaxar com o celular, ouvir música ou jogar, bem com que as plataformas pedagógicas nem sempre despertam interesse. “Se fossem criativas e atraentes, poderiam prender mais a atenção e evitar distrações”, diz.

 

Do olhar do professor

O professor Victor Ribas Nascimento, de 26 anos, que atua em cinco escolas estaduais de Ribeirão Pires, reforça que a medida trouxe ganhos pedagógicos, como a melhora do foco e aprendizado dos alunos significativamente. “As notas aumentam e a interação nos intervalos também, com mais conversas e jogos. O celular continua liberado para pesquisas, seminários e quizzes, mas sempre com atenção para que não haja distrações”, afirma.

Segundo o docente, o uso do celular em momentos pedagógicos é importante para alunos realizarem pesquisas, apresentar trabalhos e acessar plataformas digitais, mesmo com a proibição em sala de aula. “Ainda é permitido por lei o uso do celular para fins pedagógicos. Peço para que os alunos utilizem em momentos pertinentes, como para pesquisa ou atividades digitais. Isso mantém a disciplina, mas não impede que eles desenvolvam habilidades essenciais para o aprendizado”, afirma.

Victor também observa desafios decorrentes da proibição. “Alguns alunos, sem o celular, tentam se tornar o centro das atenções. É preciso equilíbrio. O rendimento e o desenvolvimento das habilidades melhoram, mas a ausência de distrações faz com que alguns busquem atenção de outras formas. Os computadores ajudam, mas nem sempre há equipamentos suficientes, então o uso controlado do celular ainda é necessário em algumas situações”, explica.

O professor acrescenta que a socialização dos alunos aumenta nos intervalos e que o ambiente escolar, de maneira geral, se torna mais participativo e dinâmico. Mas destaca como principal efeito negativo casos pontuais de alunos que aumentam a indisciplina ou buscam chamar atenção de maneira inadequada.

 

Impacto nas redes 

Em nota, São Caetano diz que os estudantes demonstram maior atenção durante as atividades e ampliam a interação entre si nos intervalos e horários de refeição. “O aumento das conversas e brincadeiras contribui para um ambiente escolar mais participativo e produtivo”, afirma a Prefeitura.

Já em Ribeirão Pires, mesmo sem levantamento oficial, coordenadoras e professores percebem avanços significativos na concentração, participação e no desenvolvimento do pensamento crítico. Também destaca que os alunos estão mais engajados em atividades que exigem debate e colaboração e que a proibição ajuda a reduzir distrações provocadas pelo uso de redes sociais

Para São Bernardo, a rotina escolar na rede municipal não sofreu alterações expressivas, já que estudantes já não costumam levar celulares para a sala de aula. A Prefeitura esclarece que a lei é de competência federal e, por vezes, aplicada na rede estadual. “O acompanhamento do desempenho dos alunos é feito por instrumentos pedagógicos próprios, sem indicadores específicos sobre o uso de celulares”, completa.

 

Somente na EJA

Em Santo André, a restrição ao celular já era prática na educação infantil e no ensino fundamental I. Para os estudantes da EJA, o uso responsável do aparelho é compreendido, em atividades extraclasse e pedagógicas. A Prefeitura reforça que o uso de tecnologias digitais continua incentivado, desde que planejado e alinhado aos objetivos educativos, de acordo com o currículo municipal e a legislação vigente.

Na rede municipal de Rio Grande da Serra, a proibição de celulares impactou pouco, já que a maioria dos alunos atende à educação infantil. A única escola de ensino fundamental, localizada em bairro afastado, enfrenta dificuldades de acesso à internet, e o hábito de não levar celulares para as aulas já era comum. Segundo a Prefeitura, a medida mantém a rotina escolar praticamente inalterada.

As prefeituras de Diadema e Mauá não responderam ao RD até o fechamento da reportagem.

 

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Seção: ABC