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Publicado em 15/09/2025 - 18:27 / Clipado em 15/09/2025 - 18:27

ABC teve 13 óbitos em um ano por doenças ligadas à falta de saneamento


George Garcia

 

Pelo menos 13 pessoas morreram no ABC em 2023, segundo os últimos dados do DataSUS tabulados pelo instituto Trata Brasil. Naquele ano foram 489 internações por doenças evitáveis, que ocorrem por fatores como consumo de água não tratada, esgoto lançado sem qualquer tratamento ou destinação inadequada de lixo. Diarreia, hepatite e outras infecções patogênicas ocorrem por problemas de saneamento.

Os idosos são as vítimas mais vulneráveis; relatório do instituto Trata Brasil naquele ano mostra que no País foram mais de 80 mil internações de idosos por DRSAI (Doenças Relacionadas ao Saneamento Ambiental Inadequado), destes 8.830 pacientes morreram.

No ABC, o instituto indica que a maioria das cidades já está avançada quanto às metas quanto à distribuição de água, são poucas as casas sem receber água tratada, mesmo assim são 45 mil moradores sem uma ligação oficial. Já quanto ao esgoto 116.204 pessoas ainda não tem suas casas ligadas à rede de esgotamento sanitário. (Veja quadro).

No ABC as 489 internações naquele ano e os 13 mortos, incluem pacientes de todas as idades. Segundo o médico infectologista Juvêncio Furtado, as doenças relacionadas ao saneamento afetam de forma mais grave os idosos porque eles têm maior chance de desidratação.

Segundo o médico, a qualidade do tratamento e da distribuição da água devem ser observados. “A origem da água tratada não oferece risco, mas uma tubulação com problemas, com trechos rompidos pode trazer uma contaminação, mas em casa as pessoas também devem ter cuidado com a caixa, que deve ser higienizada pelo menos uma vez por ano”, diz o especialista que é docente da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC).

Cuidados

O idoso tem uma resposta imunológica às infecções muito menor e isso é o que tornam as doenças mais graves nas pessoas com mais idade, principalmente as doenças relacionadas ao saneamento que causam diarreia e desidratação, segundo explica o infectologista. “O idoso tem essa diminuição da resposta imunológica. Se ocorre uma evacuação de três a quatro vezes no dia, isso já pode ser um sinal de alerta, principalmente se a pessoa não está bebendo líquido. Se, além disso a pessoa apresenta também confusão ou evacuações com sangue é hora de procurar uma unidade de saúde porque pode ocorrer uma infecção bacteriana. Outro sintoma que indica que a procura por um médico é urgente é se houver febre, porém dois dias com diarreia já e deve procurar ajuda médica”, orienta.

O médico explica que, mesmo em pessoas idosas, o tratamento com hidratação é simples e em 48 horas o paciente já sente uma melhora. Além das doenças relacionadas à água, Juvencio Furtado chama atenção para outra parte do saneamento que é a destinação do lixo. O lixo jogado nas ruas, ou deixado em horário fora do período em que o caminhão de coleta passa.

“Esse lixo atrai roedores e insetos, pode infectar pessoas com leptospirose, transmitida pela urina de ratos, atrai ainda baratas e insetos, que vão transmitir a dengue, por exemplo. O chorume, aquele líquido escuro que escorre do lixo, pode ainda contaminar lençóis freáticos, deixando água de poço contaminada também. A região tem córregos contaminados, onde há pessoas morando nas margens, nesses locais é preciso uma atuação maior dos agentes de saúde e de programas de habitação para tirar essa população essas áreas”, completa.

Procurada a Sabesp não se manifestou até o fechamento desta reportagem, sobre a atualização dos percentuais de água e esgoto no ABC.

A BRK Ambiental, responsável pelo esgoto em Mauá, destacou o bom percentual de tratamento de esgoto, faixa dos 91%. “O município conta com 95% de coleta e 91% de tratamento do esgoto gerado no município. O percentual de coleta representa cerca de 115 mil residências de um total de 148 mil ligações de água. A cidade se destaca por ter alcançado com 10 anos de antecedência as metas do Novo Marco do Saneamento, que preconiza que até 2033 todos os municípios brasileiros devam ter 90% da população atendida com os serviços de coleta e tratamento de esgoto. Há pouco mais de duas décadas, a cidade Mauá contava com o indicador de 77% de coleta e o índice de tratamento do efluente era de 0%, ou seja, Mauá não tratava seu esgoto”, diz a concessionária, em nota.

Ainda de acordo com a BRK a ocupação desordenada e entraves legais emperram o avanço dos percentuais de esgoto coletado e tratado. “Apesar do avanço dos indicadores de saneamento, um dos grandes desafios para a universalização dos serviços de esgotamento sanitário na cidade de Mauá são imóveis que possuem rede pública coletora de esgoto à disposição na via pública, porém apresentam  dificuldades para que a ligação interna de esgoto ao sistema público seja efetivada pelo morador. Essas situações compreendem ocupações desordenadas, irregulares e imóveis localizados em fundos de vale, onde não é possível implantar rede de esgoto de forma convencional e que dependem de regularização junto ao Poder Público”, completa a companhia.

 

https://www.reporterdiario.com.br/noticia/3702522/abc-teve-13-obitos-em-um-ano-por-doencas-ligadas-a-falta-de-saneamento/

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Seção: Cidades