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Publicado em 15/09/2025 - 18:25 / Clipado em 15/09/2025 - 18:25

Ensino em período integral avança pouco no ABC e especialista aponta atraso


George Garcia 

 

O ABC tem pelo menos 348 escolas municipais com ensino em período integral, esse número corresponde a seis municípios da região (Mauá não informou) e a maior parte destas unidades escolares são creches ou pré-escola. Na rede estadual desde 2023 apenas duas escolas entraram no PEI (Programa de Ensino Integral) e hoje são 104 com horário estendido. Para o especialista em educação André Stábile, diretor do Instituto Educacionista e ex-secretário de Educação de São Caetano, o Estado e o ABC estagnaram na evolução do ensino para o modelo de período integral. O número de estudantes em período maior nas redes estadual e municipais pouco avançou nos últimos dois anos, sendo que a maior parte do que teve avanço está mais ligado à creche e pré-escola. “Estamos estagnados com esse atraso. As escolas em tempo parcial são uma perversidade contra o desenvolvimento da aprendizagem”, aponta o especialista.

“Estamos gravemente atrasados”, diz Stábile. “Eu diria que investir no ensino integral no Fundamental I, II e Médio seria o mínimo como acontecem em países que prezam pela educação. O número de escolas em tempo integral no país se manteve em patamares muito baixos quando o mundo já superou esse debate, com escolas de ensino fundamental e médio em tempo integral. Isso acontece porque a complexidade dos séculos XX e XXI demonstraram que cobrir os conhecimentos, desde a alfabetização, passando pelos conhecimentos socioemocionais, e outra habilidades, não dá para fazer em tempo parcial, não é só um conteúdo raso de decoreba; o aluno precisa ter tempo, refletir e precisa da integração de outras políticas públicas no ambiente escolar”, diz o educador.

André Stábile diz que centros educacionais com diversas atividades contribuem para a evolução dos alunos em várias áreas do conhecimento. “As crianças precisam ter, além da escola, um suporte para sua saúde, alimentação e assistência social, além disso as escolas em tempo integral podem propiciar todas as atividades culturais e também de esportes, além de despertar a consciência ambiental. Isso tudo não dá para fazer em quatro horas, com um intervalo no meio. Só existem escolas assim (período parcial) por falta de um plano nacional de educação que transforme essas escolas em colégios federais de período integral”.

Estado

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) informa que, no ABC, há 104 escolas participantes do PEI, apenas duas a mais do que em 2024 e 2023. Nessas escolas, estão matriculados cerca de 46,8 mil estudantes. Segundo a secretaria, para uma escola aderir ao PEI é necessário um processo. “Para uma unidade aderir ao PEI, é necessária uma escuta qualificada da comunidade escolar, com a apresentação de todas as características e explicações sobre o Programa. Após isso, a documentação é enviada à Unidade Regional de Ensino, que realiza a análise e validação. O documento é então encaminhado à Seduc-SP, que avalia as mudanças pedagógicas e de carga horária, emitindo um parecer sobre a adesão”, informa nota da pasta.

A Seduc-SP informa ainda que deseja continuar com o projeto de expansão do ensino em tempo integral, ampliando a oferta para mais escolas em 2026″, informa a pasta. Atualmente são 17 escolas PEI em Diadema, nove em Mauá, outras nove em Ribeirão Pires, 30 em Santo André, 35 em São Bernardo e quatro em São Caetano.

Santo André

Nas redes municipais se observa também que a maior parte das unidades com ensino em tempo integral são creches e pré-escola, que atendem alunos de até cinco anos de idade.

Em Santo André são 51 unidades com oferta de atendimento de período integral, incluindo creches, Emeis e Emeief. “Em 2023 o atendimento em período integral das crianças (0 a 3 anos) era de 48%, das crianças de 4 e 5 anos o atendimento integral representava 1% e das crianças do Ensino Fundamental eram de 7%. Em 2024 o atendimento em período integral das crianças (0 a 3 anos) passou para 53%, das crianças de 4 e 5 anos o atendimento integral passou para 3% e das crianças do ensino fundamental 6%. Em 2025 o atendimento em período integral das crianças (0 a 3 anos) passou para 57%, das crianças de 4 e 5 anos o atendimento integral passou para 4% e das crianças do ensino fundamental se mantiveram em 6%”, detalha nota da prefeitura. A prefeitura diz que a demanda é estável. “Atualmente o atendimento de período integral é estabelecido em territórios onde a demanda de acesso encontra-se acomodada e estável, possibilitando a ampliação do tempo em que a criança fica na escola”, diz o comunicado.

São Bernardo

A Prefeitura de São Bernardo diz que são 105 EMEBs e 45 creches conveniadas ao município, totalizando 150 escolas em período integral. “Esse número representa aumento na oferta de vagas para o período integral. Em 2023 foram 23.933 estudantes matriculados, em 2024, 25.916 e, em 2025, até o momento, são 28.128 estudantes matriculados em período integral, nas faixas etárias de creche ao ensino fundamental”, conta o município sobre a evolução desse período. A educação municipal informa que são analisados fatores como o número de estudantes matriculados e a ocupação das unidades, para definir pelo período integral. “A partir dessas informações, os dados são encaminhados à área pedagógica, que avalia as condições de infraestrutura e a disponibilidade de espaços nos prédios escolares, possibilitando a definição de quais escolas poderão ofertar o atendimento em tempo integral”, diz a prefeitura.

São Caetano

A Prefeitura de São Caetano diz que no início do ano foi implementado o Programa Aprender Mais, que reformulou e reorganizou o Ensino Integral no município. A ação surgiu a partir de escuta de famílias de estudantes e da comunidade escolar, para aprimorar a oferta nas escolas. “Atualmente são 46 Escolas de Educação Infantil e 9 Escolas de Ensino Fundamental I que oferecem Educação em Tempo Integral”, sustenta o paço sancaetanense.

Diadema

Em Diadema são 39 creches e 21 escolas de Ensino Fundamental que oferecem Educação Integral, estas por meio do programa Novo Mais Educação. A prefeitura diz que o número de escolas com esse período estendido está estável desde 2023. O município tem 8.122 alunos nas creches e 7.838 no Ensino Fundamental estudando em período integral. A prefeitura diz que tem previsão de fortalecimento do programa Novo Mais Educação, por meio do estabelecimento de convênios e parcerias que ampliem as oportunidades educativas.

Ribeirão Pires

Ribeirão Pires possui 22 Unidades Escolares na modalidade de ensino integral. A prefeitura diz que houve um aumento do número de alunos neste tipo de carga horária de ensino. “Em 2023 tínhamos 2.012 alunos em ensino integral, em 2024, 2.287 alunos e em 2025, até o momento, 2.300 alunos. “A Secretaria de Educação segue monitorando constantemente as demandas existentes e estudando possibilidades de adequações no atendimento em tempo integral, de forma a garantir a qualidade da oferta já existente e alinhar eventuais ajustes às necessidades da comunidade escolar”, diz nota do município.

Rio Grande da Serra

Em Rio Grande da Serra 10 escolas funcionam em regime integral. A prefeitura cita aumento nos atendimentos de alunos do Ensino Integral; eram 548 alunos em 2023 e hoje são 653. A prefeitura diz que há estudos para ampliação do programa avaliando os critérios, os espaços e as demandas.

 

https://www.reporterdiario.com.br/noticia/3702581/ensino-em-periodo-integral-avanca-pouco-no-abc-e-especialista-aponta-atraso/

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Seção: Educação