Publicado em 12/09/2025 - 19:45 / Clipado em 12/09/2025 - 19:45
Aposta do Brasil no Mundial de Atletismo brilha no salto com vara e ganhou elogios de Fabiana Murer
Juliana Campos quebra a própria marca por cinco vezes em 2025, alcança segunda melhor marca de uma brasileira na modalidade e vira esperança de medalha em Tóquio
Por Rodrigo Sampaio
Juliana Campos comenta elogio de Fabiana Murer e expectativa no Mundial: ‘Quero curtir o momento’
Atleta do salto com vara alcança segunda melhor marca de uma brasileira na modalidade e é esperança de pódio na competição em Tóquio.
O ano de 2025 já tem um lugar especial no currículo de Juliana Campos. A atleta de 28 anos está em um momento de destaque em sua carreira, com uma sequência impressionante de cinco recordes no salto com vara, elevando sua marca pessoal em 16 centímetros em um curto período. A ascensão notável coloca a paulista de São Caetano do Sul como uma das esperanças do Brasil no Mundial de Atletismo, que começa neste sábado, 13, em Tóquio.
Juliana Campos mudou seu patamar em 46 dias, quebrando por cinco vezes sua melhor marca pessoal. Em 2 de junho, saltou 4,63m em Rovereto, na Itália, tornando-se a primeira brasileira a alcançar o feito em uma década. No dia 24, fez 4,66m e ficou com a prata no Golden Spike de Ostrava, República Checa, e subiu a marca para 4,68m em 6 de julho, no Fly Athens, na Grécia, quando também foi prata.
O índice para o Mundial veio no dia 13 de julho, quando ela saltou 4,73m e venceu o Campeonato Nacional de Clubes Portugueses da 2ª Divisão. Mas não parou por aí: cinco dias depois, 18, ela saltou incríveis 4,76m em Silandro, na Itália, estabelecendo a segunda melhor marca de uma brasileira na modalidade, atrás apenas de Fabiana Murer, cujo recorde é de 4,87m — a campeã olímpica, inclusive, já disse que a atleta pode ser sua sucessora e que o “brilho” está de volta ao País no salto com vara.
“Ela deixou o sarrafo muito alto, então é uma honra poder estar traçando o mesmo caminho que ela”, disse Juliana Campos, em entrevista ao Estadão. “Quero poder chegar onde ela chegou. Acho que as pessoas não têm noção da grandiosidade de tudo o que ela fez. Se o meu objetivo for bater um dia o recorde sul-americano, não é simplesmente saltar um pouco, tenho que saltar muito, porque ela saltou muito. É muito legal ter esse tipo de referência e receber esse tipo de energia para continuar trabalhando.”
Juliana Campos buscou recomeço na Itália para reencontrar a felicidade
Após as Olimpíadas de Paris, quando fez 4,40m e ficou fora da final, Juliana se questionou se conseguiria continuar por mais quatro anos com o mesmo nível de entrega. A paulista sentiu a necessidade de se renovar para o ciclo de Los Angeles e decidiu fazer a preparação fora do Brasil. “Eu precisava de alguma coisa para me mover, para renovar a minha energia”, afirmou.
O lugar escolhido para começar o novo capítulo de sua carreira foi Padova, na Itália, onde se mudou em fevereiro. A definição do local passou por um processo minucioso realizado pela própria Juliana. Ela montou uma lista de atletas que tinham um estilo de salto parecido com o seu — aos 28 anos, não queria “virar o mundo de cabeça para baixo”, diz — e se baseou nos resultados do trabalho de diferentes treinadores. Foi assim que chegou ao nome do italiano Marco Chiarello.
Não somente os resultados foram levados em consideração. Juliana também buscou um treinador com perfil mais compreensivo, similar aos de Karla Rosa da Silva e Elson Miranda, com quem trabalhou anteriormente. Ela conta que desenvolveu um bloqueio nas últimas passadas depois de um acidente no qual quebrou o nariz. Por isso, o estilo linha dura dos russos, experimentado anos antes, foi descartado.
Segundo Juliana, os treinos realizados nos últimos meses com Chiarello são focados especialmente na potência, o que a ajudou a alcançar marcas invejáveis em 2025.
Eu acho que o que faltava para mim era conseguir estar feliz no salto com vara. Estou feliz com a minha (parte) técnica, com os resultados. Tudo isso tem servido de combustível - Juliana Campos, atleta brasileira do salto com vara
A adaptação na Itália foi tranquila, segundo a atleta, que mora em Padova com o marido. Ela conseguiu manter a mesma dieta que tinha no Brasil, focada em frutas e legumes in natura, e confirmou a percepção de que o país, entre os europeus, seria o mais “latino”. A recepção dos colegas nos treinamentos a fez se sentir em casa rapidamente e os treinos “indoor”, ou seja, em locais fechados, minimizou os impactos da diferença no clima.
Juliana treina com um grupo que, além de atletas de alto rendimento, também inclui pessoas para o foco recreativo. Trata-se do salto com vara “lifestyle” (estilo de vida, na tradução literal), com adolescentes, crianças, e até idosos praticando a modalidade. “Eles estão curtindo o esporte simplesmente pelo que ele é. Isso, de alguma forma, renovou minha energia e me fez lembrar do quão divertido é.”
Juliana mira alto em Tóquio, mas sem tirar os ‘pés do chão’
Apesar de despontar como um dos destaques para o Mundial de Atletismo, Juliana Campos evita transformar a expectativa em peso. A atleta do Praia Clube/Força Aérea Brasileira, que também é apoiada pelo Bolsa Atleta e Espaço Laser, lembra que já viveu situação semelhante em 2018, quando saltou 4,56m, foi apontada como promessa e acabou se cobrando além da conta. Agora, mais madura, diz que prefere manter os pés no chão e encarar o torneio como parte de um processo, sem pressa de resultados imediatos, e focada em atingir o primeiro objetivo, que é chegar na final.
“Eu não pretendo me colocar um peso desse tamanho porque espero que seja só o começo do que pode ser muito melhor nos próximos anos. Então eu só quero curtir esse momento, continuar saltando bem, saltando feliz e vamos ver o que acontece”, afirma, destacando que encara Tóquio como o início de um ciclo de três temporadas em que espera atingir seu auge na Olimpíada de Los Angeles.
Juliana Campos reconhece que o Mundial trará desafios inéditos para sua carreira. Será apenas a segunda edição que participa e, pela primeira vez, poderá encarar uma sequência de qualificação e final em dias diferentes, algo novo e que vai exigir tanto da parte física quanto mental. A brasileira projeta uma competição de altíssimo nível, com a necessidade de superar marcas em torno de 4,65m ou 4,70m para avançar.
“O mais importante da qualificação é tentar fazer uma prova limpa e tomar boas decisões. Se conseguir isso, talvez não precise saltar tão alto, mas se não der, tem que estar pronta para ir ainda mais longe”, afirma.
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Seção: Notícia