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Publicado em 07/09/2025 - 07:58 / Clipado em 07/09/2025 - 07:58

Fuga da violência afeta mercado imobiliário no ABC; veja os pontos com mais ocorrências


George Garcia 

 

Levantamento feito pelo RD junto aos números oficiais da segurança pública no ABC mostra quais são os bairros mais violentos no quesito roubo, que inclui os de veículos, que vitimam pessoas nas ruas e ataques ao comércio e residências. Dentre os cinco bairros com maior número de casos registrados em cada cidade, entre janeiro e julho deste ano, estão as regiões centrais, bairros nobres e os mais periféricos. O mercado imobiliário sente dificuldade em negociar imóveis nestas localidades e relata migração para outros bairros e até para o Interior por causa da violência.

Para Nilson Ferreira, proprietário da Guaíra Imóveis, uma das imobiliárias com maior presença no ABC, hoje o fator segurança pública é o ponto mais importante avaliado pelos interessados na compra ou locação de imóveis. Isso faz com que os endereços onde ocorrem mais crimes fiquem marcados e isso desvaloriza o bem.

“Hoje quem procura um imóvel para morar abre mão até de comodidades, como ter centro comercial próximo, e prefere um lugar com menos infraestrutura em nome da segurança. Antes o fator financeiro era o que motivava a mudança de bairro ou cidade, agora é a segurança”, analisa.

Bairro nobre

Pesquisa feita pela Guaíra, sobre os negócios fechados até agosto deste ano, converge, em parte com os números de roubos apresentados pela Secretaria de Segurança Pública. Para Ferreira, não é surpresa o Bairro Jardim, em Santo André, aparecer entre os mais afetados por roubos na cidade, segundo ele o bairro mais nobre chama a atenção de quem quer praticar os delitos, assim como o Centro atrai pelo grande número de consumidores e comércio.

Situações como roubos e também furtos em pequenos condomínios sem portaria estão também incomodando moradores, segundo Ferreira. “Isso já trouxe algum reflexo”, aponta. Mas, segundo o gestor, há providências que os agentes da segurança adotam que podem interferir, e até mudar para melhor, a situação dos bairros. Cita como exemplo o Parque dos Pássaros, em São Bernardo. Conhecido por casas de alto padrão, tinha alto índice de criminalidade o que afugentava interessados nos imóveis. “Fizeram uma companhia da PM ali perto e o bairro voltou a ficar interessante”, diz.

Roberto Casari, que dirige a Casari Imóveis, imobiliária da região com 40 anos de tradição, também destaca o fator segurança pública como “extremamente importante” na escolha do imóvel para comprar ou alugar. “O que se vê é muita gente fugindo da violência e várias vezes deixamos de fechar negócio por causa disso”, comenta.

Rudge Ramos 

O problema, segundo Casari, são as rotas de fuga mais facilitadas por grandes avenidas e rodovias. “O bairro do Rudge Ramos, por exemplo, é um dos mais tradicionais e nobres da cidade, com muita procura, e ainda é o segundo melhor bairro em procura em São Bernardo, mas com a insegurança ficou mais complicado. Segundo Casari, as ruas ficaram mais perigosas, pois alguns estabelecimentos no entorno da Metodista fecharam e ficou mais ermo. Em outros bairros, como o Jardim do Mar, onde há uma vida noturna, acontecem também mais casos porque tem muita gente e as rotas de fuga são fáceis pela Anchieta, que fica do lado, o que também afeta o Rudge e o Centro expandido da cidade”, analisa.

O trânsito parado perto dos centros é outro fator de insegurança, segundo Casari. “Eu vejo uma piora na segurança nos últimos dois anos porque o trânsito ficou mais travado, tem mais carro nas ruas, e onde o trânsito fica parado tem muito bandido que usa moto para roubar celular. Então as pessoas ainda procuram um lugar mais perto do trabalho e perto da escola dos filhos, mas não adianta ter tudo isso se não tiver segurança, que hoje é o primeiro fator a ser analisado”, diz.

Casari e Ferreira consideram que a insegurança tem empurrado as famílias para apartamentos e, quem pode, condomínios clube, pela infraestrutura de esportes, lazer e comércio próprios. “Esses condomínios clube estão crescendo porque as pessoas estão com medo de sair, a saída é sempre o momento mais crítico, as pessoas geralmente são pegas entrando ou saindo de casa ou do condomínio onde moram”, completa o proprietário da Guaíra.

Em Santo André

Santo André teve 871 roubos este ano, contabilizados até o mês de julho, em média quatro roubos por dia. Destes, a maioria foi no Centro, com 69 registros. Na sequência, aparecem a Vila João Ramalho, com 28 ocorrências do tipo; Vila Luzita, com 27; o Parque Novo Oratório, com 22, e Bairro Jardim teve 21 casos. O destaque fica para a Estrada Cata Preta, na Vila João Ramalho, que responde por 16 casos do total no bairro.

São Bernardo registrou nos sete primeiros meses deste ano 810 casos de roubo, 3,8 casos, em média, por dia. Novamente o Centro é onde acontecem mais episódios pela forte circulação e do comércio. Foram 70 roubos registrados nesta região central. A praça Samuel Sabatini, a avenida Marechal Deodoro e rua Jurubatuba são os endereços mais frequentes para roubos nesta região.

Em segundo lugar, em São Bernardo, aparece Rudge Ramos, com 60 casos. As avenidas Caminho do Mar e Senador Vergueiro são os pontos mais críticos para roubos. Em terceiro aparecem, empatados, o Baeta Neves e o bairro Alvarenga, com 54 boletins de ocorrência registrados por roubo. No Baeta, só a rua dos Vianas teve 13 roubos registrados.  O Alvarenga é a região que pode ser considerada exemplo de que a insegurança não é situação corriqueira nos centros e bairros nobres. Alem dele, em São Bernardo, tem o Montanhão, quinto colocado no ranking, com 47 casos.

São Caetano

Em São Caetano foram 78 roubos contabilizados até julho deste ano, 19 deles ocorreram no Centro, sem um ou outro ponto com maior incidência. O bairro Fundação aparece em segundo lugar com 11 ocorrências do tipo, sendo que a rua Heloisa Pamplona e a avenida Conde Francisco Matarazzo foram as mais frequentes em roubos com dois registros em cada. Os bairros Boa Vista, Nova Gerti e Santo Antônio aparecem na sequência empatados com seis casos cada um.

Centro de Diadema

Diadema registrou 480 roubos em sete meses, mais de dois por dia. O Centro é o bairro com maior número de casos, um em cada quatro roubos no município ocorreu nesta área; foram 109 roubos no coração da cidade. As avenidas Alda e Manoel da Nóbrega são os endereços mais frequentes nos boletins de ocorrência para roubo registrados este ano segundo a Secretaria de Segurança Pública, com seis e sete casos, respectivamente.

Depois do Centro de Diadema, a Vila Conceição é o bairro com mais casos de roubo, com 58 ocorrências deste tipo este ano, com a avenida Ulisses Guimarães como local mais frequente para roubos neste bairro, com sete ocorrências. Já em região mais periférica, o bairro Eldorado aparece em terceiro lugar com 48 roubos registrados. A avenida Nossa Senhora dos Navegantes, com oito casos, e a Estrada Pedreira Alvarenga, com quatro, são os locais com maior número de ataques.

A Vila Nogueira, ainda em Diadema, teve 36 roubos contabilizados e é o quarto bairro com mais assaltos, sendo que a avenida Casa Grande e a avenida Ulisses Guimarães (em outro trecho) são os locais preferidos dos bandidos, com quatro e seis casos de roubo registrados até julho deste ano, respectivamente. Em quinto lugar está o Jardim Casa Grande, com 34 roubos.

Jardim Zaíra em Mauá

Se na maioria das cidades o Centro e bairros nobres estão entre os mais frequentes para roubo, em Mauá um bairro da periferia da cidade é o que tem mais registros. A cidade teve 353 roubos este ano e até julho, destes 59 foram registrados no Jardim Zaíra. O endereço mais frequente para roubos neste bairro é a avenida Presidente Castelo Branco que teve sete boletins de ocorrência registrados no período. O Centro é apenas o segundo lugar em roubos em Mauá, com 29 casos registrados e bem distribuídos pela área, sem um ponto mais frequente.

Em terceiro lugar entre os bairros mauaenses aparece a Vila Magini em número de roubos, com 26 situações, sendo que as avenidas Washington Luiz e Rosa Fioravante são as que mais apareceram nos boletins de ocorrência com nove e sete casos, respectivamente. O bairro Vila Nova Mauá com 15 casos é o quarto lugar e a Estrada Adutora Rio Claro aparece nos números da SSP como o endereço mais frequente destes casos no bairro, este ano, com quatro registros. A Vila Assis Brasil fecha o top 5 de bairros com mais roubos, com nove registros.

Centro de Ribeirão Pires

Ribeirão Pires teve 70 roubos registrados este ano até o mês de julho. O Centro teve oito casos e a rua do Comércio e a rua João Domingues de Oliveira são os locais onde os bandidos mais atacaram com dois registros em cada via. O Jardim Santa Luzia tem sete casos e fica com o segundo lugar; a estrada Sapopemba sozinha respondeu por cinco destes casos. Essa estrada aparece citada também em outro bairro, o 4ª Divisão com mais uma ocorrência. Em terceiro no ranking de bairros com mais roubos aparece o Centro de Ouro Fino Paulista, com cinco registros; em quarto vem a Vila Suely, com três roubos. Os bairros Barro Branco, Bocaina, Casa Vermelha, Jardim do Mirante, Pilar Velho, Petrópolis e São Caetaninho dividem a quinta colocação com dois casos cada.

Rio Grande da Serra teve 18 roubos este ano. Como em Mauá, não foi o Centro o local mais afetado. A Vila Lavínia é o bairro mais citado com cinco ocorrências, sendo a avenida Jean Lieutaud citada duas vezes e a Estrada Guilherme Pinto Monteiro, entre o Centro e o bairro Recanto Alpino, mencionada nos relatórios da polícia por três vezes.

 

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