Publicado em 05/09/2025 - 18:23 / Clipado em 05/09/2025 - 18:23
Balança comercial do ABC com os EUA tem perda de US$ 21 milhões com tarifaço
Redação
A balança comercial entre as empresas exportadoras do ABC e os EUA se desequilibrou com o tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros. A relação comercial, que em agosto do ano passado era favorável em US$ 11,3 caiu para um déficit de US$ 9,6, uma queda de US$ 21 milhões, em agosto deste ano. Esse foi o primeiro mês, sob os reflexos da taxação sobre os produtos brasileiros. Os dados foram divulgados esta semana pelo segundo dados divulgados pelo MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e Serviços).
Para o economista e gestor do curso de Ciências Econômicas da USCS (Universidade Municipal de São Caetano do Sul), Volney Gouveia, essa queda de US$ 21 milhões na balança comercial do ABC com os Estados Unidos já é reflexo do tarifaço imposto pelo presidente americano Donald Trump. “Não é ainda um volume muito expressivo diante do PIB do ABC, de US$ 163 bilhões, é até algo ok ainda, mas estamos no primeiro mês de validade das medidas impostas pelos EUA. Isso mostra que o nosso PIB ainda está descolado dessa taxação, mas isso pode mudar”, analisa.
A queda nas exportações é importante em praticamente todos os segmentos. O setor de metais exportou em agosto de 2024 US$ 22,2 milhões para os EUA, volume que caiu para US$ 8,8 milhões em agosto deste ano. A balança neste segmento foi superavitária em US$ 18,8 milhões naquele período do ano passado e só não foi negativa no mês passado porque as importações entre o ABC e os Estados Unidos também caíram. O setor ainda fechou com US$ 6,3 milhões positivos na balança.
Outro segmento que teve um comportamento muito diferente do verificado no ano passado foi o de máquinas, peças e componentes eletrônicos de imagem e som. Esse segmento vendeu para os EUA em agosto deste ano um quarto do que vendeu no mesmo período do ano passado, foram US$ 6,3 milhões este ano e US$ 22,5 em agosto de 2024.
Para Volnei Gouveia o o setor de máquinas é muito estratégico como também o de metais em geral para o ABC. “Essa indústria é muito forte, emprega muita gente e interfere tem outro setor que também é muito importante que é o de serviços. O Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) divulgou estudo de que o tarifaço vai impactar em 800 mil empregos no país, uma parte disso pode estar aqui no ABC”.
O futuro desse mercado entre as indústrias do ABC e os compradores americanos é difícil de prever ainda, por ser o primeiro mês dessa taxação. “Tem uma defasagem temporal, pois muitos contratos foram fechados antes da carta do Trump anunciando tarifaço, mas não é exagero considerar o mês de agosto como um termômetro. A carta foi anunciada em abril e já causou um estrago, então a totalização dessa balança comercial entre a região e os Estados Unidos já é reflexo desse tarifaço”, analisa o economista da USCS.
Volney Gouveia destaca um setor que não apenas ainda não sofreu o efeito do tarifaço como cresceu em um ano, destoando dos demais. Trata-se do setor de plásticos e borracha. Esse segmento exportou perto de US$ 3 milhões em agosto do ano passado e mais de US$ 21 no mês passado. “Eu diria que a balança comercial do ABC com os EUA só não foi pior por causa desse setor que compensou outras perdas”, aponta. O professor de economia cita ainda preocupação com a indústria de armamento e munições no ABC, focada principalmente na CBC que fica em Ribeirão Pires, o segmento exportou metade do volume negociado em agosto do ano passado. (Veja Quadro)
A esperança, segundo Gouveia, é que o Brasil está com índice de desemprego baixo e com economia aquecida, o que pode fazer com que trabalhadores que venham a perder seus empregos sejam abrigados em outras empresas ou setores. “As empresas brasileiras ainda podem ter um deslocamento da sua produção para o mercado interno que está aquecido. O governo federal já fez acordos também com os chineses em vários setores e está buscando outros mercados. Na minha opinião o Brasil tem saídas e esse tarifaço será pior para os americanos do que para nós”, completa.
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Seção: São Caetano