Publicado em 02/09/2025 - 18:25 / Clipado em 02/09/2025 - 18:25
BRT-ABC responde a Tarcísio que viaduto atrasa obra e mais um turno já é considerado
George Garcia
Depois da fala em tom de cobrança do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) sobre o andamento das obras do BRT-ABC, que ele considera lentas, o consórcio que realiza as obras do corredor entre o ABC e a Capital, diz que as alterações no projeto, que agora conta com viadutos mais longos, os prazos para desapropriações e obtenção de licenças ambientais é que atrasam o projeto. O porta-voz do BRT-ABC, Flamínio Fichmann diz que a sugestão dada pelo governador, de incorporar mais um turno de trabalho para que as obras avancem, já é considerada pelo grupo empresarial.
Em evento no ABC, no dia 29/08, o governador criticou o andamento das obras do corredor e ameaçou até trocar a empresa concessionária se a obra não avançar. “A gente está muito desconfortável com essas obras do BRT. A minha ideia é já partir para a aplicação de sanções e pactuar com a empresa”, disse o republicano. Tarcísio disse que primeiro disse que o avanço da obra é lento e que se o trabalho continuar em turno único o cronograma de entregar até outubro de 2026 não será cumprido. “Tem seis grandes obras de arte para fazer e elas sequer iniciaram. Então, se a gente não avançar com mais de um turno ou nós não vamos atingir o objetivo. Então, isso vai ser cobrado, sob pena, inclusive, de eventualmente decretar a caducidade da concessão. A ideia é impor mais de um turno de trabalho para que a gente possa cumprir o cronograma, sob pena de aplicar todas as sanções contratuais e ter uma regulação sendo aplicada com mão pesada”, ameaçou o governador.
Fichmann minimizou o tom do governador e disse que as cobranças fazem parte do processo. “Ele como contratante tem o direito de cobrar e a gente tem que ter o direito de explicar porque é que está demorando mais. Houve alterações no projeto com elevados mais extensos, por conta de desapropriações e liberação de licenças ambientais. O governador quer ver a obra a todo vapor e ele está certo, mas teve essas estruturas adicionadas ao projeto. Essas obras já estão com projeto executivo e em fase final de contratação e nós estamos em conversas com a Artesp (Agência Reguladora de Transportes do Estado de São Paulo), por isso ficamos surpresos com a declaração do governador”, disse o porta-voz.
Segundo o representante do BRT-ABC mais de 50% do pavimento de rodagem do corredor já foi executado, mas não adianta agora colocar um turno a mais para trabalhar nas pistas enquanto as obras de arte (viadutos e elevados) não estiverem com obras adiantadas. “A gente vai precisar sim de mais um turno de trabalho nas obras dos viadutos, pontes e elevados, mas na pista comum não faz sentido. A gente tem uma obra muito grande, de um elevado de sete quilômetros no último trecho já em São Paulo, então essas são as dificuldades”, explica.
Segundo Flamínio Fichmann por conta dessas alterações no projeto o prazo oficial pode não ser atingido, mas alternativas podem ser combinadas com o governo, talvez com a inauguração de trechos da obra. Os custos do corredor de ônibus já subiram cerca de 40% com as alterações no projeto e outros custos. “Inicialmente o corredor custaria R$ 860 milhões, o último levantamento está em R$ 1,2 bilhão, e não me surpreenderia se chegasse a R$ 1,5 bi, mas o importante é que não importa isso para o governo, que não vai gastar nada é tudo pela Next Mobilidade que ganhou a concessão”, completa o porta-voz.
Obra
O BRT-ABC terá 16 estações e três terminais. A extensão será de 17,3 km entre o centro de São Bernardo e o Terminal Sacomã (na Capital). O sistema prevê 92 ônibus articulados elétricos de 21,5 m, com recarga de oportunidade na rede aérea, o e-Trol. As viagens de e-Trol serão realizadas por 12 ônibus no Expresso (40 minutos – do Terminal São Bernardo ao Sacomã); 34 no Semiexpresso (43 minutos – só parando em cinco paradas; e nos terminais São Bernardo, Tamanduateí e Sacomã); e 30 no Parador (52 minutos – todas as 16 paradas).
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Seção: Cidades