Publicado em 31/08/2025 - 07:56 / Clipado em 31/08/2025 - 07:56
Cinco cidades do ABC estão entre as dez com maior volume de furto de fios
George Garcia
Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema e Mauá estão no top 10 das cidades com maior número de furtos de cabos de energia registrados pela concessionária Enel entre janeiro e julho deste ano. Essas mesmas cidades estavam nesta lista no ano passado, a diferença é que em quatro delas houve queda no número de ocorrências, mas em Diadema, o número subiu 186% comparando os sete meses iniciais deste ano com o mesmo período do ano passado.
O número de Diadema, juntamente com o de Cotia, na Grande São Paulo, destoam da tendência de queda deste tipo de ocorrência. Em toda a sua área de concessão, que corresponde a 24 cidades do Estado a queda foi de 42% deste tipo de crime, segundo os dados da Enel, passando de 6.080 casos em sete meses de 2024 contra 3.499 neste ano. Não há uma explicação clara sobre o que faz duas cidades terem alta nos números, já que houve apreensões e prisões de pessoas por furto de fios e cabos de energia. Em geral esses delitos acontecem não muito longe de depósitos de ferro velho que compram o cobre, o material mais nobre da fiação.
Segundo a Enel, depois da Capital e de Osasco, surgem as cidades do ABC no ranking das 10 com maior número de casos. Primeiro vem Santo André, na terceira posição com 187 casos este ano e 374 clientes impactados por esses crimes. Em quarto e quinto lugares surgem outras duas cidades do ABC, São Bernardo e Diadema, com 113 e 63 furtos, respectivamente. Na sexta e sétima posições aparecem empatados em número de furtos, Cotia e Mauá, com 41 casos. Em oitavo vem Carapicuíba, com 38 furtos; seguida de perto por São Caetano, com 36, e Itapevi, com 24 situações fecha a lista das dez.
Comparando com o ano passado, é possível ver que Diadema subiu da nona posição verificada em 2024, quanto teve 22 casos nos primeiros sete meses do ano, para o quinto lugar no ranking, com 63 casos.
Em locais onde a fiação é subterrânea, como em alguns bairros da Capital as tampas de ferro foram substituída por outras de concreto, muito mais pesadas, sendo necessário maquinário para içá-las. Isso seria um fator de inibição dos furtos, segundo a Enel, mas em outras regiões, como o ABC, outras medidas são utilizadas. “A Enel tem investido numa série de tecnologias para supervisionar equipamentos, também aplicáveis à rede aérea, como implantação de alarmes, sensores e monitoramento de forma remota para flagrar a atuação dos criminosos. Nas áreas mais críticas, a distribuidora ainda reforça ações de Segurança Patrimonial”, informou a companhia.
A Secretaria de Segurança Pública, questionada sobre ações para inibir o furto de cabos no ABC, não deu números sobre apreensões e prisões relacionadas a este tipo de delito na região, informou apenas números totais de pessoas presas e armas apreendidas na região.
“As forças de segurança do Estado de São Paulo seguem atuando de forma integrada no combate a diversas modalidades criminosas, incluindo os furtos e roubos de cabos da rede elétrica na região do ABC. A Polícia Militar tem intensificado o patrulhamento com base na análise dos indicadores criminais e a Polícia Civil desenvolve investigações e operações com foco nos receptadores que financiam e mantêm essa cadeia criminosa. O trabalho conjunto das polícias tem gerado resultados: no primeiro semestre de 2025, foram presos ou apreendidos 4.155 infratores no ABC — alta de 1,9% em comparação ao mesmo período de 2024. No mesmo intervalo, 330 armas de fogo foram retiradas de circulação”, diz nota da SSP.
E não é só na parte externa dos imóveis que acontecem furtos de fios. Imóveis fechados, em reforma e até mesmo prédios públicos que ficam fechados e sem vigilância aos finais de semana, são alvo dos criminosos. Não são raras situações em que escolas e unidades de saúde deixam de funcionar por algum período até a reposição de fios furtados.

Para o coronel Fernando Carvalho, comandante do 6° Batalhão da Polícia Militar, que responde pelo policiamento de São Bernardo e São Caetano, esse tipo de delito é uma preocupação da Polícia Militar pelo impacto que causa na população, mas para a polícia o difícil é comprovar o flagrante. “Não se tratam de quadrilhas especializadas, mas de furtos praticados muitas vezes por pessoas em situação de rua, ou usuários de drogas que derretem o isolamento dos fios para vender o cobre. Toda vez que alguém em atitude suspeita, carregando um volume de fios, for vista ele será abordado e levado para o distrito policial, o material, caso não se consiga comprovar a origem, será apreendido e a pessoa liberada, se não tiver uma vítima que se apresente. Se a polícia encontrar a pessoa retirando fios, pode ser requisitada uma perícia e o indivíduo fica preso um dia e acaba solto no dia seguinte na audiência de custódia, porque, em geral, quando o crime é furto, o acusado não fica preso. Aí a gente vê pessoas autuadas pela quarta ou quinta vez”, explica.
A forma de atuar contra esse tipo de crime e que pode trazer resultados, é atacar os receptadores, ou seja, os depósitos que compram esse cobre. A PM não pode agir nestes casos, exceto se comprovado o flagrante. Neste caso é a Polícia Civil que tem que investigar e a prefeitura autuar se houver problemas quanto a documentação de funcionamento destes estabelecimentos. “É preciso investigar e mirar os receptadores senão vamos continuar prendendo sujeito de chinelos e com os dedos queimados do crack. Nós temos mantido o policiamento ostensivo com vistas também a este tipo de furto. Esse crime acontece bastante na periferia, mas também ocorre nos centros. Até na Rodovia Anchieta, quando tem pontos escuros é porque furtaram os fios”, completa o coronel da PM.
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Seção: Cidades