Publicado em 31/08/2025 - 07:55 / Clipado em 31/08/2025 - 07:55
Além dos clubes, futebol feminino no ABC cresce com prefeituras e projetos sociais
Henrique Araújo
Apesar de alguns clubes do ABC contarem com equipes femininas, como o EC São Bernardo, vencedor da Copa Votorantim 2025, e o Santo André, que mantém times Sub-15 e Sub-17, o investimento no futebol feminino também integra outras pontas. As prefeituras da região e projetos sociais, como a Acaff (Academia de Futebol Feminino), em São Bernardo, mantêm a modalidade viva e oferecem oportunidades reais para meninas e jovens mulheres jogarem, treinarem e competirem.
Em São Caetano, o projeto para o futebol feminino funciona no CRE Lázaro de Assis Negreiros Filho, localizado no Centro, na rua Lázaro de Assis Negreiros Filho. O atendimento ocorre às terças e quintas-feiras, das 15h às 17h. A inscrição ocorre presencialmente no local ou pelo telefone da secretaria, 4233-8916. A Prefeitura estuda a formação de um time feminino de competição para 2026, ainda sem datas concretas para início.
Já em Rio Grande da Serra, há uma escolinha de futebol de campo para meninas a partir dos 12 anos e treino de futsal feminino livre, com 25 a 30 vagas. As inscrições são realizadas online, mas ainda não há detalhes sobre investimentos futuros ou parcerias com clubes locais para expandir a modalidade.
Estruturas maiores em São Bernardo, Diadema e Mauá
São Bernardo mantém turmas mistas e três unidades exclusivamente femininas em Orquídeas, Palmeirinha da Vila do Tanque e CREC Baetinha, com capacidade para atender cerca de 300 meninas. O município também possui parceria com a Acaff, com treinos aos sábados no CREC Baetinha e durante a semana no campo do São Leopoldo.
Equipes da cidade representarão São Bernardo em competições estaduais, como a José Astolphi nas categorias Sub-14 e Sub-17. A inscrição é gratuita e ocorre online, seja pelo https://www.cursosesportivossbc.com/ ou direto no formulário https://forms.gle/1UimYrLCThT2ULBg7.
Diadema oferece 50 vagas exclusivas para meninas no Campo do Taperinha, localizado na rua Dona Ruyce Ferraz Alvim, s/n, na Vila Nogueira, com aulas aos sábados, das 8h às 10h30. O número de vagas pode aumentar conforme a demanda. A inscrição ocorre presencialmente, com apresentação de documentos pessoais, comprovante de vacinação e histórico escolar.
Em Mauá, o projeto Escolinhas de Futebol de Iniciação atende meninos e meninas, com 1,2 mil vagas ao todo, sendo 60 exclusivamente para meninas. As aulas acontecem em diversos núcleos espalhados pela cidade, abrangendo futebol de campo, futsal e society.
A inscrição em Mauá é gratuita e realizada presencialmente com documento de identificação e comprovante de residência. A lista completa dos núcleos que atendem ao futebol feminino e informações para inscrição estão disponíveis no site https://sistemas.maua.sp.gov.br/grade_esportes/grade_geral_divulgacao.php.
As prefeituras de Santo André e Ribeirão Pires não responderam até o fechamento da reportagem.
Clubes do ABC ainda concentram poucos investimentos
Entre os clubes do ABC, a situação ainda é bastante desigual. O Água Santa e o AD São Caetano não possuem equipes femininas e não apresentam planos de inclusão. O São Bernardo FC também não tem times femininos e não prevê a criação de equipes para 2025 ou 2026.
Outras equipes seguem o caminho oposto, investem na modalidade. O EC São Bernardo mantém uma equipe feminina, que conquistou a Copa Votorantim 2025, em julho, e segue com planejamento para 2026. Já o EC Santo André investe em duas equipes de base, Sub-15 e Sub-17, que participam de campeonatos paulistas e da Paulista Cup. O clube continua investindo em treinamento e logística para manter a modalidade ativa, apesar dos custos envolvidos.
Transforma vidas através do futebol
Entre as atletas da Acaff (Academia de Futebol Feminino), a história de Lívia Santos, de 14 anos, mostra o impacto do projeto. Lívia começou a treinar aos 9 anos, motivada pelo sonho de jogar profissionalmente e pelo incentivo da mãe. No início, enfrentou dificuldades para conciliar a escola, os treinos e os horários das competições, além de lidar com a pouca presença de meninas jogando futebol na comunidade.
Com o apoio das treinadoras e da metodologia da Acaff, aprimorou técnica, disciplina e confiança. “Participar da ACAFF mudou minha vida. Não é só futebol, é aprendizado, amizade e respeito. Aprendi a acreditar em mim mesma e a trabalhar em equipe”, afirma Lívia.
O futebol também ajudou Lívia a desenvolver outras áreas da vida. A rotina de treinos e competições ensinou a organizar melhor o tempo, melhorar o rendimento escolar e enfrentar desafios com mais segurança. “O futebol me ensinou a ser responsável, a lidar com pressão e a ter disciplina, coisas que hoje uso dentro e fora das quadras. Isso me faz sentir preparada para qualquer desafio”, completa.
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Seção: Esportes