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 Site Diário do Grande ABC - Santo André/SP

Publicado em 30/08/2025 - 08:31 / Clipado em 30/08/2025 - 08:31

José Auricchio Júnior carrega histórico de ingratidão e traição


Ex-prefeito de São Caetano virou as costas para a família Tortorello, que o apoiou, teria traído eleitores e prejudicado Paulo Pinheiro
 

Wilson Guardia
 

O ex-prefeito de São Caetano José Auricchio Júnior (PSD) carrega em sua trajetória pública a pecha, segundo grupos políticos da cidade, de ser ingrato com quem sempre lhe estendeu a mão e por não cumprir com suas palavras, além de “trair” a população que lhe apoiou nos seus quatro mandatos.

Lapidado pelo triprefeito Luiz Olinto Tortorello (PTB), falecido em 17 de dezembro de 2004, Auricchio integrou o grupo governista e por oito anos atuou como diretor da Saúde, cargo equivalente ao de secretário nos dias de hoje. Ganhou espaço e, naquele mesmo ano, foi alçado à condição de candidato. 

Auricchio, então no PTB, assim que tomou posse como prefeito – com as bênçãos do então titular do Paço – tratou de romper com a família Tortorello, que o ajudou a chegar ao cargo mais alto na administração pública são-caetanense.

Antônio de Pádua Tortorello, braço-direito do irmão na Prefeitura, ao ser questionado pelo Diário se houve da parte de Auricchio um sinal de ingratidão ao afastar de seu círculo de convivência que lhe estendeu a mão, respondeu: “houve”.

Pádua afirmou que não existe sucessão sem ruptura, mas fez um adendo: “o prefeito tem de se resguardar com bons secretários e pessoas ao seu lado com experiência para não fazer besteira”. “Meu irmão deixou a Prefeitura sem nenhum processo”, relembrou.

Por outro lado, Auricchio, em 2021, mesmo reeleito para o quarto mandato não pode assumir o comando do Paço. Na época no PSDB, o então mandatário teve o diploma de prefeito cassado após ser julgado e condenado por captação ilegal de recursos para a campanha eleitoral. A decisão, no entanto, foi revertida na Justiça e, em 23 de dezembro do mesmo ano, assumiu o cargo.

Outra demonstração de ingratidão ocorreu há quase duas décadas. Moradores de São Caetano criticam a postura de Auricchio, que teria apagado símbolos e referências deixados por Tortorello. Entre os alvos, estão monumentos e estátuas.

Auricchio justificou a ação ao Diário, em reportagem publicada em 21 de outubro de 2006. Disse que adotou um “novo conceito de cidade, e as obras que não eram compatíveis com esse perfil seriam retiradas”. 

Pádua, na mesma edição do jornal, afirmou que havia uma “perseguição implacável” ao nome Tortorello.

O ex-deputado estadual Marco Tortorello, filho do ex-triprefeito, ponderou sobre a atitude de Auricchio: “Acho justo ele querer imprimir sua marca na cidade, mas para acender um holofote não precisa apagar outro”.

Outro que demonstra mágoa de José Auricchio é Paulo Pinheiro, que chefiou a cidade entre 2013 e 2016 e era filiado ao PMDB à época – hoje está no União Brasil. Pinheiro tinha até poucos meses antes da eleição de 2012 a garantia de que seria o candidato governista à sucessão, mas que o então aliado não cumpriu com a palavra. “Ele só me enrolou. Quando percebi que estava sendo deixado para trás, disse que seria o candidato com ou sem o apoio dele”.

Auricchio na época optou por Regina Maura que estava no PTB, atual vice-prefeita pelo PSD, que acabou derrotada. Foram 61.136 votos para Pinheiro contra 33.594 da candidata governista.

Auricchio não só deixou de cumprir com a palavra, mas no entendimento de Pinheiro, traiu a cidade e seus eleitores quando deixou de restos a pagar aproximadamente R$ 270 milhões, reduzindo o poder de investimento para o sucessor “não governar”. “(Auricchio) foi injusto ao não pensar na população. Enquanto eu trabalhava ele fazia o contrário, só atrapalhava. Uma pessoa que não tem a índole boa.” 

Indagado se considerava o contexto como uma traição de seu antecessor, Pinheiro disse que foi com a “cidade pelo modus operandi (modo de operar)”.

Auricchio, ao encerrar seu quarto mandato em 31 de dezembro do ano passado, deixou – segundo o atual governo – passivo financeiro de R$ 1,15 bilhão para o prefeito Tite Campanella (PL). Procurado, José Auricchio Júnior não se manifestou.

 

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