Publicado em 25/08/2025 - 18:35 / Clipado em 25/08/2025 - 18:35
Cinco prefeitos afastados em seis anos: turbulência política no Grande ABC
São Bernardo, Mauá, Ribeirão Pires, São Caetano e Rio Grande da Serra viveram crises políticas recentes
Por Karine Bragione
Em pouco mais de seis anos, cinco prefeitos do Grande ABC foram afastados ou cassados pela Justiça. As turbulências atingiram Atila Jacomussi, em Mauá; Clovis Volpi, em Ribeirão Pires; José Auricchio Júnior, em São Caetano; Claudinho da Geladeira, em Rio Grande da Serra; e, mais recentemente, Marcelo Lima, em São Bernardo. Os casos envolveram desde operações da Polícia Federal até batalhas na Justiça Eleitoral, deixando marcas profundas na política regional.
O episódio mais recente ocorreu em São Bernardo. A operação Estafeta, deflagrada pela Polícia Federal, afastou Marcelo Lima (Podemos) do cargo por um ano, após suspeitas de irregularidades em contratos municipais.
Mauá, no entanto, concentrou o maior número de reviravoltas. Em 2018, o então prefeito Atila Jacomussi (à época no PSB, hoje no União Brasil) foi preso na operação Prato Feito, acusado de envolvimento em esquema de corrupção ligado à merenda escolar. Libertado após 37 dias, voltou a ser preso meses depois, na operação Trato Feito. Nesse período, sofreu impeachment, mas conseguiu reverter judicialmente e reassumiu o comando da Prefeitura em 2019, concluindo o mandato até 2020. Dois anos depois, foi eleito deputado estadual.
Em Ribeirão Pires, o desgaste foi causado por uma disputa judicial envolvendo as contas de 2012. O então prefeito Clovis Volpi (PL na época, hoje no PSD) teve a gestão reprovada e, após derrotas sucessivas nos tribunais, foi cassado definitivamente em 2022. A decisão levou à realização de uma eleição suplementar vencida por seu filho, Guto Volpi (PL), atual prefeito da cidade. Clovis permanece na cena política como secretário de Saúde e pré-candidato a deputado estadual.
São Caetano também enfrentou incertezas. O prefeito José Auricchio Júnior (PSDB à época, agora no PSD) teve sua candidatura em 2020 impugnada por supostas irregularidades em doações de campanha. Embora tenha sido o mais votado, ficou fora do cargo por 13 meses, período em que o então presidente da Câmara, Tite Campanella (Cidadania, hoje PL), assumiu interinamente. Após decisão unânime do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Auricchio foi inocentado e reassumiu para seu quarto mandato. Ele já declarou que não pretende disputar em 2026, apoiando a reeleição do filho Thiago Auricchio (PL) como deputado estadual.
Além dos quatro municípios mais populosos do Grande ABC, Rio Grande da Serra também enfrentou turbulências políticas nos últimos anos. Em 2022, o ex-prefeito Claudinho da Geladeira sofreu duas cassações em pouco mais de 24 horas pela Câmara Municipal, que realizou duas sessões seguidas. A primeira e a segunda cassações ocorreram após longas sessões de mais de 20 horas cada, com nove votos favoráveis ao impeachment e quatro contrários, motivadas por acusações envolvendo a “dura-fila” da vacina contra a COVID-19. Com a saída de Claudinho, a vice-prefeita Penha Fumagalli (PTB) assumiu o cargo de chefe do Executivo, garantindo a continuidade da gestão municipal.
As idas e vindas nos cinco municípios escancaram como operações policiais e decisões da Justiça Eleitoral moldaram a política do ABC nos últimos anos, mudando temporariamente o comando de prefeituras e alterando o rumo das disputas locais.
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Seção: Polícia