Publicado em 24/08/2025 - 08:06 / Clipado em 24/08/2025 - 08:06
No Dia do Feirante categoria enfrenta desafios como falta de sanitário químico
Henrique Araújo
Nesta segunda-feira (25/8), é celebrado o Dia do Feirante, data que homenageia os trabalhadores das feiras livres, que vendem frutas, verduras e legumes frescos, sempre com bom humor por onde passam. No ABC, a rotina desses profissionais mistura tradição, sustento e luta por melhores condições de trabalho, como instalação de sanitários químicos.
Na Feira do bairro Assunção, em São Bernardo, o movimento é intenso todos os finais de semana. “Aqui é tradição. Trabalho com minha esposa e meus filhos no pastel, e o que mais peço é que a segurança e a limpeza sejam sempre reforçadas, porque o fluxo é muito grande”, afirma José Carlos Mendes, 44 anos, feirante de pastel em São Bernardo, que reconhece o apoio da Prefeitura, mas acredita que o reforço contínuo desses serviços é fundamental para o negócio.
Em Mauá, onde as feiras noturnas se tornaram ponto de encontro gastronômico, a realidade é diferente. Para Anderson Souza Lima, 29 anos, feirante de caldo de cana, as estruturas e limpezas funcionam bem, mas falta atenção na divulgação. “O que sinto falta mesmo é de divulgação, para atrair mais gente para as feiras noturnas”. Anderson elogia a estrutura, mas acredita que mais promoção poderia valorizar ainda mais o setor.
Mauá conta hoje com 300 permissionários que, juntos, movimentam 35 feiras distribuídas pelos bairros — 31 diurnas e quatro noturnas, estas com foco gastronômico. O setor gera aproximadamente mil empregos diretos e indiretos, segundo a Prefeiura.
Faltam sanitários químicos
Maria de Lourdes Silva, 52 anos, feirante de hortaliças em Santo André, trabalha em feira há mais de 20 anos e lamenta que nunca tiveram banheiro químico nas feiras. “A gente se vira como pode, mas é um desafio enorme, principalmente para nós mulheres”, conta a feirante de hortaliças, que atua semanalmente na feira da Vila Luzita. Para Maria, as feiras ainda são fundamentais para a economia local, mas falta investimento em infraestrutura.
Os feirantes do ABC apresentam demandas comuns, como banheiros químicos, segurança, limpeza, infraestrutura e divulgação. As prefeituras da região buscam atender essas necessidades de formas diferentes, que variam entre serviços de fiscalização, apoio operacional, implantação de novas leis e projetos estruturais.
Santo André
Em Santo André, não há disponibilidade de banheiros químicos nas feiras livres do município. Hoje, são oferecidos apoio do Departamento de Trânsito e a presença das equipes de fiscalização da Craisa (Companhia Regional de Abastecimento Integrado de Santo André), com objetivo de ouvir demandas e sugestões dos feirantes.
Segundo a administração, com o encolhimento das feiras na cidade por fatores como economia, movimentação de mercado e e-commerce, a Craisa monitora e realiza compactação constante para evitar a presença de marreteiros. Há estudos em andamento para padronização e viabilidade de implantação de banheiros nas feiras.
A Craisa conta com setor exclusivo para atendimento do feirante, em que dúvidas, sugestões e críticas são apresentadas e avaliadas pela equipe. Se dentro da legislação vigente, as solicitações são atendidas. Atualmente, o município tem 69 feiras distribuídas em todos os bairros, com funcionamento das 8h às 12h, de terça a domingo. Há ainda uma feira noturna no Conjunto Prestes Maia, das 18h às 22h, além da Feira Orgânica, realizada todas as quintas-feiras das 8h às 12h, no Parque Celso Daniel.
São Bernardo
São Bernardo conta atualmente com 47 feiras livres ativas, sendo 45 diurnas e 2 noturnas, distribuídas em diferentes bairros. A maior é a Feira do Assunção, instalada na Passagem Pedro de Ataíde – avenida Robert Kennedy, com aproximadamente 500 metros lineares, 88 bancas ativas e cerca de 258 trabalhadores. As feiras funcionam de terça a sexta-feira, das 7h às 13h, e aos sábados e domingos, das 7h às 14h. O suporte aos feirantes inclui fiscalização, limpeza, organização do trânsito e segurança. Não há banheiros químicos disponíveis no momento, mas há estudo de viabilidade para implantação.
O Serviço de Fiscalização e Assentamentos de Feiras Livres e Afins mantém atendimento presencial contínuo aos feirantes, assegura espaço de diálogo. A atividade é regulamentada pelo Código de Posturas Municipais (Lei nº 4.974/2001). Quanto à cobrança, os feirantes contribuem conforme postos ocupados e metragem utilizada. Segundo o Centro de Memória, as feiras em São Bernardo tiveram início na década de 1940, com a primeira edição na rua Rio Branco. Em 1957, já eram nove regulamentadas. Hoje, seguem como tradição cultural e de geração de renda.
São Caetano
Em São Caetano, não há banheiros químicos nas feiras. Os feirantes têm de recorrer ao comércio e clubes vizinhos. O suporte inclui fiscalização presente em todas as feiras e manutenção da estrutura operacional. O diálogo ocorre principalmente via Conseg (Conselho Comunitário de Segurança) e contato direto com a fiscalização, já que a antiga associação de feirantes não está ativa. Atualmente, a cidade conta com 15 feiras livres e cerca de 80 feirantes cadastrados oficialmente.
As feiras funcionam de terça a domingo, das 5h às 14h. A maior é a do bairro Boa Vista, aos sábados, com cerca de 40 barracas. A mais antiga é a feira da Vila São José, onde atua o feirante mais antigo em atividade, o senhor Jorge. O cadastro de novos feirantes é feito presencialmente junto ao Departamento de Controle Urbano.
Diadema
Desde a implantação das feiras, Diadema também nunca ofereceu banheiros químicos. Porém, a Prefeitura anunciou a criação da Casa do Feirante, projeto que prevê banheiros fixos e espaço de apoio, com a primeira unidade prevista para setembro de 2025, na Feira da Rua Manoel da Nóbrega. Outras medidas em andamento incluem reorganização e setorização das feiras, programa de descontos e elaboração de uma nova lei para atualização das regras. A Secretaria de Segurança Alimentar mantém diálogo constante com os feirantes por meio de comissões específicas.
Diadema possui 27 feiras livres, com duas noturnas. Entre os principais pontos estão: Praça da Moça, Campanário, Vila Nogueira, Jardim Portinari, Jardim Inamar, Eldorado, Taboão e Piraporinha. As feiras funcionam de terça a domingo, das 7h às 14h, e as noturnas às quintas, das 17h às 22h.
Mauá tem cabines químicas
Em Mauá, diferentemente das demais cidades, já há disponibilização de sanitários químicos, sendo cerca de 250 cabines/mês em todas as feiras. A Prefeitura também realiza vistorias diárias, com serviços de varrição, coleta de resíduos e lavagem das vias após cada feira. Estão em estudo medidas para ampliar a quantidade de sanitários e reforçar o suporte de segurança com patrulhas da GCM. O diálogo é mantido em reuniões e fiscalizações frequentes, inclusive por ramos específicos de atividade.
A cidade conta com 35 feiras, sendo 31 diurnas e 4 noturnas/gastronômicas. As feiras diurnas funcionam de terça a domingo, das 5h às 14h, e as noturnas de terça a sexta, das 15h às 23h.
As prefeituras de Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra não responderam ao RD.
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Seção: Cidades