Publicado em 20/08/2025 - 18:26 / Clipado em 20/08/2025 - 18:26
Nível da Billings cai a 34% e especialista diz que desmatamento é causa
George Garcia
Nesta quarta-feira (20/08) o SIM (Sistema Integrado Metropolitano) de abastecimento operava com 39,7% da sua capacidade, o nível mais baixo desde a crise hídrica de 2015 e a Sabesp reconhece que o volume está abaixo do habitual e culpa a falta de chuvas. Já a bióloga e coordenadora do IPH-USCS (Índice de Poluentes Hídricos da Universidade Municipal de São Caetano do Sul), Marta Marcondes, sustenta que o desmatamento, o avanço da mancha urbana para as áreas de proteção aos mananciais e a falta de cumprimento das leis ambientais, são motivos que reduzem a produção de água nas áreas de mata que abastecem as represas. A represa Billings, que completou este ano 100 anos, tem o pior nível do sistema com 34,26%.
Avaliando isoladamente os sistemas de abastecimento, Cantareira, que abastece cidades do ABC, como Santo André (parte) e São Caetano, estava com 36,9% da sua capacidade. O sistema Rio Claro que abastece parte de Ribeirão Pires, Mauá e Santo André chegou nesta quarta-feira a 26%. O Sistema Rio Grande, que abastece uma parte de Santo André, São Bernardo e Diadema, estava com 60,8% da sua capacidade . Esse sistema é um braço isolado da Represa Billings, que estava com 34,26% da sua capacidade até esta quarta-feira (20/08). Rio Grande da Serra retira água para abastecimento do Ribeirão da Estiva, que integra o sistema Rio Grande.
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“A gente está vivendo um momento pior do que os que passamos nas últimas crises hídricas e não está faltando água porque o sistema foi integrado e tem que ter obras que façam essa interligação para garantir o abastecimento, mas se algo não for feito urgentemente no sentido de cumprimento das leis ambientais para impedir o avanço de empreendimentos e avenidas para dentro das áreas de proteção aos mananciais, no ano que vem podemos esta pior. Essa gestão mal feita do meio ambiente que, em vez de preservar, permite fazerem centros logísticos e condomínios em áreas que deveriam permanecer intocadas será fatal para a produção de água”, diz a bióloga da USCS, que há quinze anos acompanha a destruição da mata e a qualidade da água das represas que abastecem a Grande São Paulo.
Por enquanto, a Sabesp admite os piores níveis de água dos últimos 10 anos, porém diz que não há risco de racionamento de água. “O SIM é formado por sete mananciais interligados, o que garante maior segurança e flexibilidade no abastecimento da Grande São Paulo. Essa estrutura permite atender diferentes regiões a partir de mais de uma fonte, com o apoio de reservatórios importantes, como o Guarapiranga, que ajudam a equilibrar a distribuição. Desde a crise hídrica de 2015, a Companhia ampliou de forma significativa a segurança hídrica da região, com a entrada em operação do Sistema São Lourenço em 2018 (+5 m³/s), a interligação Jaguari-Atibaia (+7,5 m³/s ao Cantareira) e ampliações nas estações de tratamento do Guarapiranga e do Rio Grande. Assim, embora os índices atuais sejam os menores dos últimos dez anos, a situação é distinta da registrada em 2015, graças aos avanços na integração e infraestrutura de abastecimento. Não há risco de desabastecimento, mas o momento reforça a importância do uso consciente da água”, sustenta a companhia, em nota.
Mas para a especialista da USCS, não basta apenas o consumidor fazer sua parte economizando água, é preciso uma mobilização dos governos municipais e do Estado, para cumprir a legislação e evitar o desmatamento. “Se os municípios não se unirem em um acordo para por fim a esse desmatamento nós vamos ficar sem água, mesmo o Rio Grande que é o que está em melhor condição, não vai aguentar se a impermeabilização do solo continuar, se não pararem de construir rodovias e empresas de grande porte junto da floresta. O Consórcio Intermunicipal deveria puxar essa discussão, além da companhia de água. Não adianta só a gente economizar se a lei não for observada e criado um plano efetivo para a recuperação dos mananciais. Lei nós temos, a lei de proteção aos mananciais é de 1977, mas não tem uma fiscalização integrada. Não dá para só impermeabilizar o solo e achar que depois a água vai brotar”, completa Marta Marcondes.
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Seção: Cidades